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Criada por Lula e mantida por Bolsonaro, TV Brasil contrata jornalistas famosos e gera críticas

Canal faz reformulação do elenco e da programação no início de um ano eleitoral que promete ser tenso

24 jan 2026 - 12h38
(atualizado às 12h38)
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Inaugurada em 2007, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a TV Brasil nasceu com a missão de fortalecer a comunicação pública no país. 

Desde a origem, porém, a emissora sempre esteve no centro de críticas, sobretudo pelo alto custo aos cofres federais e pela baixa audiência em comparação às redes comerciais. 

Quase duas décadas depois, o canal volta a chamar atenção ao apostar em um caminho já conhecido da televisão aberta: a contratação de nomes consagrados do jornalismo para tentar melhorar sua performance no Ibope.

Referência no jornalismo esportivo, com passagens por Globo e RedeTV, Juca Kfouri estreia nesta segunda-feira (26) o ‘Trio de Ataque’ ao lado de José Trajano e Lúcio de Castro.

Ex-repórter da Globo em Brasília e ex-correspondente em Nova York, Cristina Serra comanda o programa ‘Brasil no Mundo’, a respeito de política internacional.

Dispensado pela Globo em 2023, Marcelo Canella aceitou apresentar na TV Brasil um formato parecido com o do ‘Roda Viva’ da TV Cultura, segundo ‘O Globo’. Início marcado para março.

Outro em clima de estreia é José Luiz Datena, que acaba de se demitir da RedeTV. Ele será âncora de um talk show a partir de fevereiro. O primeiro entrevistado deverá ser o presidente Lula.

Cristina Serra, José Luiz Datena e Juca Kfouri devem gerar mais visibilidade à programação da TV Brasil
Cristina Serra, José Luiz Datena e Juca Kfouri devem gerar mais visibilidade à programação da TV Brasil
Foto: Reprodução/Divulgação

A estratégia da nova direção da TV Brasil sinaliza uma mudança clara de posicionamento. Se por anos a emissora foi acusada de falar apenas para nichos, agora demonstra a intenção de disputar atenção em um terreno mais amplo, apostando na fama e credibilidade de apresentadores como alavanca para ampliar audiência e relevância.

O movimento chama atenção também pelo contexto político. Durante a campanha de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro prometeu fechar a TV Brasil, afirmando que era desnecessária e onerosa. 

No exercício da Presidência, porém, o discurso mudou: o canal foi mantido e transmitiu inúmeros eventos com a presença do presidente de direita.

Agora, a TV Brasil volta a ser alvo de desconfiança. O fato de a reformulação — com altos gastos em contratações — ocorrer em ano de ida às urnas suscita o argumento de hipotética ação eleitoreira, sobretudo por se tratar de empresa de comunicação financiada com recursos do governo federal.

Críticos apontam o risco de uso indireto da máquina pública para fortalecer narrativas políticas, ainda que os programas tenham, formalmente, caráter jornalístico.

Os defensores reagem dizendo que uma televisão pública forte precisa ser vista pelo máximo de cidadãos e que a chegada de jornalistas famosos fará bem à imagem da emissora.

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