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Cavaquinista da Zona Leste de SP lança EP com músicas inéditas de Mestre Siqueira

Álbum completo em homenagem ao artista será lançado em setembro

8 set 2025 - 21h14
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No último dia 8 de agosto, o músico Léo Matheus, 26, lançou o segundo EP do projeto Inéditas do Mestre Siqueira, que tem como objetivo homenagear o cavaquinista Mestre Siqueira registrando uma pequena parte da sua obra.

O primeiro single do projeto foi lançado em janeiro de 2025, seguido de um EP com quatro músicas que saiu em fevereiro. Em julho, mais um single chegou às plataformas digitais, que antecipou o EP lançado no dia 8. O disco completo está previsto para setembro e contará com as oito músicas já conhecidas e mais duas inéditas.

Mestre Siqueira começou a tocar cavaquinho aos 13 anos, mas seu projeto de estreia só veio em 2013, o álbum Entre Nós, produzido pelo músico Pedro Cantalice, idealizador do site Memória do Cavaquinho Brasileiro.

Foi através desse site que Léo conheceu o cavaquinista. De primeira, ficou impressionado com a forma como Siqueira tocava e começou a pesquisar mais sobre aquela figura. "A obra dele tem um caráter moderno, ele explora caminhos não tão comuns. É uma obra ousada, ele é um cara muito inventivo e foi isso que me pegou a princípio", comenta.

Pouco depois, durante a produção do seu TCC para faculdade de Licenciatura em Música na Universidade Estadual Paulista (Unesp), Léo entrevistou Mestre Siqueira e conheceu diversas músicas inéditas e sem registros, que Siqueira compõe e guarda apenas na memória. "Ele me apresentou um repertório maravilhoso de músicas dele, tudo na memória. Ele não escreve partitura, foi uma coisa que me impressionou muito, porque ele guarda todo o acervo dele na cabeça e tem isso na mão muito fácil", diz.

Com tanta experiência no cenário independente, o músico viu que era o momento de lançar um projeto solo e decidiu usar a oportunidade para registrar músicas inéditas do artista que o impressionou, para apresentá-lo a um novo público.

O disco também conta com a participação especial de diversos nomes do cenário musical paulistano, são eles: Bill Davisonsz, Henrique Araújo, Javiera Hunfan, João Pellegrini, Kevin Augusto, Laura Santos, Paulo Novais e Toninho Ferragutti.

O mestre incompreendido

Filho de pai bandolinista e mãe pianista, Mestre Siqueira nasceu em Pernambuco e conta que a paixão pela música veio ao observar seus pais tocando em casa. "Quando os meus pais se reuniam com os amigos, as crianças não podiam passar nem perto, eu ficava de longe vendo eles tocar. Quando acabava, eles colocavam os instrumentos no quarto e eu ia lá escondido, tocava e ouvia aquele som, achava maravilhoso", relembra.

Ainda criança, pedia para que a mãe comprasse para ele um cavaquinho, que ele chamava de "violão pequeno". Só conseguiu comprar o instrumento anos depois, já no Rio de Janeiro, guardando dinheiro de seu trabalho.

Com 87 anos, Siqueira construiu sua carreira no choro e no samba, tendo tocado ao lado de nomes como Alcione, Velha Guarda da Mangueira, Elza Soares e Pixinguinha. Além do EP Entre Nós, também possui dois discos lançados, solando choros, valsas, polcas, sambas e jongos, mostrando sua versatilidade musical.

A versatilidade, que chamou a atenção de Léo Matheus, também fez com que as músicas do cavaquinista fossem discriminadas por muito tempo. É o que diz Pedro Cantalice, responsável pelo primeiro EP do Mestre Siqueira e pelo site Memória do Cavaquinho Brasileiro. "A concepção harmônica dele sempre foi mais moderna. Ele se queixava que o pessoal não sabia os acordes das músicas dele. Até hoje, quando se toca músicas do Siqueira em roda de choro, as pessoas falam que são muito complexas", conta.

"Precisaram passar gerações para que ele pudesse gravar as primeiras músicas, com 75 anos. Conseguimos gravar três álbuns e depois disso conhecemos o mundo. Antes ele era Siqueira do Cavaco, depois disso virou Mestre Siqueira", completa Pedro.

Reconhecimento e legado

Por ter uma composição moderna, Mestre Siqueira sempre esteve à frente do seu tempo. Com o novo EP, uma nova geração de ouvintes está tendo acesso à sua música, como diz Léo Matheus. "Foi interessante as pessoas virem falar comigo atrelando minha imagem ao projeto. Pessoas que eu não conhecia vieram falar que conheceram o Siqueira através do disco. Esse é um dos principais objetivos: divulgar a obra dele, fazer com que ele seja mais pesquisado, escutado e tocado", conta.

Mestre Siqueira diz que o sentimento é de missão cumprida ao ver os jovens conhecendo sua música e que entregar suas composições para músicos como Pedro e Léo gravarem é uma forma de seguir seu legado. "A missão é essa, passar para as outras pessoas para que não deixem acabar", reflete. "Eu estava entregando [as músicas] a eles porque eu sabia que minha geração estava terminando. Mas eles vão dar continuidade, a música não acaba", diz.

Léo Matheus diz que o projeto não para só no lançamento do álbum: a ideia é fazer shows em São Paulo e no Rio de Janeiro, sob os olhares de Mestre Siqueira. "O processo do disco é muito legal, mas o show é um outro lugar. É muito legal apresentar isso ao vivo para as pessoas que querem assistir. Eu estou empolgado com a aceitação do público, muita gente vem acompanhando e perguntando quando lançam as próximas músicas, isso é gratificante", conta.

Ao ver seu legado sendo levado adiante, Mestre Siqueira reflete sobre a continuidade da cultura e relaciona a música à construção. "Quando o povo começou a construir, era com pau a pique, depois vieram os tijolos. As coisas vão crescendo, vão aparecendo novos caminhos e novas estradas. Atualmente eu sou alicerce. Vocês vão fazer muitas coisas, mas não vão fugir do alicerce, ele é intocável. Sem o pau a pique, não existiriam os tijolos", completa.

Estadão
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