Entenda o que são as guias usadas por Maxiane no BBB26 e as cores que representam cada Orixá
A sister viralizou ao beijar o fio de contas durante uma discussão com Ana Paula Renault
No BBB26, Maxiane chamou a atenção ao usar colar de contas brancas e reverenciar orixás durante momentos de dificuldade no jogo e até mesmo em uma briga com Ana Paula Renault. O fio não é um adereço e muito menos um item de moda: é uma guia de proteção espiritual, que faz parte da crença de religiões de matriz africana como o candomblé.
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Antes de entrar no reality show, Maxiane já exercitava sua crença e até mesmo escolheu um espelho como emoji oficial de sua torcida nas redes sociais, em referência ao Abebé, o espelho de Oxum. Quem usa as guias deve levar consigo o respeito pela religião e pelos orixás, além da responsabilidade e compromisso com a espiritualidade. Quem alerta é o Babalorixá Julio de Yemanjá.
"As guias, que muita gente enxerga apenas como colares, são objetos sagrados. Elas não são enfeite nem moda. São consagradas em rituais específicos e representam proteção espiritual, vínculo com o Orixá e compromisso religioso", diz.
As cores das guias representam quais Orixás?
No caso da sister do BBB, as contas usadas são brancas, comumente associadas à Oxalá. O Babalorixá explica que cada tom tem ligação com um ou mais Orixás. "As cores das guias não são escolhidas por gosto pessoal", destaca.
Ogum, Orixá do ferro e dos caminhos, está ligado ao azul escuro ou ao verde. Oxóssi, senhor das matas, da fartura e do conhecimento, é representado pelo verde e pelo azul claro. Xangô, Orixá da justiça e do equilíbrio, pelo marrom, vermelho e branco. Iansã, senhora dos ventos e das transformações, pelo vermelho e marrom.
Oxum, Orixá das águas doces e do amor, pelo amarelo e dourado. Iemanjá, mãe das águas e do acolhimento, é representada pelo verde cristal e pelo cristal transparente, que simbolizam profundidade, cuidado e maternidade. Omolu ou Obaluaiê, ligado à cura e aos ciclos da vida, pelo preto, branco e pela palha. Já Oxalá, princípio da criação, é representado pelo branco, símbolo da fé, da paz e do equilíbrio.
No entanto, é importante entender que as associações não são fixas e dependem de cada terreiro. "No Candomblé, nada é genérico. As cores, as formas e o uso das guias podem variar conforme a nação, o terreiro e seus fundamentos. Tudo exige aprendizado, autorização e vivência. Fora disso, não há fundamento", alerta.
Uso com respeito e responsabilidade
Em um programa como o BBB, qualquer adereço vira tendência e qualquer ação, por mínima que seja, chama a atenção do público aqui fora. A religião de Maxiane virou alvo de debates e opiniões na internet após uma discussão da sister com Ana Paula Renault.
Nesta quarta-feira, 4, a líder da semana entrou em embate com a veterana e logo pediu proteção a Exu, beijando a guia espiritual de cor branca, associada à Oxalá. O trecho rodou as redes sociais e recebeu críticas e dúvidas vindas das torcidas do reality.
Confira o trecho
maxiane precisa parar de querer usar exu e pombagira como aliados de jogo, pois eles não são. se alguém discutir com ela e ir direto nesse ponto, ela vai querer acusar de intolerância religiosa
não sabe levar os embates que ela mesma criou e se esconde atrás de entidade #BBB26 pic.twitter.com/6kuRpA8qXC
— wonna 🪩 (@hstylsts) February 4, 2026
Para o Babalorixá, é preciso ter cuidado ao pautar o tema na internet. "Os Orixás não são personagens nem figuras folclóricas. Para nós, eles são forças da natureza, princípios da vida e energias que orientam o equilíbrio do mundo e das pessoas. Cada Orixá carrega história, ensinamentos, cores e fundamentos que só existem dentro do terreiro, passados de geração em geração com muito respeito", defende.
Por isso, é importante buscar conhecimento sobre a religião antes de sair usando um colar de contas por aí.
"Quando símbolos sagrados são usados sem respeito ou sem conhecimento, isso reforça preconceitos históricos contra as religiões de matriz africana. Conhecer é respeitar. Respeitar é reconhecer a ancestralidade, a espiritualidade e a importância do Candomblé na formação cultural e religiosa do Brasil", destaca.