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Racionais MCs adianta show em meia hora e ataca violência na Virada

Seis anos depois de show marcado por violência no evento, grupo volta aos palcos do centro de SP com discurso pela paz e melhor educação no País

20 mai 2013 - 16h06
(atualizado em 20/5/2013 às 08h43)
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Em 2007, o show do Racionais MCs na Virada Cultural de São Paulo ficou marcado por uma verdadeira batalha nas ruas entre polícia e fãs do grupo de rap. Neste domingo (19), seis anos depois do lamentável episódio, a trupe comandada por Mano Brown retornou ao evento, focada em um discurso antiviolência acompanhado por dezenas de milhares de fãs, em um dos shows mais disputados da Virada em 2013, realizado no palco Júlio Prestes.

No entanto, se a intenção era manter a paz entre os presentes, os rappers acabaram começando tudo errado. Isso porque a apresentação, marcada para as 15h, foi iniciada com meia hora de antecedência, pegando muitos dos interessados em acompanhá-la desprevenidos.

Por volta das 14h45, quando a reportagem do Terra chegava ao local, dezenas de jovens com camisas de artistas de hip-hop e de motivos da periferia paulistana corriam, afoitos, em direção ao espaço, que já ressoava de suas caixas de som a quarta música do repertório do Racionais - Diário de um Detento. Segundo algumas pessoas, a mudança se deu por exigência dos integrantes do grupo, que queriam assistir à final do Campeonato Paulista, entre Santos x Corinthians, marcada para as 16h.

Mas nem o lamentável fato impediu o público de curtir aquela que foi sem dúvida uma das melhores - e provavelmente mais esperadas - atrações da Virada em 2013. Em um repertório sem muitos discursos, o Racionais MCs fez os fãs cantarem cada verso das canções que fizeram seu nome nos últimos 25 anos, como Vida Loka I, Vida Loka II e Eu sou 157.

Com sete MCs no palco - incluindo Mano Brown e Helião (do RZO) -, o grupo fez um show que procurou representar a união da periferia, trazendo ao palco mais de uma dezena de parceiros e amigos, que faziam gestos, remexiam o corpo e procuravam agitar junto com os rappers. No meio da apresentação, Mano Brown ainda passou a puxar crianças da área VIP para trazê-las ao palco, atitude que revelou em seu rosto um raro sorriso - normalmente escondido sob um semblante de seriedade e desgosto.

O show foi tão disputado que dezenas de fãs se arriscaram a escalar um pequeno edifício para acompanhá-lo de sua laje. Entre eles, outros, menos espertos, se concentravam sobre um toldo lateral de plástico, o que chamou a atenção de Brown. "Esse baglho é de plástico, viu. Vai voar, negão? Ainda não ensinaram preto a voar.", avisou.

Sem citar o evento realizado em 2007 ou casos específicos ocorridos neste ano, Brown prosseguiu discursando contra a violência na Virada. Entre a noite de sábado e a madrugada de domingo, uma pessoa morreu, vítima de latrocínio, e centenas de outras foram vítimas de arrastões de bandos, em busca de carteiras e celulares. Até o senador Eduardo Suplicy se viu furtado, fato que abordou no palco Júlio Prestes, na noite de sábado, quando surgiu em cena apenas para pedir de volta os seus pertences.

"Olha que multidão. Por mais que a gente veja milhares, não pode faltar ninguém na volta, certo? Estive ontem aqui durante a madrugada. Sou da rua, fico sempre muito tempo na rua, e ontem vi muita covardia aqui no centro. Muito maluco se roubando, se saqueando. Vi uma hora dez maluco roubando um (tênis) Mizzuno de 900 pau de um moleque", lamentou, fazendo um apelo por mudanças na educação brasileira, ao constatar que grande parte dos presentes, fanfarrões, terem gritado que estavam desempregados quando indagados pelo MC.

"99% tá sem trabalho aí ou vocês estão zuando com a minha cara? Me arrependi de perguntar...mas, por que, irmão? Será que o mundão tá acelerado e o ensinamento (sic) que a gente recebe é do século XIX? Tiradentes tinha um plano de liberdade lá atrás, mas não pros preto", discursou, voltando a focar na violência na Virada: "o que eu vi ontem no centro não é evolução. O rap precisa de caráter, não de malandrão".

Colaboraram com esta notícia os internauta Nilton Pereira e Tallyson Alves, de São Paulo (SP), que participaram do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

Fonte: Terra
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