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‘Celebridade’ atual como nunca: todo mundo quer ser famoso

Reprise de novela de 2003 ressalta a obsessão atual por sucesso na mídia e nas redes sociais

4 dez 2017 - 10h12
(atualizado às 11h44)
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Não importa que os amigos virtuais sejam fakes ou completos desconhecidos. O interessante é ter número cada vez maior de seguidores e muitas curtidas.

A busca por popularidade no Facebook, Instagram e outras redes sociais afeta milhões de brasileiros em busca de autoaceitação e aprovação coletiva.

Darlene e Jaqueline: amigas loucas por fama e representantes das desprezadas subcelebridades.
Darlene e Jaqueline: amigas loucas por fama e representantes das desprezadas subcelebridades.
Foto: Divulgação/TV Globo

‘Alastrou-se o medo do anonimato, de parecer comum’, escrevi no livro ‘Fama Ordinária’. O artista pop Andy Warhol profetizou na década de 1970: “No futuro, todo mundo será famoso por quinze minutos”.

Essa fama efêmera é facilmente conquistada por meio da postagem de fotos e vídeos. Mas eis o problema: quinze minutos é pouco. Os candidatos ao estrelato querem duração bem maior.

Para isso, recorrem à superexposição da própria intimidade ou a um artificio infalível: a polêmica. Quer atrair a atenção? Fale mal de alguém famoso, critique uma unanimidade, seja politicamente incorreto. Tiro e queda.

A partir desta segunda-feira (4), o ‘Vale a Pena Ver de Novo’ exibe uma novela em sintonia com esse mal contemporâneo: forjar fama para se sentir superior em relação aos outros.

‘Celebridade’ foi ao ar originalmente entre outubro de 2003 e junho de 2004, na faixa das 21h da Globo. Naquela época, o Orkut e o Facebook tinham poucos meses de vida e o Instagram sequer existia.

Mesmo assim, o autor Gilberto Braga e sua equipe foram visionários ao retratar tipos tão comuns hoje em dia. Um exemplo é Laura (Cláudia Abreu), a vilã chamada de ‘cachorra’ por seu cúmplice, o michê Marcos (Márcio Garcia).

Por trás do plano de vingança contra Maria Clara Diniz (Malu Mader), havia o interesse de ser uma mulher famosa e invejada – uma maneira de expurgar a pobreza e as humilhações de uma vida sem qualquer glamour.

A personagem segue à risca a letra da música ‘Famosos’, parte da trilha do folhetim: ‘Faço tudo pela fama / não tem jeito eu sou assim / Sei que a fama tem um preço / vou pagar, quero subir’.

Outra representante desse perfil ‘fama a qualquer preço’ é Darlene (Deborah Secco), a manicure deslumbrada com os flashes. Capaz de explorar até a imagem de um ídolo morto para se autopromover.

A novela tem ainda Jaqueline Joy (Juliana Paes), outra vítima da neurose contra o anonimato, do tipo que faz simpatia “aos poderes ocultos” para “abrir as portas do sucesso”.

As duas amigas suburbanas foram instrumento para o autor criticar e debochar das ‘subcelebridades’, que assediam os famosos de verdade e inventam notícias para aparecer na imprensa.

Em um mundo baseado nas aparências, ainda que falsas, ‘Celebridade’ transmite uma lição valiosa: a fama afaga o ego, mas, por si só, não traz felicidade.

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