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Autor abandonou novela da Globo após morte do protagonista há 42 anos

Trama da Globo foi criada especialmente para o ator, que morreu de forma inesperada aos 54 anos

19 fev 2025 - 11h17
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Jardel Filho em Sol de Verão
Jardel Filho em Sol de Verão
Foto: Reprodução/Globo / Contigo

Em 19 de fevereiro de 1983, o ator Jardel Filho, que na época vivia o protagonista de Sol de Verão, novela das oito da Globo, dava seu último adeus. Vítima de um ataque cardíaco fulminante, o intérprete morreu aos 54 anos e acabou desfalcando o elenco da trama que protagonizava. Após sua morte, que foi uma comoção entre o público e a classe artística, o autor Manoel Carlos abandonou a novela.

Sol de Verão

A trama de Sol de Verão, como destaca o jornalista Nilson Xavier, do Teledramaturgia, girava em torno de Raquel (Irene Ravache), uma mulher que desafiava os padrões ao romper um casamento para seguir seus sentimentos. Seu par romântico, Heitor, interpretado por Jardel Filho, era um dos pilares centrais da história, ao lado do deficiente auditivo Abel, vivido por Tony Ramos.

Manoel Carlos desenvolveu a novela especificamente para Jardel Filho, que esteve envolvido na concepção da história desde o início. Em entrevistas, o autor revelou que a ideia surgiu durante um café da manhã de réveillon no Rio de Janeiro, onde discutiu o projeto com o ator. 

No livro Autores, Histórias da Teledramaturgia, do Projeto Memória Globo, Maneco contou: "Sol de Verão nasceu em um réveillon, durante um café da manhã no hotel Ceaser Park, no Rio de Janeiro, com Jardel Filho, um grande amigo meu, para quem eu estava escrevendo um espetáculo teatral. Foi quando comecei a imaginar uma novela para ele e, assim, escrevi Sol de Verão".

A princípio, relembra o Teledramaturgia, a novela teria o título Um Amor de Verão. Outra sugestão provisória foi História de um Verão.

Despedida inesperada

Jardel Filho faleceu quatro meses após a estreia da novela, deixando a emissora e os colegas de cena sem saber como seguir adiante. Xavier resgata a memória do primeiro capítulo sem o ator, exibido em 28 de fevereiro de 1983, que trouxe uma homenagem emocionante: uma imagem congelada de Jardel com a mensagem narrada por Irene Ravache. "Uma ideia não morre! É uma semente que germina despertando novas ideias. A bandeira de Heitor está em nossas mãos!", disse a atriz.

A Globo pretendia prolongar a novela até que Louco Amor, próxima trama das oito, estivesse pronta. No entanto, Manoel Carlos se recusou a continuar escrevendo sem seu protagonista e pediu para sair. Segundo depoimento do autor, ele sugeriu que a história fosse concluída rapidamente, mas a emissora solicitou que a novela durasse mais tempo. Diante disso, Maneco preferiu deixar o projeto.

"Quando Jardel morreu, fiquei profundamente abalado (…) A Globo estava muito preocupada com os rumos da novela. Sugeri que assumíssemos a morte dele na história, pois todo o Brasil já sabia do ocorrido. Propus que fizéssemos mais 15 ou 16 capítulos para concluir a trama. (…) Mas Boni me comunicou que isso não seria possível, pois a próxima novela ainda não estava pronta. Eu precisaria seguir escrevendo até que a nova produção estivesse finalizada. Discordei e preferi sair, deixando a continuidade para outro autor", explicou o autor em Autores, Histórias da Teledramaturgia.

Final da trama

O Teledramaturgia relembra que, com a desistência de Manoel Carlos, Lauro César Muniz assumiu os 17 últimos capítulos, com o apoio dos atores Gianfrancesco Guarnieri e Paulo Figueiredo. No primeiro episódio sob a nova autoria, uma cena simbólica mostrou um trator destruindo um jardim e derrubando uma placa com o nome "Heitor", representando a morte do personagem.

A conclusão da novela foi tumultuada, com roteiros sendo escritos praticamente em tempo real com as gravações. Sol de Verão chegou ao fim em 18 de março de 1983, um mês após a morte de Jardel Filho.

Manoel Carlos se afastou da Globo por nove anos, mas o motivo não esteve diretamente ligado à novela. Em uma entrevista, ele revelou que seu contrato não foi renovado após publicar um artigo na revista Veja criticando um diretor da emissora. O autor retornou em 1991 para escrever Felicidade e permaneceu na Globo até se aposentar.

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