Série antecipou a disputa de Trump pela Groenlândia envolvendo Rússia e China
Trama de ‘Borgen - O Reino, o Poder e a Glória’ mostra inimigos dos Estados Unidos se infiltrando na cobiçada ilha do Ártico
(Atenção: contém spolilers.)
Lançada na Netflix em 2022, a quarta temporada da série ‘Borgen - O Reino, o Poder e a Glória’ destacou o olhar ambicioso das grandes potências sobre a gélida Groenlândia.
O thriller político começa com o anúncio de um acordo estratégico entre os governos da Dinamarca, dona da ilha, e da China.
Na sequência, a descoberta de petróleo em território groenlandês (reservas que poderiam gerar quase 300 bilhões de dólares) é festejada pelos locais por fortalecer o desejo de independência total dos dinamarqueses, mas recebida com apreensão pela ministra do Exterior Birgitte Nyborg (Sidse Babett Knudsen). “Isso pode virar um problemão”, diz.
Logo vem à tona que empresas da Rússia — país já naquela época sob sanções por invadir a Ucrânia — são acionistas da petroleira do Canadá que pretende fazer a exploração do petróleo.
Depois, os chineses, aliados de Moscou, compram a parte russa com a intenção de investir pesado na extração do óleo bruto.
Incomodado, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Ted Wayne (Andy Murray), confronta Birgitte. “Não podemos aceitar a presença da China numa área que consideramos crucial aos nossos interesses geopolíticos”, avisa em tom nada amistoso.
Tais palavras parecem sair agora da boca do presidente Donald Trump, cada vez mais obstinado a comprar a Groenlândia, sob a justificativa de temer a influência da Rússia e da China em território estratégico no caso de uma guerra entre os países.
No meio da tensão diplomática surge na Groenlândia um fragmento de míssil lançado pela Rússia, piorando a situação da ministra com Washington.
No fim de longas negociações, um acordo pacifica as relações da Dinamarca com os Estados Unidos e preserva os contatos com Pequim, mas Birgitte Nyborg paga caro por ficar no centro da confusão e deixa seu cargo.
Na introdução de um episódio, há citação de uma frase do imperador francês Napoleão Bonaparte. “Deixem a China dormir, pois, quando ela acordar, o mundo tremerá.” O momento histórico mostra que a mesma previsão vale para a Rússia.
Mais uma vez, a ficção (escrita por talentosos roteiristas), se mostra intrinsecamente conectada com a realidade que, às vezes, parece surreal.
(‘Borgen - O Reino, o Poder e a Glória’ tem nota 8,5 em 32 mil avaliações no IMDB, compatível com outras séries políticas de sucesso, a exemplo de ‘House of Cards’ e ‘West Wing’.)