Novela indiana exibe pela primeira vez um romance gay
24 nov2011 - 06h01
(atualizado às 07h26)
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Pela primeira vez, dois anos após a homossexualidade se tornar legalmente permitida na Índia, uma telenovela se atreve a mostrar uma relação amorosa entre dois homens.
"Se você ama um homem ao invés de sua esposa, que necessidade havia de casar comigo?", pergunta em um capítulo da novela a jovem recém-casada para seu marido, depois de flagrá-lo trocando apaixonados "Te amo" com seu amante.
Maryada... Lekin Kab Tak ("Honra, mas a que custo?", em hindi) é um drama focado em uma típica família patriarcal de Haryana - cidade no norte da Índia - envolvendo lutas de poder e confusões amorosas.
A telenovela, que está prestes a chegar a 300 episódios, estreou em outubro de 2010, mas foi só em maio deste ano que introduziu a trama gay, que apresenta um homem recém-casado, primogênito de uma rica família, que se declara homossexual.
"A homossexualidade é uma realidade, existe e devemos aceitá-la", declarou a autora Damini K. Shetty ao jornal indiano Economist Times quando a polêmica história surgiu no roteiro.
Transmitida à noite, Maryada... Lekin Kab Tak obtinha audiência média de 1% nas primeiras semanas, segundo a revista India Today, mas entre maio e junho, quando a temática gay foi introduzida, o índice aumentou para 1,2%, até atingir o atual 1,6%.
O produtor da novela, Tony Singh, disse ao jornal Indian Express que se tratava de um experimento. "Mas o fato é que, à medida que difunde a conscientização sobre temas tabu, as pessoas tenderão a ser menos críticas. É a única maneira de evoluir".
Na televisão indiana, já existiram personagens gays, mas apenas em papéis secundários e muitas vezes cômicos e exagerados, com um estereótipo "afetado".
No site da associação Gay Mumbai, a aparição de Maryada é comemorada como um "passo adiante", pois, segundo a entidade, "mostra uma ruptura de muitos dos estereótipos existentes na maioria das representações da homossexualidade dentro de Bollywood".
Os atores que interpretam o casal homossexual são Dakssh Ajit Singh (de 30 anos, protagonista) e Karan Singh (29), que se transformaram em ícones para a comunidade gay na Índia, embora se declarem heterossexuais na vida real.
Segundo o India Today, o maior receio de Dakssh era romper com sua imagem masculinizada. No entanto, os dois atores acabaram aceitando o papel ao perceber a oportunidade profissional oferecida.
"Se dois atores de Hollywood como Jake Gyllenhaal e Heath Ledger puderam atuar em O Segredo de Brokeback Mountain, eu definitivamente poderia aceitar o desafio", destacou Karan Singh.
Embora façam parte da realidade indiana, inclusive nas zonas rurais, os homossexuais foram tradicionalmente discriminados em uma sociedade conservadora, que rejeita a discussão pública sobre a sexualidade. Por isso a televisão abordou o tema apenas após o Tribunal Superior de Délhi entender que a criminalização da homossexualidade violava a Constituição.
Nas ruas da capital indiana, as opiniões sobre Maryada se dividiram. A estudante de moda Manisha Dubey, por exemplo, disse à Agência Efe que não compreende o motivo pelo qual a sociedade "não faz o esforço de entender os gays".
"Meus pais abrem cada vez mais sua mente. Eu costumo ver a novela com eles e, embora ainda não cheguem a aceitá-la, estão no caminho certo. Meus avós, no entanto, sei que nunca aceitariam a homossexualidade", explicou a jovem, de 24 anos.
