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Mortes dos mestres Valentino e Armani deixam vácuo na moda e lições sobre viver bem

Parte da fortuna de um dos estilistas poderá ser herdada por brasileiros, diz jornal

20 jan 2026 - 12h02
(atualizado às 12h02)
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Elegância não é se destacar, mas ser lembrado”, disse Giorgio Armani. Ele, certamente, jamais será esquecido.

Assim como Valentino Garavani, que um dia deu uma dica infalível sobre como ser chique. “Use apenas roupas que façam você se sentir vivo.”

Em um intervalo de poucos meses, o mundo da moda sofreu um apagão de luzes na passarela. 

Primeiro, em setembro de 2025, partiu Armani, aos 91 anos, e agora, em janeiro de 2026, morreu Valentino, aos 93.

Mais do que estilistas, foram arquitetos de elegância, símbolos de uma estética que resistiu por décadas a modismos, crises econômicas e revoluções culturais.

Um criou ternos impecáveis que sofisticavam qualquer homem, o minimalismo em tons neutros e o estilo atemporal. O outro, os longos de alta-costura, as rendas e os bordados, a valorização da feminilidade.

Ambos se tornaram bilionários. Giorgio deixou aos parentes uma fortuna de 12,1 bilhões de dólares, enquanto os herdeiros de Valentino terão acesso a 1,5 bilhão de dólares.

Estilistas italianos Valentino e Giorgio Armani participam de evento em foto de 1984
Estilistas italianos Valentino e Giorgio Armani participam de evento em foto de 1984
Foto: Vittoriano Rastelli / Getty Images

A Armani sem Giorgio

Leo Dell’Orco assumiu o comando da Armani. Por quase 50 anos, ele foi o braço direito de Giorgio. Apesar de extremamente discreto, sempre foi visto como parte do DNA da empresa e sucessor natural.

Pelos dois desfiles apresentados após a morte do mestre (o mais recente no último dia 19 de janeiro na Semana de Moda de Milão), nota-se a opção pela continuidade do ‘quiet luxury’, ou seja, o luxo silencioso de quem deseja ser o mais elegante do salão sem chamar a atenção.

Leo trabalha com os outros herdeiros do legado: uma irmã e três sobrinhos de Giorgio, que não teve filhos.

Por determinação do próprio estilista, parte da empresa deverá ser vendida a grupos de luxo. Ele tinha consciência de que a sobrevivência do negócio depende de uma estrutura empresarial robusta, capaz de garantir a expansão global sem sacrificar a qualidade e a essência da marca.

A Valentino sem o soberano

Mestre, rei, imperador. Assim era chamado Valentino Garavani. Aposentado desde 2008, ele já não comandava diretamente a criação da maison, mas seguia como maior referência de disciplina e glamour.

Sua marca teve diferentes diretores artísticos, até encontrar estabilidade com Pierpaolo Piccioli, responsável por imprimir uma visão contemporânea, mas sem esquecer os inconfundíveis vestidos na cor ‘Valentino Red’, a preferida das mulheres da velha elite.

Em 2024, a casa italiana iniciou um novo capítulo com a chegada do maximalista Alessandro Michele, em tentativa explícita de revolucionar a tradição. Há quem não goste.

Do lado empresarial, a Valentino é controlada majoritariamente pelo fundo Mayhoola, do Catar, com participação do grupo francês Kering. Portanto, a empresa já não dependia estruturalmente de seu fundador para existir.

Herança para brasileiros?

Solteiro, Garavani não teve filhos. Uma das pessoas mais próximas a ele era o paulistano Carlos de Souza, o Cacá. Foi por 30 anos relações-públicas da grife e, desde 2010, atua como embaixador. Juntos, festejaram vários Carnavais no Rio de Janeiro.

O jornalista Richard Johnson, da coluna norte-americana ‘Page Six’, publicou que “Valentino provavelmente deixará a fortuna para afilhados brasileiros”. Referiu-se aos filhos de Cacá, Sean e Anthony.

Numa rede social, Carlos fez um agradecimento em inglês ao mestre da alta-costura de quem se tornou amigo e compadre. 

“Obrigado por todo o amor, a proteção, os momentos maravilhosos que passamos juntos e por todas as lições de estilo, elegância e valores familiares.”

Valentino e Armani tiveram vida longa e festiva, e garantiram lugar no panteão dos grandes criadores da moda
Valentino e Armani tiveram vida longa e festiva, e garantiram lugar no panteão dos grandes criadores da moda
Foto: Ilustração feita por IA (Gemini) a partir de comandos

Gays à moda antiga

Giorgio Armani e Valentino Garavani nunca esconderam a homossexualidade, porém, sem levantar a bandeira do ativismo. Nascidos numa época profundamente conservadora, mantiveram longos relacionamentos fora do alcance da mídia. 

Uma postura que soava cada vez mais anacrônica em um mundo marcado por crescente espetacularização da intimidade.

Seguidos pelos paparazzi, ambos foram flagrados algumas vezes em hotéis 5 estrelas e a bordo de iates no Mediterrâneo, na companhia de belos homens décadas mais jovens. 

Giorgio e Valentino souberam aproveitar ‘la dolce vita’ com classe. Arrivederci, maestri!

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