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Autor ressuscita gays de outras novelas para atormentar o homofóbico Ferette

Aguinaldo Silva, de ‘Três Graças’, foi militante da causa LGBT+ e sempre enquadrou o preconceito em suas obras

11 fev 2026 - 12h35
(atualizado às 12h35)
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Primeiro, o tresloucado Crô (Marcelo Serrado) saiu direto de ‘Fina Estampa’ (2011) para visitar — e aterrorizar — Ferette (Murilo Benício) no leito do hospital.

Agora, ressurge o colunista fofoqueiro Téo Pereira (Paulo Betti), vindo de ‘Império’ (2014), a fim de provocar um escândalo ao publicar sobre o flagra de traição do empresário com sua sócia Arminda (Grazi Massafera).

Assumidamente homofóbico, Ferette, o vilão de ‘Três Graças’, se vê encurralado por gays trazidos de novelas de sucesso também escritas por Aguinaldo Silva. Saborosa metalinguagem.

Será que outros vão aparecer?

A lista é extensa: o místico Uálber (Diogo Villela) de ‘Suave Veneno’ (1999), o carnavalesco Bira (Luiz Henrique Nogueira) de ‘Senhora do Destino’ (2004), o cozinheiro Bernardinho (Thiago Mendonça) de ‘Duas Caras’ (2007), e segue.

Há, ainda, a transexual Marco Paulo (Nany People), de ‘O Sétimo Guardião’ (2019), que renderia ao confrontar o magnata supostamente hétero top.

O homofóbito e os gays afrontosos: Ferette (Murilo Benício) tem de lidar com Téo Pereira (Paulo Betty) e Crô (Marcelo Serrado)
O homofóbito e os gays afrontosos: Ferette (Murilo Benício) tem de lidar com Téo Pereira (Paulo Betty) e Crô (Marcelo Serrado)
Foto: Divulgação/TV Globo

Aguinaldo Silva acerta ao usar o bom humor para provocar um personagem homofóbico. Ferrete não disfarça a insegurança diante desses ‘pintosos’ que não têm medo dele, suscitando suspeita sobre sua próxima sexualidade.

O autor, hoje com 82 anos, fez parte da equipe do jornal independente ‘Lampião da Esquina’, uma das primeiras publicações brasileiras voltadas ao leitor LGBT+ (sigla que nem existia na época). Foi publicado de 1978 a 1981, em plena ditadura militar.

“Os gays de agora não sabem o que os da minha geração tiveram que enfrentar para que hoje eles possam falar livremente dos seus namoros, noivados, casamentos e filhos sem que ninguém ouse alçar sequer uma sobrancelha: levamos muitas pedradas”, escreveu no Twitter em 2021. “Nessa luta fomos pioneiros.”

O autor de 'Três Graças', Aguinaldo Silva, entre duas edições de histórico jornal LGBT+ publicado na ditadura militar
O autor de 'Três Graças', Aguinaldo Silva, entre duas edições de histórico jornal LGBT+ publicado na ditadura militar
Foto: Divulgação/TV Globo e Reprodução
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