PUBLICIDADE

Antes de shows no Brasil, Tame Impala diz: 'parece banda, mas não é'

9 ago 2012 16h07
| atualizado às 16h15
Publicidade
Luisa Migueres
Lonerism

, o nome do segundo disco ainda inédito da banda australiana Tame Impala, que toca no Brasil nos dias 14, 15 (São Paulo) e 16 (Rio de Janeiro) de agosto, não poderia deixar mais claro o objetivo do vocalista Kevin Parker.

Projeto do vocalista Kevin Parker passará por São Paulo e Rio de Janeiro nos dias 14, 15 e 16 de agosto
Projeto do vocalista Kevin Parker passará por São Paulo e Rio de Janeiro nos dias 14, 15 e 16 de agosto
Foto: Getty Images

"Eu fico feliz por fazer isso sozinho. O Tame Impala deve ser apenas eu", declara o músico, que criou o som vintage e lisérgico em sua casa, sem ninguém, munido apenas de seus instrumentos.Seus companheiros vieram na segunda etapa, quando Kevin decidiu gravar o CD Innerspeaker, elogiado pela crítica, e sair um turnê. Desde então, o amigo Jay Watson assumiu as baquetas, Nick Allbrook o baixo e a guitarra ficou por conta de Dominic Simper. Apesar da formaçao, o Tame Impala faz questão de ressaltar que não é uma banda de rock.

"Quando tocamos ao vivo, parece uma banda, mas antes não é", diz Kevin, mostrando que o projeto só existe pois a individualidade que ele requer não foi comprometida. O músico conversou com o Terra e mostrou que o projeto, que começou sem pretensões de agradar um grande público, acabou tomando uma proporção surpreendente.

Terra - O show de vocês aqui no Rio de Janeiro será realizado graças aos pedidos dos fãs. Isso foi uma surpresa para vocês?
Kevin - Sim, isso é incrível. Eu vi que este show foi patrocinado pelas pessoas que nos queriam aí, o que é completamente incrível. Estamos esperando para ir há muito tempo, e agora isso acontece...

Terra - Será a primeira vez de vocês na América do Sul?
Kevin - Sim, o mais próximo que chegamos da América do Sul foi o México e o Brasil é o país que mais queremos visitar.

Terra - Os shows aqui serão pequenos, isso é uma preferência de vocês ou gostam mais de tocar em grandes festivais, como fazem em outros países também?
Kevin - Preferimos lugares pequenos mesmo, são mais intimistas. Ao mesmo tempo, eles podem ser muito barulhentos e animados. Em shows muito grandes, fica difícil controlar.

Terra - Você e o Nick disseram uma vez que estavam cansados de tocar as mesmas músicas, mas que o faziam porque querem ver a reação da plateia. O que faz vocês terem vontade de tocá-las ao vivo?
Kevin - Quando descobrimos uma reação diferente a elas, obviamente nos faz querer tocá-las novamente. Sabemos que muita gente vai ouví-las pela primeira vez e o sentimento de que isso é algo novo para elas é uma experiência nova para nós também. Então, basicamente, é quando elas piram.

Terra - Vocês frequentemente dizem que não são uma banda de rock. Quais aspectos confirmam isso?
Kevin - O processo de gravação independente, porque na maior parte do tempo sou só eu dentro do estúdio, gravando todos os instrumentos, fazendo música do nada. Se eu estivesse em outro processo, talvez seria algo mais eletrônico e profissional. Eu não me sinto numa banda de rock, porque sou apenas eu. Quando tocamos ao vivo, parece uma banda, mas antes não é.

Terra - Quando você decidiu gravar o segundo disco, tentou se livrar da pressão que existia graças ao sucesso de Innerspeaker? É verdade que você fingiu que estava trabalhando em outra coisa?
Kevin - Sim (risos). Na verdade eu não estava fingindo que estava outra coisa, eu estava temporariamente livre da pressão do Tame Impala, então apenas fiz música sozinho, como sempre fiz. Para mim, essa é a melhor maneira de fazer música, sem ninguém me pressionando. Eu aproveito genuinamente cada uma, elas são significativas para mim. Isso acabou ajudando muito.

