Comediante da 'Pifaizer', Esse Menino lança show de stand-up e prepara turnê na Europa
Comediante ganhou notoriedade com um viral na pandemia e explora outros formatos com o show 'Ao Vivo', que estreou no Brasil em agosto
"Aqui quem fala é a Pifaizer (sic)". Foi com esse jargão que o ator Esse Menino viralizou, em 2021, ao satirizar a demora do governo Jair Bolsonaro em comprar vacinas contra a covid-19. Na época, o presidente regional da farmacêutica havia revelado à CPI da Covid que a gestão Bolsonaro ignorou as ofertas do imunizante em 2020.
De lá para cá, Esse Menino cresceu na internet, se afastou das redes sociais, voltou ao produzir conteúdos online e agora percorre o Brasil e países da Europa com um show de stand-up. A turnê 'Ao Vivo' irá passar pela Alemanha, França, Irlanda, Inglaterra e Portugal a partir de outubro de 2023.
O espetáculo, que estreou em agosto, tira sarro das dores e traumas de um homem cisgênero e homossexual. Ao Terra, o humorista diz que segue a linha que escancara a realidade da comunidade LGBTQIAPN+, mas julgamentos.
"A maioria dos humoristas são héteros e a gente acaba sempre ouvindo a versão deles da nossa vida. A ideia é trazer uma visão interna da nossa realidade [...] e não trazer só a parte boa. O show passa por temas bem difíceis. Eu falo sobre depressão, sobre minha saída do armário, que meus pais deram uma rejeitada ali no início, mas que hoje está tudo certo. Falo sobre ser bicha no interior, que acredito ser mais difícil. Eu vou nessa, até para dar uma aliviada na dor, ressignificar esses momentos que muitos têm", conta.
Para contar as tragédias de toda uma comunidade, Esse Menino usas as suas próprias como base, entre elas o episódio de burnout que teve em 2021, mesmo ano que entrou em depressão após um término conturbado. O período, para ele, foi um dos mais sombrios de sua vida. Hoje, ele vê graça em tudo e quer disseminar essa ideia, mas admite que na época precisou de ajuda psicológica e psiquiátrica para voltar aos trilhos.
Os pesadelos de um comediante
A turnê, que foi batizada de ‘Ao Vivo’, já começou e para cada cidade o comediante costuma investir em uma produção visual do zero e sob medida. O objetivo é garantir que o público fique ansioso não apenas pelo "texto afiado", como o artista mesmo chama sua obra, mas também pela entrega visual que está comprometido a servir.
Um dos receios de Esse Menino nesta etapa profissional, acredite ou não, é de não ser engraçado. O sentimento é compreensível, afinal, ele não está completamente em seu ambiente natural. Ele é um fenômeno da web e da comédia, mas ainda está trabalhando para se consolidar no universo do stand-up.
"Eu estou tão feliz de conseguir girar isso tudo [com meu trabalho]. Pra mim, isso já está sendo a maior loucura [...] o medo existe sempre, mas acho que meu medo é não ser engraçado, de estar perdendo o tato com o público, de não saber o que eles gostam ou não. O medo de não agradar eu não tenho. Se alguém não gostar, eu entendo, a comédia também serve para incomodar, nem todo mundo precisa concordar", reflete.
Futuro de riquezas e com críticas a Lula
Reservado quanto à sua vida financeira, Esse Menino confirma que encontrou um nicho na publicidade e que tem conseguido rentabilizar seu trabalho como artista. Ele não entra em detalhes, mas diz ajudar a família e evitar luxos para garantir conforto no futuro. A única coisa com que não tem dó de gastar é a sua arte.
Arte essa que muda constantemente. Se na pandemia de covid-19 ele ganhou fama por criticar Jair Bolsonaro, hoje ele não teme alfinetar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele fez campanha para o petista e se considera um apoiador ferrenho, mas diz não ser cego às decisões do governo.
Até aqui, Esse Menino afirma que está satisfeito ao ver "gente trabalhando", percepção que não tinha em relação ao governo anterior.
"Não quer dizer que eu não vou falar sobre os erros dessa gestão. Como apoiadores, a gente que tem estar disposto a reconhecer quando erramos. Tem uma galera que me ama porque critiquei o Bolsonaro e se eu falar um 'A' do Lula já me chamam de doido, dizem que estou mudando de lado, e não é bem por aí. Falar de um não é necessariamente enaltecer outro", argumenta.