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Cecil Thiré se queixa do pouco espaço em 'Poder Paralelo'

18 nov 2009 - 08h48
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Mariana Trigo

Cecil Thiré não tem papas na língua e se orgulha de ser um dos atores que mais interpretou vilões na TV. Aos 66 anos de idade, o carioca até se irritou pelas parcas cenas iniciais de Armando, o executivo mau-caráter que interpreta em Poder Paralelo, da Record.

No entanto, assegura que tem gravado tomadas mais interessantes com o personagem, que entra para sua coleção de tipos deploráveis, como o maquiavélico Alex Kundera, de Top Model, ou o cínico Mário Liberato, de Roda de Fogo, ambos na Globo.

Foi justamente neste período, no final da década de 80, que o ator foi convocado por Daniel Filho, diretor da Central Globo de Produção na época, para criar um projeto para novos atores. Imediatamente Cecil teve a ideia de criar uma espécie de celeiro para novos atores e fundou a Oficina de Atores da Globo. "Tenho uma carreira vasta, atuações e intervenções marcantes", constata.

Esta é a nona novela do Lauro César Muniz em que você atua. O que mais chamou sua atenção nesse papel?

O quanto ele aparece pouco na novela. Não apareci no primeiro capítulo e só tive 15 cenas nos 20 primeiros capítulos. Reagi muito mal. Achei muito chato não ter espaço para me espalhar, não ter onde mostrar meu trabalho. Mas, disciplinadamente, fui buscando. Agora, depois do capítulo 100, o Armando já tem um pouquinho mais de destaque, mas ainda é um papel muito pequeno para a minha carreira.

Você continua insatisfeito com este personagem?

Agora, nem tanto. Estou gravando um pouco mais, o Armando deu uma "viradinha". Tenho quase 10 cenas para fazer por semana. Olha que isso é bem pouquinho, viu? Mas a qualidade das cenas melhorou muito. Respeito muito o Lauro César e o conheço há anos. Adoro fazer as novelas dele. Na verdade, o que fiz de melhor na minha carreira como ator foi com o texto do Lauro. Ao mesmo tempo que fiquei desapontado esperando um crescimento do meu papel nesta novela, sabia que viria coisa boa. Acho que chegou essa hora com o Armando. Ele não consegue se harmonizar inteiramente com o Bruno (papel de Marcelo Serrado), que passa a apresentar um certo perigo para a família do Armando. Com isso, meu personagem resolve tomar uma atitude: tenta minimizar a força do Bruno se aliando ao Tony (de Gabriel Braga Nunes).

O Armando, assim como a maioria de seus personagens na TV, tem matizes de vilania. A que você atribui essa galeria de tipos tão parecidos?

Nunca faço um personagem chapado. Se tenho de fazer um malvado, ele tem de ter algo de bom. Se for um bonzinho, precisa ser temperado com alguma maldade, como todos nós. A tentativa é trazer tudo para o naturalismo, que é a principal linguagem da TV. O ser humano tem várias facetas. O autor escreve para a base da pirâmide, para deixar bem claro um papel. Mas, as entrelinhas dos diálogos e o pensamento do personagem podem trazer mais alguma coisa. É aí onde trabalho, o meu território.

Por que tantos vilões? Isso nunca o incomodou?

Isso é culpa da minha careca (risos). A careca ajuda a fazer um tipo que não é o mocinho, o bonitinho, o todo certinho. A careca é a falta de alguma coisa. Papel bom para careca, só o do malvado. Gosto muito de representar, independentemente do personagem.

Você sempre conciliou diversos projetos paralelos com sua carreira de ator. Dirigiu novelas, continua dando aulas de teatro na CAL - Casa das Artes de Laranjeiras -, fez programas humorísticos, acaba de lançar um manual para atores no site da CAL. Você planeja ainda percorrer outras áreas na dramaturgia?

Meu principal projeto agora é tocar esse manual de interpretação da CAL. Não penso em voltar a dirigir novelas. Encarei o desafio, mas agora chega! Parei porque trabalhava seis dias por semana, de 12 a 16 h de trabalho por dia. É demais para mim. Prefiro viver um pouquinho, olhar a cara dos meus filhos e netos. Não tenho mais idade para esse pique de dormir quatro ou cinco horas por noite durante oito meses. Fico muito cansado. Talvez dirigisse algum programa de humor. Isso me interessa...

Foto: TV Press
Fonte: TV Press
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