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'Caminho das Índias' tem personagens fora da realidade indiana

14 mar 2009 - 18h00
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Por um bom tempo, a faixa das nove da Globo não contava com uma novela centrada em uma intensa história de amor. Tão forte que fizesse o telespectador esquecer das armações do vilão da trama, das piadas do núcleo cômico e das cenas de ação.

Caminho das Índias, de Glória Perez, parecia voltar à tradição dos beijos roubados e das paixões proibidas, com o romance de Maya e Bahuan, interpretados por Juliana Paes e Marcio Garcia. Mas o casal não "colou".

Surpreendentemente faltou aderência entre o galã musculoso e uma das mulheres mais cobiçadas do país, em uma relação mais chocha que o casamento de Maya com uma bananeira.

Quem teve de segurar as rédeas da trama foram novamente os coadjuvantes. Raj e Duda, de Rodrigo Lombardi e Tânia Kalil, deram ao folhetim a emoção que faltava ao casal 100% indiano.

Mesmo explorando o velho conflito da família não aceitar o romance "à la" "Romeu e Julieta". Ela, com um olhar enviesado de perverter santo com auréola. E ele, com uma concentração e energia de quem não está para brincadeira.

Já é de praxe que Glória Perez goste de conflitar culturas através de um romance. Até aí, tudo normal. Mas na leitura idilizada da autora, a Índia parece estar no lado ocidental do planeta.

Apesar de todo cenário evocar uma cidade indiana legítima, com trajes e saris impecáveis, e até os famosos táxis tuk-tuk que circulam naquele país, os personagens parecem estar fora da realidade. Em praticamente todas as famílias, sempre há quem tenha idéias que vão de encontro ao hinduísmo, principal religião do país.

Até mesmo os personagem mais conservadores fogem às tradições. A viúva Laksmi, de Laura Cardoso, apesar de carola e moralista, não segue à risca os costumes e não se jogou na fogueira quando o marido morreu. Shankar, vivido por Lima Duarte, também levanta suspeitas.

Ele, que na trama vive um "brâmane", casta mais alta na Índia, jamais poderia criar um intocável. A "revolta" às origens é ainda mais comum entre os jovens.

Komal, vivido por Ricardo Tozzi, é casado, mas mesmo assim deseja todas as mulheres que passam pela rua. Surya, interpretada por Cléo Pires, engana a família dizendo que está grávida.

Chanti, de Carolina Oliveira, também não quer se casar com o marido que o pai escolher. Ou seja, parece que todos foram criados no Ocidente e inseridos à força no contexto indiano. Ou então que no Brasil não se entende nada da Índia.

Numa nação com mais de 1 bilhão de habitantes, é mais que provável que nem todos sigam o sistema de castas e a religião do país. Mas chega a ser exagero que rejeitar as tradições seja a verdade de todos. Menos que indianos, os personagens da novela de Glória Perez parecem ter um comportamento híbrido, com roupas, trejeitos e alguns costumes hindus. Mas com muito jeito de brasileiros.

No núcleo daqui, os personagens de Bruno Gagliasso e Marjorie Estiano, como Tarso e Tônia, por exemplo, tendem a ganhar destaque na subtrama que aborda a esquizofrenia, assim como o romance entre Ivone, de Letícia Sabatella, e Raul, de Alexandre Borges.

Para uma novela que se intitula "Caminho das Índias", as histórias brasileiras acabam por chamar mais atenção do que elefantes e vacas sagradas.

Caminho das Índias, Bahuan e Maya, atomo
Caminho das Índias, Bahuan e Maya, atomo
Foto: João Miguel Junior/TV Globo / Divulgação
Fonte: TV Press
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