Demissão das três principais apresentadoras encerra ‘era familiar’ na TV Gazeta
Camila Galetti, Pamela Domingues e Carol Minhoto não foram incluídas na reformulação da emissora
Entre dezembro e janeiro, a TV Gazeta de São Paulo demitiu suas principais apresentadoras de programas femininos.
Carol Minhoto e Pamela Domingues tinham 19 anos de casa. Camila Galetti, 11 anos. Suas imagens estavam intrinsecamente associadas ao canal.
Formavam a geração que sucedeu às veteranas Claudete Troiano, Ione Borges, Cátia Fonseca e Claudia Pacheco.
Instalada na Avenida Paula, a Gazeta é uma emissora com clima familiar, acolhedora, sem a pressão vista nos bastidores das grandes redes.
A maioria dos jornalistas e artistas permanece ali por longos anos. Por isso, a saída de apresentadoras com tanto tempo no ar e tão íntimas do público suscita a impressão do fim de uma era.
De um lado, há o risco de ruptura com a tradição e descaracterização do canal. A reformulação atinge um dos pilares históricos do canal: a identificação afetiva do telespectador com seus rostos mais conhecidos.
Emissoras menores sobrevivem menos pela força no Ibope e mais pelo vínculo, a sensação de intimidade que atravessa a tela.
Ao dispensar apresentadoras que se confundiam com sua própria identidade, a Gazeta assume o risco de romper um pacto silencioso com o público fiel.
No outro aspecto, é necessário reconhecer a necessidade de renovação de elenco e das atrações. O desafio, agora, será equilibrar modernização e memória.
O desligamento de Carol, Pamela e Camila aconteceu em consequência das mudanças implementadas pela nova superintendente geral da Gazeta, Juliana Algañaraz.
No mercado de TV, a troca de comando artístico sempre gera ajustes — às vezes, inicialmente incompreendidos.
Neste caso, a missão da executiva é tirar o canal da zona de conforto e torná-lo mais competitivo no mercado publicitário e no ranking de audiência.