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Totalmente Demais fez o público torcer por personagens cativantes

31 mai 2016 - 09h10
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Jonatas e Eliza: enfim juntos no último capítulo (Foto: Divulgação/TV Globo)
Jonatas e Eliza: enfim juntos no último capítulo (Foto: Divulgação/TV Globo)
Foto: Sala de TV

Nada pior para uma novela do que suscitar a indiferença do telespectador. É mais produtivo que o púbico rejeite uma produção do que simplesmente a ignore.

Nos últimos anos, não foram poucas as tramas que passaram despercebidas, tornando-se rapidamente 'esquecíveis' na memória dos noveleiros.

Não será o caso de Totalmente Demais, encerrada na segunda-feira (30). Trata-se do maior sucesso na faixa das 19h da Globo desde o fenômeno provocado pelas empreguetes de Cheias de Charme, de 2012.

Os autores Paulo Halm e Rosane Svartman optaram por enredo básico: mocinha sofrida que vive o conto da Cinderella (Eliza, em atuação magnética de Marina Ruy Barbosa), a disputa entre o herói proletário (Jonatas, em performance carismática de Felipe Simas) e o príncipe rico (Arthur, bem construído por Fábio Assunção), e uma vilã sedutora redimida no final (Carolina, em boa performance de Juliana Paes).

Os personagens foram suficientemente atrativos a ponto de suplantar as tramas previsíveis e os períodos arrastados, como o do exaustivo concurso Garota Totalmente Demais. Havia tempos que um triângulo amoroso - Eliza, Jonas e Arthur - não envolvia tanto o público e gerava expectativa pela definição do 'quem fica com quem'.

A produção folhetinesca comprovou que a maioria dos fãs de telenovela prefere uma estrutura clássica e mais palatável - ou seja, tramas e personagens sem complicações - do que fórmulas supostamente inovadoras que, em experiências recentes, resultaram em fracassos de audiência.

Novela deve ser entretenimento explícito antes de pretender emular e discutir a realidade para, eventualmente, atender a vaidade intelectual de quem a escreve.

Além do time de protagonistas, Totalmente Demais teve ainda coadjuvantes eficientes. Juliana Paiva conciliou beleza, graça e verve cômica no papel de Cassandra, uma verossímil caçadora de fama fácil.

Na vivacidade de seus 81 anos, Gloria Menezes presenteou os noveleiros com uma interpretação saborosa. A dondoca esnobe Stelinha às vezes fez lembrar Laurinha Figueiroa, a socialite falida de Rainha da Sucata (1990), um dos melhores tipos na galeria da atriz.

Com elenco predominantemente jovem, a começar por Marina Ruy Barbosa, agora alçada ao posto de estrela do primeiro time da Globo, Totalmente Demais teve cara de Malhação, alma de dramalhão mexicano e audiência de novelão das 21h. Fechou seus 175 capítulos com média de 27 pontos, a melhor entre as últimas sete novelas da faixa das 7 da noite.

Nos minutos finais, Tatá Werneck surgiu como Fedora Abdala, numa espécie de cartão de visitas da trama que entra no ar hoje, Haja Coração, de Daniel Ortiz. A aparição de um ou mais personagens de uma produção em outra, fazendo a ligação entre dois universos distintos, é chamada de crossover e mais comum nas franquias de cinema do que na teledramaturgia.

Numa estratégia nova de divulgação, a Globo exibiu na sequência do final do último capítulo de Totalmente demais um compacto com cenas de Haja Coração, alinhavadas com depoimentos de atores e do diretor-geral da nova novela, Fred Mayrink. A comédia rasgada inspirada em Sassaricando (1987), grande sucesso de Silvio de Abreu, promete agradar o telespectador que deseja curtir a hora do jantar assistindo a uma atração leve na TV.

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