Terra - Li em uma entrevista que você se inspirou no filme do Lars Von Trier, Melancholia para escrever uma música. É verdade?
Kevin - (Risos) Pois é, às vezes você diz algo e entendem completamente diferente. Na verdade, naquela entrevista eu disse que eu me lembro de ter gravado a música e aí eu assisti ao filme, e fiquei feliz por tê-la gravado porque ela me fazia lembrar do filme.

Terra - Então não foi ao contrário...
Kevin - Isso! E eles colocaram que foi (risos). Obrigada pela oportunidade de explicar.

Terra - Quando vocês estavam gravando Innerspeaker você disse que havia uma mágica no ar. O que você sentiu?
Kevin - Eu não sei, é meio difícil de medir algo assim, porque simplesmente acontece. É um sentimento. Foi depois de um tempo que percebemos que havia uma mágica ali, foi natural. E aí depois que você já fez, você percebe o quanto aquilo existia, um nível diferente de emoção no ar.

Terra - Você tem medo de que, com o sucesso, essa sensação seja menos frequente?
Kevin - Sim, claro. Tenho medo de que isso influencie mais do que deveria. Mas não me vejo sendo mudado pelo sucesso, ou a nossa música. Estamos ligados a ela em um nível espiritual, não acho que há como isso mudar. Bom, mas eu digo isso agora, tenho certeza de que outras bandas disseram a mesma coisa. A única coisa que possa fazer é torcer para que não aconteça.

Terra - Vocês são muito influenciados por bandas dos anos 1970. Hoje em dia, existe alguma que possa servir como inspiração também?
Kevin - Sim, tem uma banda chamada Dungen, da Suécia, eles são uma grande inspiração para mim. O MGMT também...

Terra - Você costuma ler as críticas a respeito da banda?
Kevin - Não mais. Acho que quando o primeiro álbum saiu, eu esperava que todos fossem odiar, que ninguém entenderia. Então a primeira crítica positiva foi uma surpresa, mas logo depois eu parei de ler, porque achei que todas diziam a mesma coisa. Não descobri nada novo a respeito delas. Só aprendi como é importante ter a minha própria opinião, porque cada um tem uma diferente. Tem gente que acha que parecemos com algo dos anos 60, outras acham que é dos anos 90. No fim, nenhuma opinião vai valer mais do que a sua, sabe?

Terra - Você já leu algo que estava completamente fora de contexto?
Kevin - Sim (risos). Uma vez que li que Jeremy's Storm, uma música nossa instrumental, era como uma música country que tinha dado errado (risos). E eu fiquei me perguntando: "música country?"(risos). Com essas opiniões eu nem me preocupo, são estúpidas.

Terra - Paras as gravações de Innerspeaker, você passou um tempo em uma casa em frente ao mar, onde foi acompanhado dos demais integrantes. Como foi agora, com o segundo álbum?
Kevin - Dessa vez fui só eu lá, na minha casa em Perth (capital da Austrália Ocidental e uma das metrópoles mais isoladas do mundo). Todos os dias, trabalhando no que queria, por um ano e pouco.

Terra - E qual é a relação desse disco com o primeiro?
Kevin - É como se o Innerspeaker fosse um homem adulto em comparação a essa, que é uma criança. É como eu sinto.

Terra - Em algumas músicas, o Jay trabalhou com você na parte de composição. Isso foi estranho para você, já que está acostumado a criar sozinho?
Kevin - Ele trabalhou comigo só em três músicas, mas me senti confortável, porque nos conhecemos há sete anos e ele é um dos meus melhores amigos. Foi orgânico, mas depois eu percebo que é assim que deve ser. O Tame Impala deve ser apenas eu. Eu fico feliz por fazer isso sozinho.

Serviço

Popload Gig - São Paulo
*Dia: 15 de agosto
Horário: 23h (abertura da casa às 21h)
Local: Cine Joia (Praça Carlos Gomes, 82 - Liberdade)Ingressos:
R$ 70,00 (meia)
R$ 140,00 (inteira)

Show Tame Impala - Rio de Janeiro
Dia: 16 de agosto
Horário: 21h
Local: Imperator (Rua Dias da Cruz, 170 - Méier)
Ingressos:
R$ 80 (inteira)
R$ 40 (meia)

*O show do dia 14, no mesmo local, será transmitido pelo Multishow e será aberto somente para convidados

Fonte: Terra
Publicidade