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10 'coincidências' ligam o Sassá de 1989 ao Lula de 2021

Personagem de Lima Duarte em 'O Salvador da Pátria', reprisada no Viva, sempre foi associado ao líder sindical que se tornou presidente

2 set 2021 11h53
| atualizado às 11h54
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A arte imita a vida e vice-versa: Sassá e Lula continuam unidos por detalhes parecidos entre ficção e realidade
A arte imita a vida e vice-versa: Sassá e Lula continuam unidos por detalhes parecidos entre ficção e realidade
Foto: Acervo/TV Globo e Reprodução/YouTube

Há 32 anos, o autor Lauro César Muniz foi obrigado a mudar o destino do personagem Sassá Mutema, interpretado por Lima Duarte. O boia-fria eleito prefeito da fictícia Tangará se tornaria presidente do Brasil. Caciques políticos pressionaram a cúpula da Globo a não dar tal triunfo ao personagem. O motivo? Não beneficiar Lula na eleição contra Fernando Collor de Mello.

“Acharam que o Sassá Mutema fazia apologia à esquerda. Assim, acabou vindo uma pressão na emissora para que a trama fosse mudada”, relatou o dramaturgo à Folha de S. Paulo, anos depois do episódio.

“Cheguei a ouvir, nos bastidores, 'o autor dessa novela vai eleger o presidente do Brasil'." Com o apoio direto do dono da Globo, Roberto Marinho, o 'caçador de marajás' derrotou o ex-líder sindical no segundo turno com diferença de 6% dos votos.

A história seguiu seu rumo. O primeiro presidente eleito após o regime militar renunciou antes de sofrer impeachment e o petista se elegeu duas vezes ao Planalto. Desde abril, 'O Salvador da Pátria' está sendo reprisada com ótimos índices de audiência no canal Viva.

As semelhanças entre Sassá e Lula não se restringem ao passado. Nos últimos anos, fatos da vida pessoal e da carreira política de Lula reforçam as coincidências entre os dois. Ficção e realidade continuam a seguir em paralelo.

Algumas curiosas ligações entre o político da novela e o provável candidato à Presidência em 2022:

1 - Origem humilde: Salvador da Silva (Sassá) e Luiz Inácio (Lula) nascem em família pobre no Brasil profundo. O primeiro no sertão de Minas Gerais. O outro, no agreste de Pernambuco. Ambos deixam a terra natal para tentar uma vida melhor em lugar desenvolvido. O boia-fria vira jardineiro do principal clã político de Tangará. O retirante se tornou operário de metalurgia em São Paulo.

2 - Aclamação popular: Sassá e Lula deixam o completo anonimato e ganham fama. O caipira passa a ser visto como herói às avessas ao assumir a autoria do assassinato de sua mulher, Marlene (Tássia Camargo), e do amante dela, o radialista Juca Pirama (Luis Gustavo). O nordestino se destaca ao militar no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Paulo, e liderar greves. A imprensa tem papel imprescindível ao transformar os dois em figuras públicas influentes.

A semelhança física entre Sassá e Lula ficou maior quando o ex-presidente enfrentou um câncer
A semelhança física entre Sassá e Lula ficou maior quando o ex-presidente enfrentou um câncer
Foto: Reprodução e Ricardo Stuckert/Divulgação

3 - Candidatura contra a política tradicional: A popularidade por supostamente ter lavado sua honra com sangue faz Sassá ser estimulado a entrar na política. Seus patrões, os Toledo Blanco, o veem como uma marionete capaz de mobilizar o eleitorado. Ele se revela mais esperto do que as 'velhas raposas', ganha independência e derrota os antigos empregadores nas urnas. Sem formação acadêmica, Lula também foi visto como culturalmente limitado. Assim como o personagem do folhetim, precisou enfrentar o preconceito da elite econômica até chegar ao Palácio do Planalto.

4 - Crime e prisão: Pela acusação de duplo homicídio, Sassá Mutema chega a ser preso. A pressão popular o fez conquistar o direito de aguardar o julgamento em liberdade. Condenado pelo então juiz Sérgio Moro por recebimento de propinas durante o mandato presidencial, Lula ficou 1 ano e 7 meses encarcerado. Houve acampamento com vigília de apoiadores diante da cadeia.

