BBB26 se resume a ‘todos os anti-esquerda contra Ana Paula’ e vira palco eleitoral
Reality show ganha perigosa conotação política às vésperas de início de campanha à Presidência
Ana Paula Renault está sendo acusada pelos desafetos de cooptar os ‘órfãos’ da casa do ‘BBB26’. Ou seja, negros e gays, vistos como minorais no ambiente.
Por essa ótica, ela agiria de maneira maquiavélica e marqueteira para se blindar com escudos humanos contra os maiores inimigos no jogo e, ao mesmo tempo, ser vista pelo público como heroína das causas sociais e do politicamente correto.
Assim pensam Matheus, Sarah, Alberto Cowboy, Brígido e Paulo Augusto. O público vê esse grupo posicionado à direita no espectro político.
Por isso, a edição ganhou aspecto de disputa ideológica entre progressistas e conservadores, possíveis eleitores de Lula e apoiadores de Bolsonaro.
Tem tudo para dar muito errado.
O que se nota é a desvirtuação do propósito original do reality show. Deixa de ser um jogo de convivência e estratégia para assumir contornos de laboratório político, onde falas, alianças e desafetos são interpretados — dentro e fora da casa — como declarações eleitorais.
O que era para ser entretenimento descartável a fim de distrair o telespectador se transforma em mais combustível para a polarização política.
O problema se agrava quando essa narrativa encontra eco nas redes sociais. O discurso de ‘todos contra Ana Paula’ passa a mobilizar torcidas organizadas. O resultado é previsível: ataques coordenados, cancelamentos e linchamentos virtuais.
Ao reforçar a ideia de que negros, como Milena, e gays, a exemplo de Marcelo, seriam “cooptados” como massa de manobra, o discurso dos opositores de Ana Paula também revela uma contradição grave: a desqualificação da autonomia desses participantes.
Eles deixam de ser sujeitos de suas próprias escolhas e passam a ser tratados como peças frágeis e manipuláveis. Uma lógica perigosa que ressalta preconceitos históricos.
Nesse ambiente contaminado, tudo se resume a rótulos: esquerda versus direita, progressistas contra conservadores, “lacração” em oposição à “liberdade de pensamento”. O ‘BBB26’ se torna, infelizmente, uma antevisão da guerra eleitoral que se aproxima.