Fazendo humor, Fernanda Freitas pensou que não era capaz de fazer rir
A comédia nunca esteve nos planos de Fernanda de Freitas. Há dois anos no elenco de Tapas & Beijos, da Globo, a intérprete da neurótica Flavinha confessa que nunca imaginou que teria o "timing" necessário para fazer o público rir. No entanto, o humor tomou conta de sua carreira quase por acaso. Hoje, aos 33 anos, a atriz paulistana traz em sua trajetória diversas produções de viés cômico, como a novela Bang Bang, a série Decamerão - A Comédia do Sexo e o seriado S.O.S. Emergência. E mesmo com tanta experiência bem-humorada na televisão, ela garante que só se descobriu engraçada nos palcos. "Quando o João Falcão me convidou para fazer o espetáculo Ensina-me a Viver, fiquei receosa. Mas, quando entrava em cena e tinha como resposta direta do público um monte de gargalhada, eu percebi que sabia fazer humor. Me sentia uma palhaça", brinca, aos risos.
Em Tapas & Beijos, Fernanda dá vida à neurótica Flavinha, uma funcionária da loja Djalma Noivas que se apaixona e acaba se casando com o patrão, interpretado por Otávio Müller. Quando entrou para o elenco da série, a atriz não tinha muita informação sobre seu papel. O que dificultou um pouco a composição da personagem, já que ela teve de construí-la ao poucos, conforme eram apresentados os episódios da produção. Entretanto, Fernanda frisa que, desde o início, havia uma preocupação da direção do programa em passar veracidade no amor que a vendedora sente pelo marido, Djalma. "Eles não queriam que a Flavinha caísse no clichê da empregada que se apaixona pelo patrão por causa da situação financeira dele. Queriam que o público acreditasse de verdade nessa paixão que os dois sentem um pelo outro. Então, tive isso como maior referência no começo da série", explica.
Apesar de estar cercada de grandes nomes do universo da televisão, como Andrea Beltrão, Fernanda Torres, Fábio Assunção e Otávio Müller, Fernanda garante que nunca se sentiu intimidada nas gravações. A atriz usou toda a experiência de seus colegas de elenco a seu favor. Tanto observando suas performances, quanto absorvendo o máximo possível de seus conselhos. Ela, inclusive, atribui a boa recepção do público por sua personagem à parceria com Otávio. "Acredito que o casal Flavinha e Djalma deu certo porque Otávio é um ator generoso em cena. Até porque, além de atuar, ele também é diretor. Então, sempre me deu muitas dicas durante as gravações", revela.
Diferentemente da maioria dos atores, que dizem sonhar com a carreira artística desde a infância, Fernanda não tem receio em admitir que a interpretação nunca fez parte de seus planos. Dedicada ao balé desde a infância, ela até almejava trabalhar na televisão. Mas não como atriz. "Meu maior sonho era ser paquita. Então, me inscrevi para o concurso Garota do Zodíaco, do programa TV Xuxa, e fui chamada", recorda. Na época empresária da Xuxa, Marlene Mattos estimulava as assistentes de palco da apresentadora a entrar para cursos de teatro para que pudessem conquistar maior desenvoltura à frente das câmaras. E foi assim que Fernanda descobriu que queria seguir a carreira de atriz. "Quando saí da minha primeira aula de teatro, já sabia que era isso que queria fazer. Liguei para o meu pai na hora para contar que ia me dedicar às Artes Cênicas", relembra.
Mesmo investindo na dramaturgia, a dança nunca ficou em segundo plano na vida de Fernanda. Além de usar a consciência corporal adquirida com o balé na hora de compor suas personagens, a atriz também planeja estrear um espetáculo de dança em um futuro próximo. "Eu vejo o balé como minha segunda profissão. Pratico todos os dias. Por isso, quero que meu próximo espetáculo seja voltado para a dança", admite.