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Thiago Martins se anima com o triângulo amoroso de 'Av. Brasil'

18 ago 2012
22h01
atualizado às 23h12
GERALDO BESSA

Thiago Martins aposta em seus instintos para compor seus personagens. Sem a ajuda de psicólogos ou preparadores de elenco - muito utilizadas na tevê ultimamente - ele investe em um esquema solitário de pesquisa e inspiração para encontrar o ponto certo dos tipos que interpreta na TV, teatro e cinema. "São trabalhos coletivos. Portanto, é durante o processo de composição que posso exercitar minha veia autoral. Como até agora tem dado certo, sigo a mesma linha", conta o intérprete do Leandro, de Avenida Brasil. Em sua sexta novela na Globo, Thiago surpreende-se com o desenho de seu personagem na trama de João Emanuel Carneiro. "Ele começou tímido, mas está se envolvendo cada vez mais em uma polêmica relação com a Suelen e o Roniquito", empolga-se, referindo-se aos personagens de Isis Valverde e Daniel Rocha.

Thiago nasceu no morro carioca do Vidigal e desde pequeno foi incentivado pela mãe e pelo irmão mais velho a seguir a carreira artística. "Cria" do projeto social Nós do Morro, teve sua primeira experiência na tevê, com um pequeno papel em Uma Carta Para Deus, especial de Natal da Xuxa, de 1998. Só em 2004, no entanto, surgiu a primeira grande oportunidade em novelas, como o simpático Sal, de Da Cor do Pecado. "Não me precipitei. Fui vivendo um trabalho de cada vez e aos poucos essa relação foi ficando mais séria. Não acho que a tevê seja meu veículo preferido. Mas, atualmente, é a minha prioridade", conta o ator de 23 anos.

TV Press - Em Insensato Coração, exibida no ano passado, você deu vida ao homofóbico Vinícius. Agora, em Avenida Brasil, seu personagem é assediado e flerta com Roniquito e Suelen, de Daniel Rocha e Isis Valverde. Essa variação foi importante na hora acertar sua participação na novela?
Thiago Martins - Entre uma novela e outra, fiquei apenas seis meses fora dos estúdios. Então, quando tive o convite para Avenida Brasil, minha maior preocupação era não me repetir. Por sorte, são tipos completamente diferentes, e quase contrapontos em uma mesma temática, já que o Leandro é um cara sem preconceitos e amigo do Roniquito, enquanto o Vinícius chegava até a agredir e assassinar pelo simples fato de um jovem gostar de alguém do mesmo sexo. Também busquei demarcar essas diferenças através de gestual, olhar e caracterização.

TV Press - Como assim?
Thiago - Eu não poderia admitir que Vinícius e Leandro tivessem os mesmos vícios comportamentais. O trabalho foi cauteloso. O Vinícius tinha uma coisa de ficar mordendo a boca, sempre demonstrando muita ansiedade. Na contramão disso, busquei leveza e serenidade para o Leandro. Como em "Insensato Coração" meu cabelo estava bem baixo e meu rosto completamente liso, deixei o cabelo crescer e adotei um cavanhaque. São pequenas atitudes que traçam a chegada e a partida dos personagens.

TV Press - Como você analisa a formação do triângulo amoroso entre Leandro, Suelen e Roniquito?
Thiago - Foi surpreendente para mim. Não tinha noção de que a aproximação dos três ficaria tão evidente. Na sinopse, Leandro era retratado apenas como um aspirante a jogador de futebol que despertaria o interesse do Roniquito. Em se tratando de João Emanuel Carneiro, tudo é possível e estou gostando desse novo momento do meu personagem na trama.

TV Press - Você estreou na tevê em Da Cor do Pecado, exibida em 2004 e que também era assinada pelo João Emanuel. Como é voltar a atuar em um texto do autor?
Thiago - Por estar no horário das nove, acho que a obra do João ficou mais densa. É legal voltar a trabalhar com ele depois de ter tido a oportunidade de atuar em novelas de autores como Silvio de Abreu e Gilberto Braga. Por isso, sinto que neste retorno estou mais maduro como ator e seguro em cena. É claro que ainda tenho muito a aprender. A cada novela que participei tive a oportunidade de dividir cena com nomes do calibre de Glória Pires, Tony Ramos e Tarcísio Meira. É impossível passar imune por essas experiências.

TV Press - Você se descobriu ator ao entrar para o Nós do Morro, grupo de teatro do morro do Vidigal, no Rio. Como você concilia as peças mais artesanais do grupo com o esquema industrial da TV?
Thiago - Brinco que eu não estou no Nós do Morro, sou parte dele. Foi com meus amigos do Vidigal que aprendi a ter domínio e intimidade com o palco. A partir disso, é que surgiu a televisão. Gosto de fazer novela e tenho tido boas oportunidades e personagens instigantes. Ao mesmo tempo em que fico muito contente ao voltar para as minhas origens. Infelizmente, não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo e já fiquei triste por ter de me afastar um pouco das produções do Nós do Morro para me dedicar à tevê e ao cinema. Já fui criticado por isso, mas quem me conhece, sabe que estou apenas seguindo o meu caminho e representando o trabalho desenvolvido pelo grupo.

Thiago Martins interpreta o Leandro em 'Avenida Brasil'
Thiago Martins interpreta o Leandro em 'Avenida Brasil'
Foto: Pedro Paulo Figueiredo/ Carta Z Notícias / Divulgação
Fonte: TV Press
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