Você sabia que o 'O Agente Secreto' não é um filme 100% brasileiro? E isso é uma boa notícia para o Oscar
Filme de Kleber Mendonça Filho concorre em quatro categorias na principal premiação do cinema
O filme "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, é uma produção majoritariamente brasileira com coprodução internacional, facilitando seu orçamento e distribuição; está concorrendo em quatro categorias no Oscar 2026, incluindo Melhor Ator para Wagner Moura.
O Agente Secreto já entrou para a história como um dos longas brasileiros com campanha internacional mais bem-sucedida. O filme acumula ao menos 50 prêmios, com destaque para reconhecimentos em festivais e cerimônias como Cannes e o Globo de Ouro, além de ter sido indicado a quatro categorias do Oscar 2026, incluindo Melhor Ator para Wagner Moura — uma nomeação inédita para o cinema nacional.
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Mas você sabia que o longa dirigido por Kleber Mendonça Filho não é uma produção '100% brasileira'? O filme contou com coproduções internacionais, uma estratégia comum no cinema independente internacional para garantir a distribuição do filme no exterior, ampliando a sua visibilidade, e dividir os custos de produção.
As produtoras principais são a brasileira CinemaScópio Produções, a francesa MK2 Films (também creditada como MK Productions), a holandesa Lemming Film e a alemã One Two Films. Também participam como coprodutoras a francesa Arte France Cinéma, a Black Rabbit Media, a Itapoan e a distribuidora brasileira Vitrine Filmes.
Em entrevista ao Terra, a produtora-executiva do filme, Dora Amorim, explica que, apesar da coprodução internacional, o Brasil é o país majoritário na produção e que esse modelo é uma prática comum na indústria cinematográfica, o que não torna o longa “menos brasileiro”.
Por que a participação de outros países foi necessária?
“Nesse caso, é uma forma de ter um orçamento mais robusto, o que possibilitou que a gente tenha feito o filme da forma que a gente desejava. Só no Brasil a gente não conseguiria chegar ao montante total que o filme teve. Além disso, tem toda uma questão também de distribuição, né? Levando em consideração que o filme tem essas coproduções europeias, esses coprodutores também vão garantir a distribuição em seus territórios”, detalhou.
Segundo ela, o Brasil possui acordos de coprodução bilateral com diversos países, tanto da Europa quanto da América Latina.
“A coprodução possibilita que a gente consiga alcançar orçamentos maiores. Existem também vários outros filmes 100% brasileiros que são igualmente ótimos, mas às vezes, dependendo do lugar, dos acessos, de se é um primeiro ou um segundo filme, tem inúmeros fatores que fazem a coprodução ser uma realidade ou não, mas ela, sem dúvida, é algo cada vez mais comum na produção independente brasileira”, ressaltou.
Para viabilizar o projeto, foram realizadas diversas reuniões com produtoras que já conheciam o trabalho de Kleber Mendonça e demonstraram interesse em colaborar. “Primeiro foi a França, depois entrou a Alemanha e, por último, a Holanda. E todos os fundos que essas co-produtoras conseguiram trazer foram essenciais para fazer o filme. Grande parte da pós-produção, praticamente toda a pós-produção, foi feita fora”, disse.
“A montagem foi feita no Brasil, mas o restante, todo o trabalho de edição, som, mixagem e correção de cor, foi feito na Alemanha, som foi feito na França, os efeitos foram feitos na Holanda, também com uma parte da França. Então, isso possibilitou que o filme fosse finalizado da melhor forma possível e que a gente também tivesse a chance de trabalhar com técnicos super experientes, que também existem no Brasil, óbvio, essa é uma forma de ampliar as conexões”, pontuou Amorim.
“Não deixa menos brasileiro”, diz Dora Amorim
“Eu não acho absolutamente que a coprodução com outros países deixe o filme menos brasileiro. Pelo contrário, o filme é igualmente brasileiro, mais brasileiro no sentido de que a gente vai conseguir que o filme tenha uma distribuição ainda maior”, destacou a produtora-executiva.
Amorim ressalta que todos os elementos centrais do filme são nacionais, como o idioma, o elenco e a equipe de filmagem. “É um filme absolutamente brasileiro. É um filme que pulsa Brasil; é um filme de pirraça de suor, de cores”, disse.
