Cauã Reymond diz que irmão chorou ao ver Danilo drogado em 'Passione'
Dono de um sorriso único, Cauã Reymond pergunta antes de começar a sessão de fotos: "Posso sorrir?". Por conta de seu personagem Danilo, viciado em crack em Passione, ele tem aparecido na TV em situações degradantes. E na próxima terça-feira (16) retorna à novela, em uma cena que reproduz o ambiente de uma cracolândia. "Meu irmão mais novo, que mora em Santa Catarina, chorou várias vezes ao ver o Danilo sob efeito da droga. Tive que ligar e falar: 'Não sou eu, fica tranquilo'. Minha avó fica muito nervosa quando vê e uma das minhas tias não consegue assistir às minhas cenas", confessa ele, que nada tem a ver com essa realidade.
O cara solar, que de tanto fazer esportes desenvolveu uma lesão no quadril típica de atletas e precisou se afastar da trama por quase dois meses para curá-la, logo se revela. "Era viciado em endorfina (substância produzida pelo cérebro com a prática esportiva). Isso é até engraçado, porque durante o período em que vivo um viciado na TV e estudo sobre o assunto, tive que aprender a lidar com o afastamento do único vício que tinha, que era fazer esportes", conta o ator, que já foi lutador de jiu-jítsu, surfa, faz ioga, musculação e corre na areia.
Toda essa rotina está suspensa há sete semanas por conta do tratamento para curar o impacto femoroacetabular, palavrão que o fez operar e precisar de muletas para andar. O sumiço é justificável na trama, pois dependentes químicos na vida real se afastam de suas famílias. A tacada de mestre ficou por conta de Silvio de Abreu.
O autor deu um jeito de incluir o jovem na lista de suspeitos da morte de Saulo (Werner Schünemann), que expulsou o filho de casa a socos e pontapés e lhe negou a ajuda para largar o vício. "Acho que o Danilo está envolvido com a morte do pai. Tenho minhas dúvidas se ele é realmente o assassino, minha aposta no bolão é o Arturzinho (Julio Andrade). O culpado é sempre o mordomo (risos). Mas se duvidar, o Silvio não contou isso nem para a Denise Saraceni (diretora)", aposta.
Para dar veracidade ao drama do atleta viciado em crack, Cauã fez uma pesquisa paralela à que foi oferecida pela Globo. Devorou obras literárias e cinematográficas sobre o assunto e pesquisou dependentes in loco. "É o personagem mais complexo que já fiz. Primeiro, fui à Cracolândia, de São Paulo, dar uma olhada. Depois de ler e de ver, comecei a frequentar o Narcóticos Anônimos para entrar em contato, porque na Cracolândia, não tentei, fiquei só de voyeur", explica ele, que, na sequência, visitou clínicas de reabilitação. "Lá contei com a ajuda de gente que trabalhava na clínica e era ex-viciado. Esses me contaram suas trajetórias de vida com detalhes precisos", observa.
Esse mergulho só não o fez mudar de opinião no que diz respeito à liberação do uso de drogas. Ele é a favor, mas não crê que seja o momento ideal para o Brasil adotar uma medida dessas. "Acredito que é preciso construir esse diálogo. Mas aqui não há estrutura para tratar do dependente químico nem condições de atender à demanda que surgiria se houvesse a liberação, nem que seja de maconha, que, a princípio, é a droga mais simples, para fins medicinais", argumenta.
Para encarnar a fase "negra" de Danilo, Cauã também está sem fazer a barba e cortar as unhas. Mas nem isso diminuiu o sucesso dele com o público feminino. A começar pela namorada, a atriz Grazi Massafera. "Minha mulher gosta de mim barbudo, diz que fiquei com cara de mais velho. E outras atrizes também me fizeram elogios", diverte-se.
"Mesmo rolando essa campanha a favor, eu já teria cortado a barba. Está ficando quente, mas pelo personagem tudo bem", resigna-se o ator, sem visitar o barbeiro há um mês e meio. O período coincide com o afastamento forçado por conta da operação no quadril. De volta às gravações na última quinta-feira (11), ele ainda vai usar muletas por três semanas.
"Nessa folga, vi muito filme, li muito. Também dormi bem. E nas últimas semanas, meu sono acalmou. Estava tenso por conta da operação e, antes dela, só fiz cena difícil. Fiquei pilhado, e agora, volto relaxado, mesmo com o couro comendo", conta ele, feliz e superempolgado.
Cauã não teve crise em beijo gay
Cauã Reymond também brilha quando o assunto é cinema. Em Meu País, de André Ristum, interpreta um jovem viciado no jogo e em Estamos Juntos, de Toni Venturi, encarna o DJ homossexual Murilo. "Para fazê-lo conversei com muito casal gay, frequentei inferninhos. E na noite gay se consome muita droga. Lá, descobri que a bala (êxtase) é mais barata que a dose de uísque", observa o ator, que no filme chegou a protagonizar um beijo gay com o ator argentino Nazareno Casero.
"Ele é bem resolvido e eu também. Então não teve crise. Demos dois tapinhas nas costas. Perguntei: 'É isso que gente vai ter que fazer?'. Na ação a gente fez, mas barba espeta e não é legal. Os argentinos têm muita barba (risos). Beijo em rosto lisinho e pele de bebê como da Grazi é melhor", brinca ele. Já no longa Não Se Pode Viver Sem Amor, de Jorge Durán, que deve chegar às telas até o fim do ano, Cauã vive João, um advogado fracassado que vai para o crime. "Agora só faço os desajustados", diverte-se.