Startup promete revolucionar turnês com IA
Plataforma quer agilizar reservas e ampliar acesso a shows
A organização de turnês musicais sempre esteve ligada a contatos diretos, negociações individuais e intensa atuação humana. No entanto, a IA (inteligência artificial)começa a ocupar espaço também nesse setor tradicional da indústria do entretenimento. É nesse cenário que surge a Music Mogul AI, proposta tecnológica que busca modernizar processos historicamente conduzidos por agentes e promotores.
Fundada pelo agente de reservas Brad Stewart, a empresa foi criada para automatizar etapas consideradas essenciais na estrutura de shows ao vivo. A iniciativa nasce da experiência prática de Stewart no mercado e pretende simplificar tarefas que antes exigiam longas trocas de e-mails, telefonemas e negociações personalizadas. A proposta não elimina a presença humana, mas integra IA como ferramenta para otimizar tempo, ampliar alcance e tornar processos mais eficientes.
IA: "Criei porque o sistema já não funciona para um grande número de artistas."
Em reportagem que analisou o perfil da companhia, o Los Angeles Times descreveu as funcionalidades da plataforma como "desde a identificação de locais e o envio de e-mails para promotores até a negociação de honorários, a divulgação de shows e o marketing de concertos". A matéria ressalta que o objetivo não é substituir profissionais do setor, mas oferecer suporte tecnológico em um mercado cada vez mais competitivo.
Segundo Brad Stewart, o modelo tradicional das agências limita o acesso de artistas que ainda não alcançaram determinado volume de faturamento. Ele explica que "Para uma agência contratar um artista em tempo integral, ele geralmente precisa faturar pelo menos US$ 200.000 por ano com shows ao vivo". Esse cenário deixa muitos músicos fora do suporte profissional completo, abrindo espaço para soluções automatizadas que democratizem o acesso à estrutura de turnês.
A lógica da Music Mogul AI segue tendência já observada em outras áreas da música que incorporaram inteligência artificial, como serviços de masterização, mixagem automatizada e ferramentas estratégicas de planejamento de lançamentos. Em todos esses casos, a tecnologia atua como complemento operacional, assumindo tarefas repetitivas enquanto profissionais concentram esforços em decisões criativas e estratégicas.
O próprio fundador reforça essa visão ao afirmar: "Criei porque o sistema já não funciona para um grande número de artistas." A declaração sintetiza o propósito da plataforma, que se apresenta como alternativa para músicos que buscam organizar apresentações de maneira estruturada, especialmente aqueles que ainda não atingiram grandes receitas anuais.
Com a automatização de processos burocráticos e operacionais, a expectativa é que agentes e promotores possam direcionar energia para negociações estratégicas, enquanto a IA executa tarefas técnicas. A proposta evidencia como a inteligência artificial continua expandindo sua presença na indústria do entretenimento, alcançando inclusive áreas historicamente marcadas pelo contato direto e pela negociação presencial.