Atriz fala sobre desafios de papel em 'Sexo e as Nega'
Maria Bia estreou na TV já como protagonista e fala sobre polêmicas em torno da série, envolvendo o racismo
Estrear na TV é, sem dúvida, um entrave na vida de qualquer ator. Essa responsabilidade aumenta quando, além de encarar as câmaras pela primeira vez, o personagem ainda é protagonista da história.
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Foi com essa expectativa que Maria Bia se lançou em Sexo e as Negas. Com uma carreira em importantes montagens musicais para o teatro, a atriz entrou na TV com o pé direito. "Já paquerava o veículo há muito tempo. E agora posso dizer que tivemos química, virou namoro", afirma, empolgada com o lugar que conquistou.
Ao lado de Karin Hils, Corina Sabbas e Lilian Valesca, Maria Bia forma o quarteto principal do seriado de Miguel Falabella. "Nós já conhecíamos o Miguel do teatro e ele acabou pensando em juntar a gente quando surgiu esse projeto", explica.
Falando sobre a vida de um grupo de amigas da Cidade Alta, conjunto habitacional no subúrbio do Rio de Janeiro, o nome surgiu em alusão a Sex And The City , série americana protagonizada por Sarah Jessica Parker.
Antes mesmo da estreia, a série sofreu preconceito por parte de grupos feministas e de cultura negra. Para a atriz, toda a repercussão negativa foi infundada. "Acho que não entenderam a brincadeira com o nome", justifica.
Além disso, Maria Bia prega que minorias que sofrem preconceito todo dia não podem atacar na mesma moeda, recusando um produto antes mesmo de vê-lo. "Por que não falar de sexo? Das 'negas'? Nós existimos. Fazemos sexo. É bom! Nunca me senti tão representada na TV", defende.
A função social da atração, segundo ela, é um dos seus maiores orgulhos na série. Questões vistas como tabu, como sexualidade e preconceito, são colocadas em pauta e provocam uma maior reflexão sobre o tema. "Acho que é uma contribuição para que as pessoas sejam mais tolerantes e que possamos construir um mundo mais razoável e menos preconceituoso", torce.
Para dar vida à espevitada Soraia, a atriz fez uma preparação com Sergio Penna e Camila Amado.
Para isso, se mudou de São Paulo para o Rio de Janeiro, onde fica o Projac – centro de produções dramatúrgicas da Globo – cerca de um mês antes do início das gravações.
Além de ir à Cidade Alta, as atrizes passaram por uma construção que se baseou em filmes e música. "Também radicalizei o cabelo. Sempre tive o cabelo crespo. Mas optei por esse vermelhão. De início, até chocou os caracterizadores", lembra, aos risos.
Mais do que toda a preparação para construir a personagem, também houve uma preocupação extra em montar com veracidade As Marvelettes.
Em Sexo e as Negas , as protagonistas se tornam uma espécie de The Supremes, banda feminina encabeçada por Diana Ross na década de 1960. Em cada episódio, elas se juntam para interpretar uma música diferente.
Com autoria de Miguel Falabella, as letras são musicadas por Roberto Leão. "Vamos semanalmente para o estúdio gravar com a letra que o Miguel fez e com a ideia do ritmo. Mas, chegando lá, improvisamos e colocamos um pouco de nossas referências", entrega, dizendo que, por causa de tantos "pitacos", o tempo e o processo se tornam imprevisíveis. "Às vezes, chegamos e gravamos em duas horas. Às vezes, dura seis horas", diverte-se.
Natural de Brasília, Maria Bia é formada em Jornalismo. Desde cedo, sua voz era elogiada por pessoas próximas, mas seguir uma carreira artística nunca figurou entre seus planos.
Por isso, levava a sério seu trabalho como assessora de imprensa no Ministério da Saúde, na capital federal. "Não sei quem foi que me mandou, via rede social, que ia ter uma audição para o musical Rent . Não sei porque também resolvi fazer", relembra.
A atriz não passou nesse primeiro teste, mas ficou como ouvinte durante todo o processo de montagem da peça. "Gostei tanto daquilo que larguei a pós-graduação que estava fazendo e resolvi me dedicar ao teatro e ao canto", conta.
A partir daí, Maria Bia foi conseguindo um papel atrás do outro e acabou se mudando para São Paulo. Sem planos após o fim do seriado – dia 16 de dezembro –, ela espera que apareçam novos projetos na TV ou, quem sabe, uma segunda temporada da série. "Acho que o espaço da mulher negra está crescendo e, agora que descobri a TV, não quero mais sair", torce.
Sexo e as Negas – Globo – Terça-feira, às 23h30.
