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Globo tem vitória contra pai de menino vítima da trans Suzi

Familiar perde direito a uma indenização de R$ 150 mil no processo por controversa matéria no ‘Fantástico’

9 mai 2022 09h34
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O abraço da discórdia: Drauzio e Suzi receberam duros ataques
O abraço da discórdia: Drauzio e Suzi receberam duros ataques
Foto: Reprodução/TV

O abraço mais polêmico na televisão brasileira nos últimos anos ainda rende notícia. De acordo com o ‘Estadão’, os desembargadores da 1ª Câmara de Direito Privado derrubaram a sentença de condenação da Globo e do médico Drauzio Varella no caso da reportagem com a transexual Suzi de Oliveira, exibida no ‘Fantástico’ em março de 2020.

Emerson Lemos, pai do menino de 9 anos violentado e morto pela condenada, havia conseguido uma indenização de R$ 150 mil, determinada por uma juíza de 1ª instância.

O familiar da vítima alegou que a emissora e o apresentador da série sobre a vida de transexuais no sistema penitenciário erraram ao omitir o crime cometido pela entrevistada, que teria sido mostrada como “uma pobre vítima da sociedade”.

Para a defesa da Globo e do Dr. Drauzio, ressaltar a ficha criminal das detentas tiraria o foco da reportagem: denunciar as condições precárias, materiais e emocionais, de transexuais no sistema prisional do País.

Suzi se tornou nacionalmente famosa após ter recebido um abraço paternal ao final da entrevista. Uma frase do médico – “Solidão, né, minha filha? – se tornou bordão e inspira memes até hoje.

Ela passou a receber cartas, presentes e doações em dinheiro em uma vaquinha virtual. Dias depois, o site ‘O Antagonista’ revelou o crime hediondo que cometeu.

A onda de empatia e solidariedade deu lugar a um tsunami de revolta e ódio. Familiares do garoto assassinado foram localizados por veículos de imprensa e manifestaram indignação com a matéria da Globo.

Pressionada, a emissora e seu contratado precisaram se posicionar. “Não perguntei nada a respeito dos delitos cometidos pelas entrevistadas. Sou médico, não juiz”, declarou Dr. Drauzio em nota à imprensa. “Para quem acha que eu errei, desculpa, mas esse é meu jeito.”

“O ‘Fantástico’ e a Globo pedem desculpas à família da vítima e a todos os telespectadores. A trans Suzi não foi presa por roubo nem furto. Ela cumpre pena de prisão por estupro e assassinato de um menino”, disse William Bonner no ‘Jornal Nacional’.

O caso foi explorado politicamente, principalmente por parlamentares e militantes de direita. O presidente Jair Bolsonaro, notório crítico da TV da família Marinho, protestou no Twitter.

“A Globo tratou um criminoso como vítima, omitiu os crimes por ele praticados: estupro e assassinato de uma criança”, postou. “Graças à internet livre, o povo não é mais refém de manipulações.”

A mãe do menino, Aparecida dos Santos, foi entrevistada no programa ‘Alerta Nacional’, da RedeTV. “Para mim foi um baque muito grande. Quando eu vi a matéria, fiquei com dor de cabeça, estou tremendo até agora”, disse. “O que me indignou foi ele receber um abraço... Eu recebi o quê?”

Suzi de Oliveira escreveu uma carta a respeito da polêmica. Um trecho: “Eu sei que errei e muito. Nenhum momento tentei passar como inocente e desde aquele dia me arrependi verdadeiramente e hoje estou aqui pagando por tudo que eu cometi… Quero pedir perdão pelo meu erro no passado”.

Na época, este blogueiro se posicionou. “O especialista em saúde do ‘Fantástico’ não tinha a obrigação de questionar Suzi, mas a Globo, sim. A informação era relevante. Tanto assim que sua revelação, agora, influencia a formação de opinião dos telespectadores”, escrevi em um artigo.

“Ainda que não tenha existido a intenção de manipular, a edição induziu o público a se comover e sentir compaixão. Neste caso, a omissão de um dado prejudicou a precisão jornalística. E, no jornalismo profissional, não deve existir espaço para dúvida ou incongruência. Em outras reportagens do gênero, na Globo, houve a citação dos crimes dos entrevistados.”

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