Bonner revela por que agora atende todas as pessoas após anos evitando contato pelo risco de hostilidade política: “Meu coração está sorrindo”
Apresentador vive fase de liberdade após se desligar da cobertura diária no 'Jornal Nacional'
Em entrevista ao canal de YouTube ‘Cá Entre Nós’, de Fátima Bernardes e Bia Bonemer, William Bonner comentou sobre a mudança de postura ao ser abordado nas ruas com pedidos de fotos.
“Vou te dizer uma coisa que deixa muita gente admirada. As pessoas que trabalham em televisão dizem ‘é impressionante, você nunca diz não’. Claro que não posso dizer não”, explicou.
“Eu passei dez, doze, quase quinze anos da minha vida com gente botando o dedo na minha cara. Agora, quando alguém se aproxima e quer uma foto, quer me dar um abraço, quer que eu mande uma mensagem para a mãe, como é que eu vou dizer não? Eu abro o meu sorriso mais simpático, o meu sorriso mais sincero, porque o meu coração está sorrindo.”
O apresentador afirma se sentir bem com as abordagens. “Eu estou muito feliz nessa situação e quero que isso perdure.”
Por anos, Bonner foi alvo de ataques na internet e intimidações em público, tanto de extremistas da esquerda quanto da direita, em diferentes momentos da política. Chegou a receber ameaças contra sua vida e teve dados confidenciais divulgados.
Em maio de 2020, no ‘Conversa com Bial’, o jornalista lamentou o desrespeito.
“Eu ainda me assusto com a bile, com o ódio que escorre nas palavras, nas palavras mal escritas, nas palavras cuspidas. É um ódio tão intenso que a gente não sabe onde levará. E aí a gente vai para as ruas e assiste a esta mesma incivilidade”.
Em fevereiro deste ano, em evento para a imprensa na sede paulistana da Globo, a coluna acompanhou outra manifestação de Bonner a respeito do inferno que passou.
“Fui chamado de fascista, teve xingamentos com palavrões”, disse. “A extrema esquerda e a extrema direita agiram com intolerância deliberada. A Globo é símbolo do jornalismo no Brasil. O Jornal Nacional é um símbolo do jornalismo da Globo e eu era o símbolo do Jornal Nacional. Então eu era um para-raio desse tipo de ação.”
Ele exemplificou o impacto das hostilidades em sua vida pessoal.
“Evitei aviões em voos curtos porque eu não queria passar por constrangimento. Meu pai doente, ao longo de um ano, eu fiz viagens semanais (de carro) do Rio a São Paulo, vinha no sábado e ia embora no domingo. E depois, com a doença da minha mãe, que durou menos tempo, cinco meses.”
Bonner deixou o ‘Jornal Nacional’ em novembro do ano passado. Vive nova fase no ‘Globo Repórter’. Voltou a circular pelas ruas do Brasil para gravar matérias.
“Eu não sei se eles me odeiam menos agora, eu acho que não é bem isso, mas acredito que há um clima no país que não favorece esse tipo de hostilidade manifestada publicamente por um integrante da extrema direita contra um jornalista, não daria uma boa repercussão.”
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