'Além do Horizonte' antecipa mistérios e apresenta história confusa
A proposta de criar uma trama cercada por mistérios poderia ser o grande trunfo de Além do Horizonte. Afinal, em meio a novelas com enredos repetitivos, novidades são bem-vindas. Mas os índices insatisfatórios de audiência – o folhetim chegou a amargar 13,5 pontos de média, a mais baixa de toda a história do horário das 19h na Globo – fizeram os autores Marcos Bernstein e Carlos Gregório anteciparem a revelação de alguns mistérios. Como, por exemplo, as identidades da tão temida "besta", que, na verdade, é o grosseirão Kléber, de Marcello Novaes, e do Luminoso Mestre, que é Hermes, de Alexandre Nero. Além do fato de que as pessoas que vão para a Comunidade, a princípio, em busca de uma felicidade concreta, não conseguem sair de lá. Agora, o que se vê no ar é uma história que parece não ter rumo certo. E chega a lembrar as carochinhas contadas por João Kléber na RedeTV!. Já que o clima de suspense nada mais faz do que levar o folhetim a lugar nenhum.
Mas os autores souberam tirar proveito da entrada tardia de Alexandre Nero na novela. Na pele de Hermes, o ator – antes da estreia escalado para interpretar Armando – assumiu a importante função de ser o verdadeiro vilão da história. E desempenha o papel com maturidade. O que não se percebe no trio de protagonistas. Em um mês e meio de novela, Juliana Paiva, Thiago Rodrigues e Vinícius Tardio ainda não encontraram o tom de seus personagens – Lili, William e Rafa – e nem demonstram naturalidade em cena. Já a dobradinha entre Laila Zaid e o estreante em novelas Igor Angelkorte, a Priscila e o Marcelo, tem sido o escape cômico. Apesar de Além do Horizonte ter bons momentos de humor distribuídos em vários personagens – caso de Inês, vivida por Maria Luiza Mendonça, que costuma encarnar bem o papel de mulher insana –, o novo casal está entrosado e divide as melhores sequências engraçadas.
Outro acerto da novela são as cenas de aventura. Sob a direção geral de Gustavo Fernandez, as sequências dão frescor a uma trama que ainda se mostra pouco cativante. Os planos são detalhadamente pensados para que o suspense se instaure, como quando a câmara capta uma imagem mais aberta e vai se aproximando até focar em um detalhe mais fechado ou vice-versa. Mas não é só de preciosismo técnico que se faz uma novela bem-sucedida. Falta consistência na história para prender de fato a atenção do espectador.
Além do Horizonte – Globo – De segunda a sábado – às 19h20