Mulher que foi arrastada na Marginal Tietê tem estado de saúde atualizado; saiba
Mulher que foi arrastada na Marginal Tietê precisou amputar a perna; saiba como ela está
NOTA: A notícia a seguir aborda violência extrema contra mulheres e pode ser sensível para algumas pessoas. Se você ou alguém que você conhece está em situação de risco, denuncie pelo 180. Em emergências, acione a Polícia Militar pelo 190.
Tainara Souza Santos, a mulher de 31 anos que foi atropelada e arrastada por uma longa distância na Marginal Tietê, em São Paulo, segue internada na UTI. Segundo informou o advogado da vítima à CNN Brasil, o quadro é estável, porém ainda considerado grave.
A jovem sofreu ferimentos severos no rosto e na parte inferior do corpo e passou por procedimentos de emergência após ser levada ao Hospital Municipal Vereador José Storopolli. Devido à gravidade das lesões, foi necessária a amputação das duas pernas abaixo dos joelhos, além de transfusão de sangue. Ela também chegou a ser entubada no momento do socorro.
Nas redes sociais, uma amiga próxima afirmou que a paciente tem respondido bem ao tratamento e pediu que as orações continuem.
Suspeito permanece preso
O motorista Douglas Alves da Silva, de 26 anos, identificado como autor do atropelamento, segue detido. Ele passou por audiência de custódia na segunda-feira (1º), que manteve o mandado de prisão. De acordo com a CNN Brasil, Douglas poderá responder por tentativa de feminicídio, resistência e lesão corporal, já que teria reagido durante a abordagem policial. Ele foi preso na noite de domingo (30), em um hotel na Vila Prudente, zona Leste da capital.
A defesa da mulher disse à CNN Brasil que ainda está investigando relatos de que a vítima e Douglas teriam tido algum tipo de envolvimento anterior. A versão foi mencionada por algumas testemunhas, mas a motivação do crime ainda não foi esclarecida oficialmente.
ALTA NA TAXA DE FEMINICÍDIO
Um levantamento do Instituto Sou da Paz mostra que São Paulo concentra parte significativa dos feminicídios do estado: um em cada quatro casos consumados ocorreu na capital. A comparação entre janeiro e outubro de 2025 e o mesmo período de 2024 indica alta de 23% na cidade. Em relação aos dados de 2023, o avanço chega a 71%.
O estudo aponta que a violência fatal contra mulheres segue um padrão consolidado. A residência da vítima permanece como principal cenário dos crimes (67%), e armas brancas ou objetos contundentes foram utilizados em mais da metade dos casos registrados no estado.
Adriana Liporoni, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher em São Paulo, destaca que o feminicídio costuma ser o último estágio de agressões contínuas. Para ela, o aumento das notificações é resultado tanto da escalada dos conflitos nos relacionamentos quanto da melhoria na classificação e no registro legal desses crimes.
A coordenadora lembra que a tipificação do feminicídio, criada em 2015, ampliou a precisão das estatísticas ao separar esses crimes dos registros gerais de homicídio. Segundo ela, esse avanço contribuiu para identificar melhor a motivação de gênero, mas não explica sozinho o aumento das ocorrências. A delegada aponta que parte do crescimento reflete também a intensificação da violência extrema, muitas vezes ligada à tentativa de controle e à reação desproporcional de agressores diante do fim do relacionamento.
Mesmo com o aprimoramento das leis, Liporoni destaca que a resposta estatal ainda enfrenta limitações. "O grande desafio está na prevenção e na capacidade de identificar os primeiros sinais do ciclo violento", afirma. Ela explica que, quando os primeiros indícios são reconhecidos e a rede de apoio consegue agir rapidamente, há mais chances de interromper a escalada antes que ela chegue ao extremo.
Para Malu Pinheiro, do Instituto Sou da Paz, o perfil dos feminicídios exige estratégias específicas. Como a maioria é cometida por parceiros, ex-parceiros ou familiares — geralmente dentro da residência —, a abordagem precisa ser distinta da adotada em outros crimes contra a vida. Ela defende a ampliação dos serviços de acolhimento e proteção, fundamentais para que as mulheres consigam romper vínculos abusivos com segurança.
A gravidade desses ataques também impressiona profissionais acostumados a lidar com cenas de violência. À Folha de S.Paulo, a fotógrafa técnico-pericial Telma Rocha, com mais de três décadas de atuação em ocorrências de homicídio, relatou o impacto das cenas que testemunha.
"[Mulheres] queimadas, amarradas, espancadas, mutiladas. Mas o que mais me chama a atenção e, muitas vezes me quebra, são os ferimentos de defesa. Cortes nas mãos, nos braços e unhas quebradas. Isso me destrói, pois chega a passar a cena na minha imaginação. É muito cruel."