5 - Julgamento midiático e 'absolvição': Tanto Sassá, já eleito prefeito, quanto Lula, como ex-presidente, tiveram julgamento sob os holofotes. A imprensa divulgou todos os detalhes. Apesar de ser réu confesso, o ex-trabalhador rural foi considerado inocente pelo júri graças ao pedido de absolvição feito pelo promotor do caso. A alegação foi de que Sassá agiu sem ter noção da gravidade de seu hipotético ato. Ele sai livre do tribunal. Para surpresa geral, Lula teve as condenações anuladas por decisão do Supremo Tribunal Federal. Com isso, voltou a ser elegível.

6 - Mudança de imagem: O Sassá simplório e maltrapilho recebe aulas de dicção e etiqueta para se sofisticar. Ascensão social e sucesso na política o fazem abandonar o chapéu de feltro e as roupas surradas. Adota terno e gravata, perde a maior parte do sotaque interiorano e aprende a apreciar o conforto que o dinheiro pode comprar. Lula passou por processo semelhante. Aquele sindicalista de camiseta apertada adotou roupas elegantes sob medida, ampliou o vocabulário e virou apreciador de boa gastronomia e uísques.

7 - Desmoronamento da credibilidade: Ainda no período de candidato, Sassá Mutema é alvo da ação dos adversários políticos e sofre um revés na popularidade. Perde parte do apoio da massa e chega a ser apedrejado em praça pública. Já como prefeito, ele se alia à 'velha política'. Abre mão da ética e dos compromissos com o povo para salvar o próprio pescoço. Há nova revolta da população de Tangará. Com Lula, as denúncias de irregularidades na Petrobras e de recebimento de propinas e benesses também geraram perda de aliados e eleitores. Nos dois casos, a decepção com o que representavam fez o discurso ético perder força.

8 - Poderosos inimigos da direita: Em Tangará, apresentada em 'O Salvador da Pátria' como microcosmo do Brasil, Sassá enfrenta as artimanhas da elite local que se sente dona do poder e dos tradicionalistas contrários aos 'intrusos' procedentes de camadas inferiores da sociedade. Tentam até tirá-lo da prefeitura. Lula enfrentou resistência parecida na trajetória até ser eleito. Depois, por conta de seu governo pró-mercado, azeitou a relação com as lideranças conservadoras da economia e da política. Hoje, é alvo de ataques da direita e extrema-direita. Parte do mundo das finanças (grandes bancos e investidores) não deseja seu retorno à Presidência.

9 - Marca registrada: Sassá jamais tirou o bigode e a barba sempre fez parte do visual de Lula. Quando enfrentou os efeitos colaterais de tratamento quimioterápico contra um câncer, o petista perdeu cabelos e também adotou um bigode. O personagem e o político ficaram ainda mais parecidos.

Sassá e sua amada Clotilde, Lula com a noiva Janja: a mesma paixão avassaladora por uma mulher mais jovem
Sassá e sua amada Clotilde, Lula com a noiva Janja: a mesma paixão avassaladora por uma mulher mais jovem
Foto: Acervo/TV Globo e Ricardo Stuckert/Divulgação

10 - Paixão por mulher mais jovem: Após a morte de Marlene, Sassá se apaixona por Clotilde, a professora universitária que o alfabetiza. Entre eles há um abismo cultural e grande diferença de idade. Apesar disso, o amor vence os obstáculos. Depois de ficar viúvo, Lula também começou a namorar uma mulher mais nova e com sólida formação acadêmica, a socióloga Rosângela da Silva, a Janja. No final de 'O Salvador da Pátria', Sassá e Clotilde se casam. Em agosto, Lula informou que aguarda o desbloqueio judicial de seus bens e investimentos para marcar o casamento com a noiva.

Em tempo: o ator Lima Duarte, hoje com 91 anos, que eternizou Sassá Mutema na história da teledramaturgia brasileira, é um crítico do presidente Jair Bolsonaro, principal inimigo ideológico e adversário eleitoral de Lula.

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