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Repórteres demitidos da Globo reagem de maneiras diferentes: “Não olhem com pena”

A sensação de perder o emprego dos sonhos é dolorosa, mas pode servir de impulso para algo melhor

7 jul 2026 - 07h22
(atualizado às 07h22)
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Você é um repórter bem-sucedido em uma grande emissora. A carreira parece estável.

De repente, recebe um comunicado do RH: está demitido.

Em poucos minutos, anos de dedicação dão lugar a um turbilhão de dúvidas.

Há uma angustiante mistura de sentimentos: frustração, injustiça, medo.

“Eu estou bem triste”, foi a resposta de Graciela Andrade a um admirador que lamentou sua saída involuntária da Globo Minas, no início de julho.

Em uma postagem, ela avisou que precisava de um tempo para “organizar os sentimentos” decorrentes do fim do ciclo.

Foram quase 25 anos empunhando aquele cobiçado microfone.

Passado o choque inicial, como reagir?

A coluna pesquisou outros casos de jornalistas desligados da emissora e de suas afiliadas espalhadas pelo país.

“Não quero que ninguém olhe para mim com pena, nem achando que eu estou sofrendo”, avisou Lucas Almeida, dispensado após fazer sucesso cobrindo o ‘BBB26’.

“Muito mais do que tristeza, ficou o orgulho.” Ele trabalhou seis anos na TV Bahia, em Salvador.

“Estou partindo”, anunciou Edney Silvestre após 26 anos no canal da família Marinho.

Testemunha do 11 de Setembro em Nova York, o veterano chorou ao comunicar a demissão aos seus seguidores numa rede social.

No vídeo, fez questão de usar terno e gravata, como se apresentava nas matérias. Um gesto de reverência ao público.

“Eu fiquei em choque”, relatou Cecília Flesch sobre ser desligada da GloboNews depois de 17 anos e em ótima fase diante das câmeras.

Márcia Witczak também não fingiu normalidade quando se viu fora da emissora após 25 anos na Globo DF. “É um luto, e a gente tem que viver o luto.”

O rompimento abrupto de três décadas dedicadas ao jornalismo na afiliada RPC Paraná abalou Ana Zimmermann. “O que eu fiz de errado?”, questionou-se na ocasião.

Mas ela decidiu reagir rápido. Adotou uma postura pragmática, sem vitimismo. “Não vou morrer, a vida não vai acabar.”

Ao fim de 14 anos na Rede Bahia, Joyce Guirra buscou enfrentar a situação com leveza, sem permitir que a demissão ofuscasse o que viveu.

“Como é bonito olhar o passado e me orgulhar, ter a convicção de que fiz o meu melhor em cada entrevista, reportagem, ao vivo.”

Ao se ver longe da Globo após 31 anos, Fernando Rêgo Barros divulgou uma carta. “Agradeço à empresa por todas as oportunidades que me deu”, escreveu em um trecho.

Meses mais tarde, iniciou uma batalha na Justiça ao reivindicar direitos trabalhistas. Sempre discreto, jamais falou mal em público da antiga empregadora.

“Uma demissão pode ser muito útil se você não deixar que ela o destrua”, afirmou Steve Jobs.

O gênio da tecnologia viveu uma experiência incomum: foi demitido da própria empresa que havia criado, a Apple.

Anos mais tarde, voltou para salvar a companhia de uma crise. Criou o iMac, iPod, iPhone e iPad. Entrou para a história.

Edney Silvestre, Lucas Almeida, Márcia Witczak e Joyce Guirra: ser desligado da Globo gerou tristeza, mas a vida deles não se resume à emissora
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Foto: Reproduções
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