Seu Peru já é um personagem clássico da televisão brasileira. O ator Orlando Drummond Cardoso dá vida ao personagem da Escolinha do Professor Raimundo, vivido por Chico Anysio, desde 1990. "Estou por aqui! Use-me e abuse-me, teacher!", dizia ao ser chamado pelo mestre
O ator Marcos Pigossi deu vida ao divertido Cássio na novela 'Caras & Bocas' em 2008. O personagem, que trabalhava em uma galeria de arte, tinha vários bordões, entre eles "choquei!", "rosa chiclete" e "tô bege dégradé"
Foto: Divulgação
Seu Peru já é um personagem clássico da televisão brasileira. O ator Orlando Drummond Cardoso dá vida ao personagem da Escolinha do Professor Raimundo, vivido por Chico Anysio, desde 1990. "Estou por aqui! Use-me e abuse-me, teacher!", dizia ao ser chamado pelo mestre
Foto: Divulgação
Em 'Morde & Assopra', André Gonçalves está ganhando a simpatia do público com o escandaloso e divertido Áureo, um gay assumido, que vive atrás do fortão Josué (Joaquim Lopes) e está sempre pedindo ajuda de Nossa Senhora do Glitter. Além disso, ele tem uma amiga inseparável, a vilã Celeste (Vanessa Giácomo). Aliás, a amizade é tão forte que a moça acabou ficando grávida do rapaz
Foto: Divulgação
"Arrasa, bi", Roni (Leonardo Miggiorin) vive dizendo para Natalie (Deborah Secco), e vice-versa, em 'Insensato Coração'. Afetadíssimo e escandaloso, o promoter é o braço-direito da mulher de Horácio Cortez (Herson Capri) e vive dizendo que ela está "tuda"
Foto: Divulgação
Tutu (Rael Barja) é mais um gay escandaloso de 'Morde & Assopra'. O personagem é cabeleireiro do salão de Tieko (Miwa Yanagisawa). Ele abusa dos trejeitos, poses e adora deixar suas clientes "umas coisinhas fofas"
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Em 'Senhora do Destino', o carnavalesco Ubiracy (Luiz EnriqueNogueira), ou Bira, para os íntimos, deixava tudo magnífico na escola de samba Unidos da Vila São Miguel. Além de se preocupar com o companheiro Turcão, vivia cuidado de seu "bebê", Nalva (Tânia Kalil)
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Outro gay que roubou a cena na televisão foi Adriano (Rafael Zulu), na versão de 2010 da novela 'Ti ti ti'. O rapaz era colunista da revista Moda Brasil, mas com o desenrolar da trama acabou ganhando sua própria revista: a Drix, onde ele contava todos os babados da trama para os seus "queridos babycakes"
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Diogo Vilella deu vida ao engraçado guru Uálber em 'Suave Veneno'. Ele adorava usar lenços espalhafatosos e vivia com seu assistente, o desastrado Edilberto (Luiz Carlos Tourinho), que usava calças justas e salto alto
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Guilherme Karan também deu vida a um gay espalhafatoso na teledramartugia brasileira. Ele foi Políbio na novela 'Partido Alto', um guru que misturava toda as correntes esotéricas. Ele explorava mulheres ricas e ainda levava junto seu amante, Raposo (Guaracy Valente), como um suposto ajudante
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Capitão Gay foi um dos personagens mais famosos de Jô Soares, que fazia parte do programa 'Viva o Gordo'. Assim que era chamado por alguém que estava em apuros, o Comendador Gouveia se transformava em Capitão Gay, que surgia todo de rosa e purpurinado. Ele tinha um assistente, Carlos Suely (Eliezer Motta)
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Bem diferente da versão original, Batman (Alexandre Frota) e Robin (Tuca Laranjeira) são um casal escandaloso no humorístico 'A Praça é Nossa', do SBT. Na atração, eles tentam resolver seus problemas no relacionamento, enquanto tentam proteger Carlos Alberto de Nóbrega
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Na série 'Divã', a diversão ficava por conta do cabeleireiro Renée, personagem de Paulo Gustavo. O rapaz era amigo de Mercedes (Lília Cabral) e fazia questão de cuidar da beleza dela, que entrava no salão pedindo: "repica, Renée. Repica!"
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"Não precisam disfarçar, eu sei que vocês estavam falando de mim" é uma das frases preferidas do caricato Fréderic (Roney Facchini) na série 'Macho Man'. O cabeleireiro é afetado e cheio de manias, principalmente a de perseguição
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Painho, personagem de Chico Anysio, é um velho conhecido dos telespectadores. Ele é um pai de santo homossexual que adorava a companhia de Cunhã. "Eu sou doido por essa neguinha", repetia sem parar, com seu sotaque baiano arrastado