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Velório de Chorão é marcado por tumultos e silêncio dos familiares

7 mar 2013
06h14
atualizado às 15h43
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Familiares, amigos e milhares de fãs compareceram ao velório de Alexandre Magno Abrão, o Chorão, do Charlie Brown Jr.,na quadra da Arena Santos, na Baixada Santista, na noite da última quarta-feira (8).

Grande número de pessoas causou tumulto no início do velório do músico
Grande número de pessoas causou tumulto no início do velório do músico
Foto: Natalia Julio / Terra

Além das homenagens de fãs e do pesar dos familiares, o que marcou as primeiras horas do velório de Chorão foram alguns tumultos causados por multidões que eram impedidas de entrar, e a discrição dos amigos mais próximos do cantor, que preservaram a imagem de Chorão e optaram por não dar entrevistas. Nas filas, esperando para dar o último adeus ao vocalista, encontrado morto em seu apartamento em Pinheiros durante a manhã, havia curiosos e fãs visivelmente emocionados.

Logo após o caixão chegar ao local, por volta das 22h, centenas de pessoas se aglomeraram em um portão lateral, dedicado para familiares próximos, a imprensa e a passagem de veículos. Buscando evitar a fila que dava a volta no quarteirão, eles tentaram entrar por ali, o que causou um tumulto que durou horas.

Houve muito empurra-empurra, choro e brigas, e a entrada a boa parte dos funcionários da imprensa foi negada. Membros da Sangue Jovem, torcida do Santos, também tentavam entrar por lá, para "proteger as faixas", e a situação complicou. A segurança precisou fazer uma barreira humana para impedir o acesso, e a grade do portão foi empurrada diversas vezes.

Camila Tumolo, 29 anos, e a amiga Gabriela Fernandes, 24, estavam inconsoláveis. Há mais de 3 horas tentando entrar no velório, elas se diziam "arrasadas" - ambas pertencem a um dos fã-clubes mais antigos da banda, Família Charlie Brown. "Conhecemos ele pessoalmente e tem gente lá dentro (no velório) que ele nem gostava", lamentou Camila.

Ainda se recuperando de uma cirurgia no tendão, o ajudante geral Cleyton de Andrade, 35 anos, também penou. “Peguei chuva e não tinha informação, o problema foi esse. Cada um falava uma coisa”, reclamou, destacando que foi favorecido na entrada por estar com as muletas. Ele disse ainda que Chorão estava irreconhecível no caixão. "Dá pra duvidar se é ele mesmo. Não está a cara do Chorão. A bandeira (do Santos FC e do Brasil) vem até o pescoço", afirmou.

Apenas familiares e pessoas próximas ao vocalista podiam se aproximar do caixão, que estava no centro da quadra da Arena. Os fãs só tinham acesso à área externa, próxima às arquibancadas, e não podiam parar para ver o caixão.

Abatidos, a grande maioria dos fãs parece desejar que a banda seja extinta com a morte de Chorão. "Sem Chorão não há Charlie Brown", afirmou o estudante Vinícius Freitas, de 19 anos. Para os amigos William Beltrame, 23, e Rodrigo Ramos, 20, ambos analistas de sistemas, a banda deve finalizar as gravações comportas e então acabar. "O Chorão ensinava a viver. É a pessoa que formou a gente", afirmou William, aos prantos. Eles foram de Itapecerica da Serra para Santos somente para prestigiar o velório do vocalista.

Entre as personalidades presentes, estavam Di Ferrero e Conrado Grandino, do NX Zero, membros da banda como Champignon, o skatista Sandro Dias (Mineirinho), Marco Antônio e os atores Sandro Pedroso e Alexandre Frota.

Reservados, familiares e amigos preferiram não se expôr à mídia. O baixista Champignon estava abatido, usando camiseta preta e óculos escuros, e preferiu não dar entrevista, assim como o guitarrista Thiago Castanho.

Entenda o caso
Alexandre Magno Abrão, o Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr., foi encontrado morto em casa, no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, na última quarta-feira (6). Ele tinha 42 anos de idade. O motorista do cantor o encontrou desacordado e telefonou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A Polícia Militar recebeu um chamado para averiguação de morte natural na residência do cantor às 5h18. O corpo foi encontrado no local e será examinado pela perícia. Inicialmente, o caso seria investigado pelo 14° DP, mas seguirá com o DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa). As causas da morte ainda são desconhecidas e o laudo sairá em 30 dias.

Segundo o delegado do DHPP Itagiba Franco, Chorão tinha um quadro psicótico de perseguição. "Ele estava com machucados no corpo e encontramos um buraco na parede e o ar condicionado do apartamento quebrado, o que pode indicar socos ou chutes por parte do músico. O apartamento estava em total abandono e isso foi o que mais chocou", afirmou, em entrevista coletiva.

Sônia Abrão, apresentadora e prima de Chorão, não acredita que o cantor tenha cometido suicídio. "Ele prezava muito a família para tirar a própria vida", disse. Enquanto familiares de Chorão aguardavam em uma pequena sala do IML de São Paulo, Ricardo, irmão do cantor, e Graziella, ex-mulher do vocalista, iniciaram uma ríspida discussão, que pôde ser vista e ouvida da área externa do local. Foi possível constatar que Ricardo claramente xingou Graziella de "puta" e, posteriormente, foi para cima dela, com o intuito de lhe dar um empurrão. O contato só não ocorreu porque familiares os separaram e pediram por calma.

Diversas celebridades como Xuxa, Angélica, Serginho Groisman, Luciano Huck e Negra Li lamentaram a morte do cantor. O Santos FC emitiu uma nota oficial de pesar. No próximo jogo, o time entrará de luto no campo e fará um minuto de silêncio.

O enterro do cantor Chorão, que foi encontrado morto na madrugada desta quarta-feira (6), será realizado nesta quinta-feira (7), às 17h. As informações são do site oficial da banda Charlie Brown Jr.

Fonte: Terra

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