"Não interessa mais a massa", diz jornalista Mariana Godoy
- Mariana Trigo
Mariana Godoy já fez de tudo um pouco na TV Globo. Passou pelos principais telejornais da rede como repórter, comandou por anos a bancada do Bom Dia São Paulo, apresentou o Jornal Hoje, cobriu o Carnaval e, há quase dois meses, se instalou no principal telejornal da Globo News, o Jornal das Dez.
Falante e animada com a nova função, a apresentadora garante que não se incomodou de sair da TV aberta para falar para um público mais específico. "Gosto mesmo é de me aprofundar em matérias de economia e política", assegura.
No entanto, para se posicionar na produção, a paulista, nascida em Itanhaém, teve de deixar para trás a sua vida em São Paulo e se mudar para o Rio de Janeiro. Nesta troca, Mariana chegou a avaliar os momentos em que desejou ser correspondente internacional.
"Já pensei e desisti várias vezes (risos). Mas é preciso uma estrutura familiar no exterior. Trabalha-se muito lá fora. Já fui chamada para ser correspondente da CNN no Brasil. Mas não era o momento. Quem sabe um dia?", cogita.
TV Press - Qual sua reação quando foi chamada para assumir o Jornal da Dez?
Mariana Godoy - Achei ótimo e fiquei um pouco assustada porque ia mudar de cidade. Eu vim primeiro para o Rio. Meu filho e meu marido ficam na ponte aérea, curtindo só o fim de semana na cidade. No fim do ano, meu filho vem definitivamente e meu marido deve continuar mais um tempo na ponte aérea. Ainda nem estou em um apartamento, estou morando em um flat.
TV Press - O Jornal das Dez passou por diversas alterações de formato e chegou a subir quatro posições na audiência no ranking das TVs por assinatura. Após a saída do André Trigueiro, o telejornal foi reformulado e passou a ter mais interatividade. De que forma ocorreram essas mudanças e qual a sua participação nelas?
Mariana - Só quem assiste pode falar. Mudou tudo. Desde a abertura, passagem de bloco, parte técnica, o ritmo das imagens, número de assuntos por bloco, edição, trilha sonora. Todo o formato mudou. Ele está mais rápido, com mais matérias de bastidores, mas a prioridade continua sendo a informação. Toda a equipe participou dessa transformação com opiniões e sugestões. Fizemos muitos pilotos e ficamos testando. Como ele ficou mais rápido, também dá margem para mais erros. Mas eu não sou a cabeça desse projeto. Quando fui convidada, as mudanças já estavam bem desenvolvidas. O Trigueiro é meu amigo, um querido e foi para a rede (risos). Esse é um cara que faz diferença indo para a rede, para falar para a massa. Para mim, não interessa mais a massa, mas o público específico da Globo News.
TV Press - Mesmo deixando para trás a audiência muito maior da TV aberta?
Mariana - Adorei! Não faz mal se a audiência na aberta é maior. O que importa é o trabalho que você faz. Estou com 43 anos, o que me interessa são as notícias internacionais e as mais importantes do nosso país. Prefiro estar envolvida com um jornal que discute e se aprofunda em política e economia. Quando eu fazia o Bom Dia São Paulo e participava do Bom Dia Brasil, ficava duas horas e meia no estúdio. Já gostava disso. Os assuntos nacionais já me atraíam mais. Isso combina com a minha fase atual. Não queria mais falar sobre assuntos mais leves de jornal local, gosto mais de "hard news".
TV Press - Em 2012 faz 20 anos que você está na TV Globo. O que mais destaca nessa trajetória na emissora?
Mariana - Comecei a trabalhar com 16 anos com jornalismo. Fazia frila para jornais, batia na porta das redações, passei pela TV Gazeta, Manchete, SBT. A Manchete era uma delícia, peguei a fase da novela Pantanal. Era o auge da emissora. Na TV Globo, comecei como repórter. Fiz matérias para todos os jornais e fazia política quando a Lilian Witte Fibe ainda apresentava o Jornal da Globo. Mas sou uma pessoa que vive o presente, não fico pensando no passado e não fico ansiosa pelo futuro. Não sofro.
TV Press - Você passou por quase todos os jornais de rede da TV Globo, menos pelo Jornal Nacional. Por que nunca fez o rodízio de apresentadores aos sábados?
Mariana - Cada jornal tem a sua equipe e tem muita gente boa na Globo. Devo ser uma das poucas a dizer que o Jornal Nacional não é minha meta. Meu objetivo é fazer um bom trabalho e meu primeiro crítico sou eu. Nos jornais de rede, fazia parte da equipe do Jornal Hoje. Estava ótimo, não dá para fazer tudo: Criança Esperança, Carnaval, Bom Dia Brasil, Jornal da Globo, Fantástico. Já fiz tudo! Mas tem de fazer Jornal Nacional? Não faço questão! Tem 20 pessoas querendo fazer. Eu quero ser boa jornalista e boa apresentadora. Aliás, acho muito mais desafiador ser repórter do que ser apresentadora. O Jornal das Dez dá muito mais condições de trabalhar meu lado de repórter do que o de apresentadora. Minha meta é tentar errar o menos possível. Agora abracei a Globo News. O logo do canal está na capa do meu telefone, no meu caderninho, na minha caneta...