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Corrupção mudou a cabeça do público, diz chefão das novelas

Silvio de Abreu sugere que telespectador se importava menos com ética na época de Lula na Presidência

16 jul 2017
14h12
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Mergulhado numa interminável crise política, o Brasil viu até o noveleiro típico mudar de postura nos últimos tempos. A opinião é de Silvio de Abreu, chefe do departamento de novelas da Globo.

Em entrevista à revista ‘Veja’, o respeitado autor analisou essa transformação. “Nos tempos de Lula e companhia, ninguém achava graça nos personagens que se pautavam pela ética. O espectador via o mundo assim: se você faz qualquer coisa para se dar bem na vida e conseguir vencer, que problema há nisso?”, disse ele ao editor Marcelo Marthe.

O noveleiro voltou a torcer por personagens honestos, constata Silvio de Abreu
O noveleiro voltou a torcer por personagens honestos, constata Silvio de Abreu
Foto: Luiz Ribeiro/TV Globo

Lula ocupou a Presidência da República de janeiro de 2003 a janeiro de 2011. Neste período, a Globo apresentou personagens icônicos com esse perfil ‘topa tudo por dinheiro e poder’ destacado por Abreu, como a ‘cachorra’ Laura (Cláudia Abreu) de ‘Celebridade’, o político corrupto Reginaldo (Eduardo Moscovis) de ‘Senhora do Destino’, a psicopata Flora (Patrícia Pillar) de ‘A Favorita’ e a inescrupulosa Clara (Mariana Ximenes) de ‘Passione’.

No momento atual, com o valor da honestidade resgatado por ações como o julgamento do Mensalão e a Operação Lava Jato, o todo poderoso da teledramaturgia global detecta o resgate da probidade na ficção exibida na TV.

“Agora, estamos em outra fase: as pessoas ficam indignadas, mas se consolam ao constatar que pelo menos os vilões estão sendo punidos”, afirma. “A partir do momento em que as novelas sintonizaram com esse sentimento, elas trouxeram conforto e fizeram as pazes com a audiência.”

Essa constatação de Silvio de Abreu pode ser chancelada com o sucesso dos personagens justos de ‘A Força do Querer’, de Gloria Perez.

A policial Jeiza (Paolla Oliveira), o advogado Caio (Rodrigo Lombardi) e a dona de casa Aurora (Elizângela) – defensores de uma sociedade igualitária e do combate a todo tipo de crime – estão entre os personagens mais queridos e apoiados do bem-sucedido folhetim.

Na mesma entrevista, o autor de sucessos como ‘A Próxima Vítima’ e ‘Deus Nos Acuda’ (esta, uma sátira a respeito da corrupção endêmica no Brasil), reclamou do desinteresse da população em se informar sobre questões básicas, como a história do País.

“Ninguém está interessado em aprender”, sentencia. “Hoje, quando o negócio aperta, você joga uma palavra no Google e tem uma resposta rápida e superficial para tudo.”

 

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