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Jovem Mestre Anderson Miguel rejuvenesce a tradição sem feri-la

Cirandeiro de 22 anos propõe renovação com seu disco 'Sonorosa', cujo show terá a presença de Jorge Du Peixe

9 jul 2018
06h12
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Sofrida, a voz de Mestre Anderson Miguel, canta como se seu coração sofresse há um bocado de anos. "Ela fez tantas juras de amor, que pensei que até fossem verdade / Mas fui vítima da sua falsidade", ele canta em O Desprezo Machuca o Coração, uma das músicas do quarto disco do rapaz, Sonorosa, lançado pela EAEO Records - mas considerado uma "estreia" por, enfim, ter uma produção lapidada. "Com um tiro de doze ou de canhão / O desprezo machuca o coração", diz o resto da faixa.

Maturidade, apesar da pouca idade, não é novidade para Anderson Miguel, vindo de Nazaré da Mata, no interior do Pernambuco e capital do conhecido maracatu de baque solto ou maracatu rural. Mestre, mas tão jovem. Sábio, sem a necessidade de ter vivido tantos anos. Culpa do tempo que, talvez, corra mais rápido para uns do que para outros.

É o tempo, também, que salta entre passado, presente e futuro em Sonorosa, esse disco de Anderson Miguel (coproduzido por Siba e por João Noronha) que será apresentado pela primeira vez em São Paulo na noite desta segunda-feira, 9, no Sesc Pompeia, às 18h30. O show terá a participação de Jorge Du Peixe, vocalista da Nação Zumbi, com quem Anderson Miguel divide os vocais na faixa No Hoje e na Hora.

Tradição e modernidade são colocadas lado a lado, ali. Colidindo, mas sem feridas. Quando traz sua herança para o disco, Miguel a acrescenta à guitarra e aos sintetizadores. Funde as vozes, os metais e a percussão tão tradicionais com o "novo" e cria um hábitat próprio para sua poesia certeira. Com isso, o tempo se liquefaz. Tudo se mistura.

MESTRE ANDERSON MIGUEL

Sesc Pompeia.

Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700. 2ª (9), às 18h30.

R$ 6, R$ 10 e R$ 20. Participação de Jorge Du Peixe

Estadão Conteúdo

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