Marjorie Estiano revela lições de luta feminina ao viver Ângela Diniz em série da HBO Max: 'Consciência histórica'
A atriz Marjorie Estiano revelou como a discussão sobre violência contra a mulher impacta sua vida pessoal
Em Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, nova série da HBO, Marjorie Estiano vive a personagem-título. Nesta conversa, a atriz contempla as profundas transformações que a personagem lhe trouxe como artista e mulher, abordando a importância de lutar pelo direito ao prazer e a consciência histórica sobre a violência de gênero no Brasil.
Como você se transformou com essa personagem?
"Essas transformações vão se dando ao longo do tempo, não acontecem de uma hora para outra. A oportunidade de estudar sobre temas que são coletivos, que são sociais, que são parte integrante de mim é sempre uma oportunidade de me transformar, é um processo analítico. Ter feito a Ângela, que é uma personagem que se dedica ao prazer, se autoriza o prazer, é algo muito importante na cultura brasileira. A gente sente, muitas vezes, a culpa de sentir prazer, de tirar férias. A Ângela se autorizava a se dar prazer, ter liberdade de viver, ela não quer conquistar absolutamente nada, a beleza da vida é viver. Isso é um ensinamento importante para todos nós. Eu me identifico com essa falta de autorização de prazer, de beleza, de liberdade. A minha vida sempre foi muito trabalho, compromisso, seriedade. Foi a oportunidade de me experimentar na liberdade, leveza, prazer e isso é muito valioso."
Quais lições aprendeu ao viver Ângela Diniz?
"Foram muitas coisas que viver essa personagem me trouxe e continua me trazendo: consciência histórica sobre a luta pelo direito das mulheres, a consciência sobre o impacto e a força de uma formação de gênero, de uma sociedade machista. Quando você estuda sobre isso, você começa a enxergar melhor. Enxergar melhor a sociedade, a sua própria vida, as suas relações."
Como discutir violência contra a mulher te afeta?
"É algo que me impacta diretamente, o fato de ser uma violência de gênero. Eu não só já sofri inúmeras, como vou continuar sofrendo. Porque essa é uma realidade, a gente está aqui justamente tentando trabalhar em uma reeducação, de uma transformação de pensamento, de sociedade. Essas transformações são mais lentas. A gente consegue comprovar isso de acordo com as leis. A teoria da legítima defesa da honra caiu em 2023. A gente continua tendo de fazer novas leis de proteção à mulher. O que reflete para mim que a mentalidade não mudou. A gente está precisando das leis, porque a gente continua sendo ameaçada. O fato de ser tão diretamente impactada é um elemento que me trouxe um engajamento muito grande."
O que essa personagem traz de novidade para você?
"O fato de a personalidade da Ângela ser muito livre, muito dada ao prazer, a curtir a filha, a praia, os amigos, beber, festa, transar… Isso é inédito, inovador. Não só para as minhas personagens. De uma maneira geral, as personagens femininas não são construídas para sentir prazer, as personagens femininas estão sempre ali para sofrer."
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