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O que faz um showrunner, novo cargo de Ingrid Guimarães?

Contratada da Amazon Prime é considerada primeira mulher a ocupar função em uma grande corporação no Brasil

4 out 2021 05h13
| atualizado às 09h12
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Ingrid Guimarães
Ingrid Guimarães
Foto: Jairo Goldflus/Divulgação / Estadão Conteúdo

O showrunner é uma figura conhecida da televisão americana - a revista Variety começou a usar o termo pela primeira vez em 1992. Mas foi lá nos anos 1970 que a TV se tornou o veículo do roteirista, deixando de ser apenas um produto totalmente controlado pelos estúdios. Os escritores ganharam autonomia e passaram a ter contratos fixos em séries como 'The Mary Tyler Moore Show'. Em algum momento da década seguinte, nasceu o misto de roteirista e produtor executivo, responsável por gerenciar a sala de roteiristas, os rumos e o tom da história, a escolha do elenco e dos diretores dos episódios, o orçamento. Ele ou ela comanda a série, ou "runs the show". Daí showrunner.

Essa pessoa - às vezes, mais de uma - é quem leva a culpa pelo fracasso ou é elogiada pelo sucesso. 'The Walking Dead', por exemplo, cuja 11ª temporada está no ar no Brasil no Star+, começou com Frank Darabont, demitido logo após o primeiro ano por causa de seu comportamento no set. Glen Mazzara assumiu o comando na segunda e terceira temporadas, períodos de grande crescimento. Scott M. Gimple ocupou a posição entre a quarta e a oitava temporadas. Foram dele decisões polêmicas, como o assassinato brutal de Glenn (Steve Yeun), que muita gente achou ter passado dos limites e derrubou a audiência, e a morte de Carl (Chandler Riggs), que gerou uma petição dos fãs para removê-lo do cargo. A partir do ano seguinte, Gimple foi substituído por Angela Kang. Ela fica como showrunner até o encerramento desta temporada, que será a final.

Nas últimas décadas, os showrunners ganharam tanta fama quanto os diretores no cinema. Os espectadores seguem os seus favoritos, seja Vince Gilligan (de 'Breaking Bad' e 'Better Call Saul'), Damon Lindelof ('Lost', 'The Leftovers', 'Watchmen'), Noah Hawley ('Fargo', 'Legion') ou Robert e Michelle King ('The Good Fight', 'Evil'). Por isso a Netflix começou a contratar alguns deles a peso de ouro, seja Shonda Rhimes, com contrato de quatro anos estimado em US$ 100 milhões, ou Ryan Murphy, que tem contrato de cinco anos estimado em US$ 300 milhões.

Mas há quem esteja tentando subverter o modelo. Em algumas séries recentes, o diretor teve bastante poder. Cary Joji Fukunaga entrou em conflito com o criador e roteirista de 'True Detective', Nic Pizzolatto, na primeira temporada. O primeiro ano de 'Big Little Lies' era de Jean-Marc Vallée tanto quanto do criador e roteirista David E. Kelley. No caso do Estúdio Marvel, que começou a produzir suas próprias séries, com títulos como 'WandaVision', 'Loki' e 'Falcão' e o 'Soldado Invernal', não existe showrunner, apenas roteirista-chefe - o showrunner, afinal, é o próprio Kevin Feige, que sempre tratou os filmes como uma série de televisão, com episódios conectados. Os diretores participam muito mais da criação e edição do que os próprios roteiristas.

Há uma preocupação geral de que isso pode ser ruim para a televisão, que funciona bem no modelo atual. Muitos dos melhores roteiristas dificilmente se submeteriam a tal esquema. Então, por enquanto, o showrunner continua sendo rei - ou rainha.

Estadão
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