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Dança das cadeiras: Entenda as recentes mudanças nas emissoras de TV

Apresentadores trocam de emissora, diretores reposicionam grades e canais passam por grandes reformulações. Do SBT à RedeTV!, o mercado televisivo vive um momento de intensa movimentação

28 jan 2026 - 14h02
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Não é só José Luiz Datena que anda de mala pronta. A televisão brasileira atravessa um período de instabilidade e reposicionamento estratégico. Demissões, pedidos de desligamento, contratações inesperadas e reformulações de grade transformaram os bastidores em uma dança das cadeiras, atingindo desde emissoras comerciais até canais públicos e educativos.

Nos últimos meses, nomes consagrados deixaram programas históricos, novas lideranças assumiram o comando editorial e formatos tradicionais passaram a ser repensados para dialogar com um público cada vez mais fragmentado.

Com quase 60 anos de história, a TV Cultura também passa por transformações importantes após a chegada de uma nova liderança institucional.

Maria Angela de Jesus assumiu a presidência do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta há sete meses, iniciando uma nova fase administrativa e editorial.

Após seis anos no comando do Roda Viva, Vera Magalhães deixou a atração. O jornalista Ernesto Paglia foi anunciado como seu substituto, assumindo um dos cargos mais simbólicos do jornalismo televisivo da TV Cultura.

Um novo desenho para a TV aberta

Mais do que decisões pontuais ou crises isoladas, a atual dança das cadeiras nas emissoras de TV dialoga com um processo histórico recorrente da televisão brasileira: momentos de ruptura costumam surgir quando um modelo chega ao limite. Foi assim na virada dos anos 1980 para os 1990, com o fim da TV centralizada em poucas figuras. Nos anos 2000, com a profissionalização das grades e a consolidação do jornalismo ao vivo, e agora, novamente, diante de um cenário em que a TV aberta disputa atenção não apenas com outras emissoras, mas com o streaming, as redes sociais e a fragmentação radical do público.

A diferença é que, desta vez, a mudança não é apenas estética ou de linguagem, ela é estrutural. A saída de apresentadores históricos, a circulação de nomes entre emissoras concorrentes, a aposta em executivos vindos de outros contextos e a reformulação simultânea de jornalismo e entretenimento indicam que a televisão busca redefinir seu papel num ecossistema midiático em que a fidelidade do público já não é garantida pelo hábito. O que está em jogo não é só quem ocupa a cadeira, mas o que essa cadeira ainda representa em uma TV que precisa se reinventar para continuar relevante.

Estadão
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