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Lugar de âncora é no local da notícia; e não só no estúdio

Cobertura do massacre em Suzano ressalta vício dos canais em manter apresentadores no conforto do ar-condicionado

14 mar 2019
11h21
atualizado às 11h27
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Em emissoras de prestígio planetário dos Estados Unidos e da Europa, os âncoras de telejornais são sempre deslocados para cidades e países onde acontecem notícias de grande impacto.

A âncora Christiane Pelajo diante da escola Raul Brasil, cenário do massacre cometido por dois ex-alunos
A âncora Christiane Pelajo diante da escola Raul Brasil, cenário do massacre cometido por dois ex-alunos
Foto: GloboNews / Reprodução

Os principais apresentadores, ainda que titulares de atrações jornalísticas em estúdio, jamais deixam de ser repórteres. Quando necessário, trocam o conforto da bancada pelo trabalho árduo na rua.

No Brasil, inexplicavelmente, isso é raro. A maioria dos âncoras conduz coberturas especiais na frieza do estúdio.

Na tarde de quarta-feira (13), a GloboNews tomou decisão elogiável ao enviar a titular do Edição das 16h, Christiane Pelajo, para Suzano, na Grande São Paulo. De lá, ela reportou as informações de momento a respeito do massacre na escola Raul Brasil.

À noite, Adriana Araújo liderou a cobertura do caso no Jornal da Record diretamente da rua da tragédia. Ponto positivo para o canal.

A apresentadora Adriana Araújo no local do fato na edição de quarta-feira do JR
A apresentadora Adriana Araújo no local do fato na edição de quarta-feira do JR
Foto: Record / Reprodução

Foram duas exceções entre as maiores emissoras.

Por mais que repórteres entrassem ao vivo do local a todo momento, a presença do âncora faz diferença para diferenciar a cobertura.

José Luiz Datena, por exemplo, é um dos apresentadores de TV mais capacitados para comandar esse tipo de ação jornalística.

Se ele estivesse diante do colégio em transmissão para o Brasil Urgente, da Band, conseguira mais depoimentos esclarecedores de testemunhas e familiares de vítimas, já que é um jornalista bastante conhecido e conta com a confiança da população.

Ok, uma operação externa exige mais do que boa vontade da emissora e empenho do âncora.

É necessário mobilizar veículos, equipamentos, muitos profissionais, o custo assusta.

Mas esse esforço pode resultar no aumento de credibilidade e audiência – e o telespectador merece receber uma cobertura menos óbvia.

Esse formato burocrático da maior parte do telejornalismo brasileiro faz muita gente trocar a TV pela internet como principal fonte de informação.

As pessoas querem dinamismo, além de se sentir inseridas e representadas no epicentro da notícia.

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A surpreendente amizade entre duas ex-crianças-soldados que lutaram em lados opostos

 

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