Sphere, em Las Vegas, se torna a arena mais lucrativa do mundo
Inaugurada em 2023 com orçamento estourado e dúvidas sobre viabilidade, a arena imersiva reverteu um prejuízo de US$ 325 milhões e agora planeja expansão para Abu Dhabi e Maryland
Três anos atrás, a Sphere reunia todos os ingredientes de um fracasso bilionário. Inaugurada em Las Vegas em 2023 com um custo de US$ 2,3 bilhões, quase US$ 1 bilhão acima do orçamento original e com anos de atraso, a arena imersiva idealizada por James Dolan gerava dúvidas genuínas sobre sua viabilidade. Hoje, o espaço é a arena de maior faturamento do mundo, com US$ 379 milhões em receita e 1,7 milhão de ingressos vendidos no último ano, segundo a Pollstar. No primeiro trimestre de 2026, a Sphere Entertainment registrou receita de US$ 386,4 milhões, superando as projeções dos analistas em quase 5%.
A fórmula que explica o sucesso é menos óbvia do que parece. O Sphere apostou numa combinação improvável: tecnologia de ponta com artistas cujos maiores sucessos têm décadas. U2, Eagles, Dead & Company, Backstreet Boys, Phish e Kenny Chesney realizaram residências na arena, atraindo tanto fãs da mesma geração dos artistas quanto jovens dispostos a pagar por uma experiência sensorial que vai muito além de um show convencional. Em cada apresentação, projeções cobrindo toda a superfície interna da arena transformam o espaço num ambiente completamente imersivo (fãs do Phish, por exemplo, viram a arena se transformar em um ovo se quebrando enquanto a banda tocava). Para 2026, estão confirmados Metallica, No Doubt e Carín León.
Além dos shows, a arena aposta em experiências independentes de música ao vivo. A versão imersiva de O Mágico de Oz, desenvolvida com engenheiros de inteligência artificial do Google num projeto de US$ 100 milhões, transformou o clássico numa experiência em que o espectador se sente dentro do filme, com cenas em que maçãs caem do teto e folhas giram como num tornado. Entre agosto e janeiro, o projeto gerou mais de US$ 260 milhões em vendas de ingressos, e segue como o principal gerador de receita da Sphere Entertainment em 2026.
O impacto financeiro foi dramático. A Sphere Entertainment reverteu um prejuízo de US$ 325 milhões no período anterior e registrou lucro líquido de US$ 33,4 milhões no último ano. As ações da empresa dispararam, e o segmento Sphere registrou crescimento de receita de 69,9% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. O preço médio de revenda dos ingressos subiu de US$ 415 para US$ 521 neste ano, segundo a SeatGeek, com os shows do Phish liderando os valores mais altos, seguidos por U2 e Eagles.
Diante dos resultados, a Sphere Entertainment anunciou planos de expansão. Novas unidades estão previstas em Abu Dhabi e em National Harbor, no estado de Maryland, nos arredores de Washington D.C., esta última com capacidade menor, de cerca de 6 mil lugares. Executivos da empresa avaliam ainda outras cidades para o conceito, e Dolan já declarou que pretende expandir "basicamente o máximo possível", chegando a cinco ou seis projetos simultâneos.
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