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Ruy é o personagem que o público tem o direito de detestar

Infantiloide e sensaborão, rapaz não é páreo para o charmoso brucutu Zeca

18 jul 2017
14h38
atualizado às 14h38
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Já temos a versão masculina de Maria Eduarda, a chata de ‘Por Amor’, trama de 1997 exibida atualmente no Canal Viva: Ruy, de ‘A Força do Querer’, é um mocinho à beira do insuportável.

Mas essa composição quase odiosa não é demérito para a autora Gloria Perez nem para o ator Fiuk. Pelo contrário. Tipos assim são essenciais para mexer com os nervos dos noveleiros e, com isso, alavancar a audiência.

O personagem de Fiuk tem atitudes que o deixam com cara de vilão.
O personagem de Fiuk tem atitudes que o deixam com cara de vilão.
Foto: Tata Barreto/TV Globo / Divulgação

O personagem, quando eficiente, tira o telespectador de sua passividade diante da TV e desperta sentimentos à flor da pele. Ruy o faz: impossível ficar apático ao ver seus equívocos de marmanjo mimado e imaturo.

Ele chega a ter momentos de vilão. Por exemplo, quando armou um escândalo na orla por deduzir erroneamente que Shirley (Michelle Martins) era a amante de seu pai, Eugênio (Dan Stulbach).

A maneira rústica como às vezes trata Ritinha (Isis Valverde), como aconteceu ao descobrir que ela mentiu para trabalhar escondido como sereia num aquário, também o credencia como antagonista.

A atuação de Fiuk recebeu críticas ácidas na imprensa. O jovem ator realmente comete alguns deslizes em cena, especialmente quando seu personagem tem reações explosivas, mas, no geral, a interpretação está em sintonia com o papel.

Ruy (Fiuk) e seu adversário Zeca (Marco Pigossi): duelo desigual.
Ruy (Fiuk) e seu adversário Zeca (Marco Pigossi): duelo desigual.
Foto: Estevam Avellar/TV Globo / Divulgação

Fiuk dá a Ruy uma fragilidade de personalidade que é inerente ao personagem. O rapaz finge ser adulto quando na verdade ainda está atado à adolescência e aos vícios de quem foi criado numa redoma, protegido do mundo, e predestinado a ter tudo sem o mínimo esforço.

Portanto, a antipatia de parte do público e da crítica com Ruy não tem fundamento exclusivo na performance irregular de Fiuk, e sim na essência dramatúrgica do próprio personagem – um mocinho com viés de algoz.

Essas características o deixam em desvantagem no embate com seu rival, Zeca, o galã rústico vivido por Marco Pigossi. O carisma do paraense, que exala testosterona nas atitudes, ofusca o playboy da zona sul carioca.

Num duelo direto por Ritinha, a maioria dos telespectadores torceria por um final feliz entre a sereia e o caminhoneiro, certamente. Talvez uma redenção de Ruy possa reverter essa gritante desvantagem.

A ligação espiritual que ele tem com Zeca, por conta do quase afogamento de ambos na infância, e da benção que receberam de um pajé, pode transformá-lo num novo homem.

Exibida desde o início de abril, ‘A Força do Querer’, com direção artística de Rogério Gomes, está com média de 32 pontos no Ibope.

Este índice representa cerca de 6.5 milhões de telespectadores somente na Grande São Paulo. Grande sucesso na faixa das 21h.
 

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