Marjorie Estiano sobre violência de gênero: 'Já sofri inúmeras vezes e vou continuar sofrendo'
Em conversa com a imprensa, a atriz falou sobre seu novo trabalho: uma série que aborda a violência contra a mulher
A atriz Marjorie Estiano revelou ter sofrido diversas violências de gênero ao longo de sua carreira, relacionando sua experiência com a de Ângela Diniz, personagem que interpreta na série da HBO Max sobre a socialite assassinada cujo caso impulsionou mudanças nas leis de proteção às mulheres no Brasil.
A atriz Marjorie Estiano, de 43 anos, revelou nesta terça-feira, 11, que já sofreu diversas violências de gênero ao longo de sua carreira artística. O assunto surgiu durante uma conversa com a imprensa para falar sobre Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, que chega á HBO Max na próxima quinta-feira, 13.
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Protagonista da série, Marjorie interpreta Ângela Diniz (1944-1976), uma mulher descrita como "livre, intensa e louca" para os anos 1970. O jeito livre da socialite a levou a um destino cruel. Em 1976, ela foi assassinada a tiros por seu então companheiro, Doca Street (Emilio Dantas). A morte dela impulsionou o movimento feminista no Brasil e mudou a perspectiva sobre as leis de proteção à mulher no País.
Questionada sobre a experiência de interpretar Ângela Diniz, uma mulher que sofreu diversas violências antes de ser assassinada, Marjorie Estiano revelou que compartilha esse infeliz laço com a personagem.
“É algo que me impacta diretamente, o fato de ser uma violência de gênero. Eu não só já sofri inúmeras, como vou continuar sofrendo. Porque essa é uma realidade, a gente está aqui justamente tentando trabalhar em uma reeducação, de uma transformação de pensamento, de sociedade. Essas transformações são mais lentas. A gente consegue comprovar isso de acordo com as leis. A teoria da legítima defesa da honra caiu apenas em 2023", disse ela, referindo-se ao argumento jurídico usado pela defesa de Doca para evitar que o assassino recebesse a devida sentença pelo assassinato de Ângela.
Marjorie também comentou como a personagem a fez refletir sobre a culpa feminina, visto que ela foi uma mulher desprendida da opinião pública num tempo desafiador, o que ela considera 'à frente de sua época'.
“Ter feito a Ângela, uma personagem que se dedica ao prazer é algo muito importante. A gente sente a culpa de sentir prazer, de tirar férias, de se divertir… A Ângela se autorizava a se dar prazer, a se oferecer liberdade. Isso é um ensinamento muito importante, para todos nós. Me identifico muito com essa falta de autorização de prazer, de liberdade. Para mim a vida sempre foi muito trabalho, compromisso e seriedade. Foi uma oportunidade de me experimentar na leveza. É um processo e exercício para a vida inteira", complementou ela, durante o encontro realizado no Hotel Pullman Ibirapuera, na zona Sul de São Paulo.
Baseada em uma história real, Ângela Diniz: Assassinada e Condenada tem como principal fonte de pesquisa o podcast Praia dos Ossos, produzido pela Rádio Novelo. No projeto, jornalistas revisitam a trajetória da socialite, mostram como ela foi “condenada” por ser livre e narram como sua morte — mesmo sem ligação direta com o ativismo — contribuiu para avanços nas leis de proteção às mulheres no Brasil.
Para dar vida à história, a série conta com um elenco de peso: Marjorie Estiano (Ângela Diniz), Emilio Dantas (Doca Street) e Joaquim Lopes (Ibrahim Sued, outro affair de Ângela), além de: Renata Gaspar, Tóia Ferraz, Joaquim Lopes, Emílio de Mello, Pedro Nercessian, Stepan Nercessian, Daniela Galli, Priscila Sztejnman, Tatsu Carvalho, entre outros nomes de destaque do audiovisual brasileiro.
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