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Por que Bad Bunny provocou boicote ao Super Bowl LX?

Vencedor do Grammy e atração do Super Bowl LX, artista porto-riquenho se posiciona contra a repressão a latinos

8 fev 2026 - 04h58
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Bad Bunny foi artista mais ouvido do Spotify em 2025.
Bad Bunny foi artista mais ouvido do Spotify em 2025.
Foto: @BadBunnyPR via YouTube / Estadão

Bad Bunny, artista mais ouvido do mundo em 2025 e vencedor do Grammy de Álbum do Ano, consolidou-se como um fenômeno global ao longo de uma década de carreira, iniciada oficialmente em 2016. Mais do que números nas plataformas de streaming, o porto-riquenho construiu sua relevância internacional a partir de um posicionamento político explícito e de uma defesa contínua da identidade latina em um cenário de crescente hostilidade.

O álbum Debí Tirar Más Fotos (DtMF) marca a virada dessa trajetória. O trabalho não se destaca apenas pela musicalidade, mas sobretudo por exaltar a cultura latina em um momento em que comunidades hispânicas enfrentam repressão intensificada, principalmente nos Estados Unidos. Em meio ao endurecimento das políticas migratórias, o disco dialoga diretamente com experiências de pertencimento, memória e resistência com letras como Querem tirar meu rio e também minha praia / Querem meu bairro e que a vovó vá embora / Não, não solte a bandeira nem esqueça o lelolai (canto folclórico local).

Representatividade e resistência

Em 2025, a política de imigração do presidente Donald Trump resultou na deportação de mais de 600 mil pessoas. Dados do Instituto Pew indicam que um em cada cinco latinos conhece pessoalmente alguém que foi deportado no último ano.

É nesse contexto que Bad Bunny, nascido em Porto Rico -- território sob domínio dos Estados Unidos desde 1898 --, reafirma dentro e fora de suas produções o papel central dos latinos na construção do país.

Na edição comemorativa de 50 temporadas do Saturday Night Live (SNL), o artista recriou no palco a icônica fotografia Lunch atop a Skyscraper (1932), de Charles Clyde Ebbets. A imagem original retrata operários almoçando sentados sobre uma viga, a mais de 250 metros de altura, durante a construção do 30 Rockefeller Plaza, em Nova York.

Lunch atop a Skyscraper (1932)
Lunch atop a Skyscraper (1932)
Foto: Reprodução/Redes sociais

Na releitura, apresentada no próprio edifício onde o programa é gravado, Bad Bunny cantou Nuevayol, faixa do novo álbum, acompanhado por homens porto-riquenhos. A cena funcionou como uma homenagem explícita às mãos latinas que ajudaram a erguer a cidade e, simbolicamente, os Estados Unidos.

Não é caso isolado. Em entrevistas, o artista responde exclusivamente em espanhol. Em sua discografia, incluindo o DtMF, canta somente no idioma. No palco, exibe símbolos da cultura hispânica. Em discursos, como ao receber o Grammy de Álbum do Ano, pede publicamente o fim da perseguição a latinos promovida por agentes de imigração nos EUA.

O posicionamento, no entanto, provoca reações entre setores conservadores também -- inclusive do próprio presidente.

Boicote ao Super Bowl LX

A escolha de Bad Bunny como atração do show do intervalo do Super Bowl LX tem gerado boicote por parte de uma parcela do público do evento. Para grupos mais conservadores, o artista deveria ser americano, embora o território seja pertencente aos EUA.

Donald Trump se manifestou publicamente contra a escolha. Em entrevista ao New York Post, afirmou ser contrário tanto a Bad Bunny quanto ao Green Day, outra atração do evento, classificando as apresentações como inadequadas. "Sou contra eles. Acho que é uma escolha péssima. Tudo o que isso faz é semear ódio. Péssimo", declarou.

O presidente também anunciou que não comparecerá ao Super Bowl, rompendo uma tradição. Segundo ele, a decisão se deve à distância entre Washington e a Califórnia, e não às atrações musicais.

Também em resposta, a organização conservadora Turning Point USA, alinhada ao movimento Make America Great Again (Maga), anunciou um evento alternativo. O All-American Halftime Show será transmitido simultaneamente ao intervalo oficial do Super Bowl, pelas redes sociais, e contará com apresentações de artistas de country e rock, como Kid Rock, Brantley Gilbert e Gabby Barrett.

De acordo com os organizadores, o evento se propõe a oferecer uma alternativa "totalmente americana" e livre de uma "agenda política progressista".

Fonte: Portal Terra
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