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Luiz Fernando Guimarães: 'Não tenho dor nenhuma na minha história'

O ator completa 50 anos de carreira e, aos 76 anos, protagoniza a peça 'Baixa Sociedade', em São Paulo, na qual representa um homem que faz de tudo para se dar bem na vida. Em entrevista, ele fala sobre vida, alcoolismo, filhos e o casamento com Adriano Medeiros.

12 jan 2026 - 06h05
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Há 50 anos em cena, Luiz Fernando Guimarães afirma que viu a vida passar leve. O ex-bancário que ficava vermelho só de falar com outra pessoa tornou-se um dos grandes nomes da comédia nacional a partir do momento em que entrou no grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, expressão da contracultura nos anos 1970, ao lado de Regina Casé, Patricya Travassos, Evandro Mesquita e outros. "Foi muita vida, né?", brinca o ator, em conversa com o Estadão.

Aos 76 anos, ele estreia, neste sábado, 10, a remontagem da peça Baixa Sociedade, de Juca de Oliveira, no Teatro Renaissance, com temporada que vai até março. O texto, de 1979, fala sobre corrupções do dia a dia - e de um homem, Otávio, que faz uso delas para se dar bem na vida. No elenco estão ainda Bruno Gissoni, Bruna Trindade e Isabella Santoni - todos na faixa dos 30 anos. A direção é de Pedro Neschling.

No palco, por pura intuição, Guimarães aprendeu a conversar com o público, sem sair do personagem. Para a timidez, descobriu o preparo. Muito ensaio para ser espontâneo. "Muita gente diz: 'O Luiz é o Luiz [no palco]'. Sim, sou o Luiz, mas, ao mesmo tempo, eu não penso daquela maneira [do personagem]. O público sabe disso. É tudo uma grande brincadeira".

"É muito legal ver um cara que está com 50 anos de carreira tão aberto a receber a direção de um cara que ele conheceu criança. Nossa troca foi fluida, natural. À medida que ele conhece mais a história, ele fica cada vez mais à vontade para trazer seu talento de improvisação. Um imenso ator", afirma Neschling, filho da atriz Lucélia Santos, com quem Guimarães estreou em novelas, em Vereda Tropical, de 1984.

Na entrevista, pouco antes de um dos ensaios finais de Baixa Sociedade, Guimarães falou, entre outros assuntos, sobre carreira, Os Normais, alcoolismo, Fernanda Montenegro e família - ele é casado há 25 anos com o empresário Adriano Medeiros, com quem tem os filhos Olívia, de 12, e Dante, de 14. Livre de qualquer amarra, ele celebra o direito de ser quem é - nos palcos e fora deles. "Não sou de ficar trancado no armário! Eu quero é viver!", diz.

O Rui, além do humor, tinha a questão da virilidade, o corpo sarado, a energia sexual a mil. O Rui tinha algo de Luiz Fernando?

O Rui simbolizava todos os homens. Ele queria paz, ficar em casa. Se você notar, ele não ia para a casa da Vani. Ela que ia para a dele, pendurar calcinha. Ele ficava maluco com isso. Nos divertíamos muito fazendo. O segundo filme termina com eles se jogando no mar. A terceira parte já foi escrita pelo Alexandre Machado. Eles viram náufragos e, depois, voltam para o apartamento, famosos, e não seguram essa onda. Espero que possa ser feito.

'Os Normais' e 'TV Pirata' são dois marcos do humor criativo, anárquico, irônico, em contraposição ao humor mais caricato, que foi colocado em xeque nos últimos tempos. Na TV, não há ninguém fazendo nada parecido atualmente. Qual é o problema? Não há espaço, não há quem faça, quem escreva?

Tudo é um jeito de fazer, não tem fórmula. No humor, você não pode pesar na tinta. É igual a censora Solange. Ela foi assistir à peça querendo ver uma coisa. Ela só não conseguiu porque não era aquilo que queria ver. Quando você não pensa em agredir alguém, você não o faz.

Em sua autobiografia, você falou abertamente sobre o vício em álcool, que te prejudicou emocionalmente, financeiramente e socialmente. Você se tratou, teve internação involuntária. O que te levou a abrir essa fase dessa vida para o público?

É bom abrir! Eu fumava e bebia muito. Não sei em que momento eu parei. Falei: "Chega". É como dieta: "Vou começar amanhã, e não na segunda-feira". Sou muito categórico em relação a isso. São fases da nossa vida, temos que falar. E é bom passar por isso. Se você não passar, não tem experiência. Fiz o livro para botar essas coisas para fora. Todo mundo se identifica. Vê que aquilo que está passando naquele momento não é um inferno de Dante.

Foi terapêutico escrever?

Foi! Eu fiz a partir de fotos. Tenho caixas e mais caixas de fotos. Selecionava a foto e a história. Há muito tempo, eu fiz o processo [de terapia] Fischer-Hoffman, para investigar a relação com meu pai e minha mãe. Tive que escrever a minha vida inteira! Eu não saia de casa. Foi importante para mim.

Na sua autobiografia você abre espaço para que muitos amigos falem sobre você. Você delegou a eles falar sobre você ou queria se ver um pouco de fora?

Eu não queria que ficasse algo muito autorreferencial. Convidei cada pessoa que viveu algum momento comigo a falar. Pessoas que fizeram parte da televisão, por exemplo, falaram sobre meu trabalho na TV. Gostei muito.

A Fernanda Montenegro ainda te manda mensagens por WhatsApp?

Manda! Ela gosta muito de conversar por áudio.

Ela te dá broncas, conselhos?

Não. A Fernanda não é isso. Ela é uma menina! Uma pessoa de muita vida! O que é legal é que ela pensa durante a fala. É coisa dela. Não tem mais compromisso com o ritmo. Ela já passou por isso. Tem o tempo dela. Sensacional! Ela é muito grata, acha que eu ajudei muito a filha [Fernanda Torres, por Guimarães tê-la levado para Os Normais]. Ajudei nada! Ela que me ajudou! O papo é muito franco.

Outra questão que, talvez, para o grande público, não fosse tão conhecida, era seu casamento com o Adriano Medeiros. Expor isso mudou sua relação com o Adriano ou com o público?

Achei bom oficializar minha união com ele e achei bom todo mundo saber. Vou ficar escondendo, a esta altura da vida?

Aliás, você nunca escondeu, não?

Não. Teve uma vez, isso foi muito gozado, que eu dei uma entrevista em casa e o título foi "Luiz Fernando Guimarães sai do armário". Meus amigos falaram: "Como assim? Por que você saiu do armário se você nunca entrou?". Eu fui maravilhoso com a jornalista, ela foi fofa comigo, mas vendeu a matéria dessa forma. Quem ficava trancado no armário era o Ricardão, do Shirlei e Euclides [quadro da TV Pirata], que era um amante. Mas, eu? Não sou de ficar trancado no armário. Eu quero é viver!

Baixa Sociedade

  • Com: Luiz Fernando Guimarães, Bruno Gissoni, Bruna Trindade e Isabella Santoni
  • Direção: Pedro Neschling
  • De 10/1 a 29/3. 6ª, 19h30; sábados, 19h; domingos, 17h
  • Teatro Renaissance. Al. Santos, 2.233, Jardim Paulista
Estadão
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