"Essa coisa de anjinho ficou para trás", diz Thiago Fragoso
- Arcângela Mota
Os loiros cabelos cacheados e olhos verdes de Thiago Fragoso sempre renderam ao ator uma imagem de bom moço. Mas, apesar de encarar esse título com bom humor, ele agora se empolga em trabalhar um lado nada angelical. No ar em Araguaia, novela das seis da Globo, Thiago dá vida a um dos vilões da história, o frio empresário Vitor Vilar, noivo da mocinha Manuela, de Milena Toscano. Na trama, Vitor alia-se ao pai da moça, o inescrupuloso fazendeiro Max, de Lima Duarte, para atrapalhar o relacionamento dela com o aventureiro Solano, personagem de Murilo Rosa. "Acho que essa coisa de anjinho está ficando para trás. Esse personagem vem em um momento bom para mostrar isso, uma maturidade maior", avaliou o ator, agora com os cabelos ondulados e sem os tradicionais cachos.
As vilanias do personagem, no entanto, podem não durar muito tempo. Tudo porque, em um determinado momento da história, Vitor sofrerá um acidente e reaparecerá menos ambicioso e mais ligado à região do Araguaia. "É um personagem atípico. Faz muitas maldades no início, mas também terá atitudes nobres. Depois do acidente tem uma reviravolta grande, mas não sei para que lado a gente vai", despistou Thiago.
Em 16 anos de TV, sua imagem ficou muito associada a tipos bonzinhos. Como tem sido fazer um vilão?
Estou adorando. E o mais interessante para mim é que o Vitor não é apenas um vilão. É um cara que faz maldades, participa das vilanias, mas que também terá uma grande transformação em um determinado momento da história. É um personagem sinuoso, você não sabe bem para que lado vai. Curto essa ambiguidade. E acho curioso eu ter essa imagem forte com o público dos meus personagens bonzinhos. As pessoas esquecem que já fiz papéis bem problemáticos, como o Nando de O Clone, por exemplo. Elas guardam que sou o bom moço porque tenho cara de um.
Mas você acha que sua aparência foi importante para esse perfil dúbio do personagem?
A gente até relaxou um pouco o cabelo para não ficar com aqueles cachos muito certinhos. Passei a usar o cabelo um pouco diferente, mais ondulado. Não diretamente para quebrar a referência angelical. Estou com 28 anos, em um novo momento de vida, mais maduro. Acho que essa coisa de anjinho está ficando para trás. O Vitor é um personagem que vem em um momento bom para mostrar isso, essa maturidade maior. E também quebra um pouco a imagem de figura inocente.
O Marcos Schechtman é um diretor que costuma dedicar muito tempo para a preparação dos atores. Como foi esse processo para você?
Comecei a me dedicar à novela no início de abril. Tive uma preparação objetiva, visitando frigoríficos e acompanhando o trajeto dos bois do pasto até a morte, já que o Vitor trabalha com isso. Também fiz aulas de forró com a Milena Toscano e a Júlia Lemmertz porque o Marquinhos queria criar uma interação maior entre nós. E o tempo em que estive no Araguaia foi uma imersão total. Passei cerca de 40 dias lá e ficamos quase 100% conectados com a novela. É uma natureza avassaladora. Foi tudo muito forte. Estudamos e nos preparamos bastante, o que nos deixou com muita informação para construir os personagens.
Vocês e o Marcos trabalharam juntos em O Clone e A Casa das Sete Mulheres. Foi ele que te ofereceu esse papel em Araguaia?
Sim. Na verdade, ele me chamou para conversar e me deu um leque de opções. Virou para mim e disse: "Thiago, eu quero que você escolha. Me diga como você está e o que se sente melhor para fazer neste momento da sua vida". Quando disse "tem esse personagem com um estilo mais romântico, esse mais vilão..." parei na hora e disse que queria o vilão. Ele comentou que eu tinha uma energia romântica muito forte, fácil de lidar, e que queria saber o que eu estava com vontade de fazer.
Por que tanta vontade de interpretar um vilão?
Eu consegui, na TV, fazer uma vez um personagem parecido com o Vitor, nesse clima de vilão que depois fica legal. Foi em 1996, em Malhação. Teve outro momento, em Agora é que são Elas, que eu entrava no final da novela para infernizar todo mundo. Me diverti demais. Ainda continuo com esse desejo porque a maldade na TV liberta muito. Você não tem muito que se preocupar porque o vilão está sempre quebrando os trilhos enquanto o mocinho tem de estar na linha. Se não gostarem do vilão, melhor ainda. Adoraria ser odiado, mas acho que não chegarei a esse ponto porque o Vitor não é um cara tão mau assim.
Araguaia - Globo - Segunda a sábado, às 18h.