Globoplay resgata novela protagonizada por atriz que morreu há 25 anos
Na próxima segunda-feira, 17, o Globoplay homenageia atriz que morreu aos 48 anos com resgate de seis capítulos de novela estrelada pela intérprete
Em março de 1979, a Globo estreava Memórias de Amor como sua nova novela das seis. A história, protagonizada pela atriz Sandra Bréa, que morreu com 48 anos vítima de um câncer no pulmão, chega ao Globoplay na próxima segunda-feira, 17. A plataforma de streaming colocará em seu catálogo seis capítulos preservados da novela em lembrança aos 25 anos de morte da atriz.
Homenagem para atriz
No dia 17, Memórias de Amor será resgatada pelo projeto Fragmentos do Globoplay. Inspirada no romance O Ateneu, de Raul Pompeia, a trama se passa no período pré-Proclamação da República e tem como um de seus principais cenários o renomado Colégio Ateneu. A narrativa acompanha o embate entre o rígido diretor Aristarco (Jardel Filho) e seu filho Jorge (Eduardo Tornaghi), um advogado defensor da causa republicana.
Enquanto o pai mantém convicções monarquistas, Jorge se apaixona por Lívia (Sandra Bréa), desencadeando novos conflitos. A novela contou com um elenco de peso, incluindo Eva Todor, Ary Fontoura, Diogo Vilela, Aracy Cardoso, Ricardo Blat, Maneco Bueno e Myrian Rios. O roteiro foi assinado por Wilson Aguiar Filho.
No papel de protagonista, Sandra se destacou, mas já vinha de uma longa carreira nas artes: a jovem começou como modelo aos 13 anos, migrando para o teatro de revista pouco tempo depois. Seu talento e beleza chamaram atenção, levando-a a estrear na TV em 1970, na novela Assim na Terra Como no Céu. Durante os anos 1970 e 1980, consolidou-se como uma das grandes estrelas da teledramaturgia brasileira, participando de sucessos como O Bem-Amado, Elas por Elas e Ti Ti Ti.
Além do trabalho na televisão, brilhou no cinema e no teatro, sempre demonstrando versatilidade em papéis diversos. Fora das telas, foi uma figura de coragem ao tornar pública sua condição sorológica em 1993, enfrentando preconceitos e trazendo visibilidade à luta contra a discriminação das pessoas vivendo com HIV.
Em seus últimos anos, a atriz homenageada lutou contra um câncer de pulmão em estado avançado. Em 4 de maio de 2000, ela faleceu em sua casa em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
Sobre a novela
Como recorda o jornalista Nilson Xavier, do Teledramaturgia, Memórias de Amor representou a primeira incursão de Wilson Aguiar Filho na teledramaturgia. A adaptação de O Ateneu, romance publicado originalmente em 1888, foi um desafio para o horário das 18h.
O autor revelou, até, que sofreu pressões para alterar o tom da história: "Minha intenção era manter a ironia e crítica social do romance, mas, duas semanas antes da estreia, me pediram para criar algo mais próximo de Romeu e Julieta", declarou Aguiar Filho em entrevista ao Jornal do Brasil em 1989.
A escolha do título Memórias de Amor, em substituição ao original O Ateneu, foi uma tentativa de atrair o público interessado em histórias românticas e minimizar as polêmicas associadas ao livro, que trata de temas vistos como delicados para a época.
No entanto, mesmo com os esforços, a novela enfrentou desafios com a censura vigente na época e foi encurtada de 140 para 82 capítulos.