Ator global diz ter medo de barata e conta mania curiosa
- Nicole Freire
Ao contrário do que acontece nas novelas, os atores de séries de televisão precisam reviver seus personagens a cada temporada nova. É o que acontece com Nando Cunha em Força-Tarefa, série exibida às quintas-feiras pela Globo. Na história, ele vive o cadeirante Samuca, que, além de trabalhar como camelô, é informante de Wilson, de Murilo Benício. O programa, apesar de ir ao ar desde 2009, não faz parte da grade fixa da emissora e chega agora à sua terceira edição. "O bom de haver temporadas diferentes é que dá para aprimorar alguns pontos. Na primeira, não conhecíamos nada. Na segunda, aperfeiçoamos. E agora na terceira, já estamos mais seguros", constata.
Apesar de já ter atuado em muitas produções na televisão, como Araguaia, Desejo Proibido e Dalva e Herivelto, a carreira de Nando começou no teatro. Na transição dos palcos às telas, o ator destaca que sentiu um certo estranhamento. "Por trás do que se vê na televisão, há um universo muito maior. Depois de um tempo a gente se acostuma", explica. Para ele, as diferenças não param por aí. "No teatro, o ator desenvolve o personagem, que passa a ser dele. Na TV, existe uma grande influência do diretor e do autor mais ainda. É menos autêntico", acrescenta.
A vida profissional de Nando não se restringe apenas à atuação. O ator também é formado em Letras e estuda Artes Cênicas, na Unirio, universidade no Rio de Janeiro. Para ele, o meio acadêmico traz uma nova perspectiva. "Na sala de aula eu sou mais um. Não me preocupo com outras coisas. O estudo me ocupa a mente", conta ele, que pretende dar aulas para idosos ou em comunidades. "Minha intenção não é formar atores, mas transformar as pessoas através do teatro", completa.
Nome: Fernando Cunha dos Santos.
Nascimento: 19 de agosto de 1966, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Primeiro trabalho na TV: Johnny Bala, na Escolinha do Barulho, programa exibido pela Record em 1995.
Primeira aparição na TV: Fui ao programa do Ratinho fazer o stand-up A verdadeira história de Michael Jackson.
Atuação inesquecível: Com certeza foi Grande Othelo, no teatro
Interpretação memorável: Lázaro Ramos, no filme Madame Satã, de 2002.
Um momento marcante na carreira: O prêmio que eu ganhei no Cine PE, em 2007, pelo curta O Homem.
Ao que gosta de assistir: Filmes.
Ao que nunca assiste: Programas religiosos e canais exclusivamente de propaganda.
O que falta na televisão: Espaço para novos atores mostrarem seus trabalhos.
O que sobra na televisão: Programas religiosos.
Ator favorito: Tony Ramos.
Atriz favorita: Georgina Góes.
Com quem gostaria de contracenar: Lázaro Ramos.
Se não fosse ator, o que seria: Sambista.
Novela preferida: Roque Santeiro, exibida pela Globo, em 1985.
Cena inesquecível: Uma minha com a Mariana Rios, em Araguaia, quando o circo pega fogo. Tinha uma poesia muito grande.
Abertura de novela: A da primeira versão de Ti-Ti-Ti, em 1985Canção inesquecível de trilha sonora: Recado, de Gonzaguinha.
Vilão marcante: Renato Mendes, de Celebridade, novela exibida pela Globo em 2003.
Personagem mais difícil de compor: O palhaço Pimpinela, de Araguaia, novela exibida pela Globo em 2010.
Personagem com mais retorno:
Soldado Brasil, de
Desejo Proibido, novela exibida pela Globo em 2007.
Melhor bordão da TV:
"Tô certo ou tô errado?", do personagem Sinhozinho Malta, vivido por Lima Duarte em
Roque Santeiro.
Melhor programa de humor:Tapas & Beijos
, exibido pela Globo.
Que novela gostaria que fosse reprisada:Desejo Proibido
.
Par romântico inesquecível:
Nancy e Pimpinela, de
Araguaia.
Livro de cabeceira:
Laura Cardoso - Contadora de Histórias, de Julia Laks.
Autor predileto:
Walter Negrão.
Uma mania:
Tenho de lavar os pés sempre que tiro o chinelo.
Um medo:
Barata.