Procurador-Geral da Califórnia cancela negociações de acordo com a Paramount e cita 'jogo sujo'
Empresa é acusada de vazar detalhes de uma reunião; diálogo só será retomado quando houver uma 'negociação sincera'
O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, cancelou as negociações de acordo com a Paramount sobre a compra de US$ 111 bilhões da Warner Bros. Discovery, acusando a empresa de agir de má-fé ao vazar e deturpar conversas preliminares. O Estado lidera uma ação antitruste para barrar a megafusão sob a justificativa de excesso de poder de mercado. Com julgamento previsto para março, eventuais atrasos no processo podem acarretar pesadas penalidades financeiras contra a Paramount.
O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, cancelou uma reunião que estava marcada para esta segunda-feira, 24, com representantes da Paramount. O encontro seria o primeiro passo para discutir um possível acordo no processo movido pelo Estado contra a proposta de aquisição da Warner Bros. Discovery pela empresa.
As informações são do The New York Times, que teve acesso a uma declaração de Bonta sobre o cancelamento. Segundo o procurador-geral, a decisão ocorreu depois de a Paramount ter vazado detalhes de uma reunião realizada entre as partes na última sexta-feira, 21. Ele também afirmou que a empresa teria apresentado de forma incorreta o conteúdo das conversas.
"Não apenas a Paramount vazou o suposto conteúdo das discussões sobre o acordo, como também deturpou essas discussões, demonstrando falta de boa-fé", disse Bonta. O procurador-geral ainda afirmou que seu gabinete está disposto a retomar o diálogo quando a companhia "parar de fazer jogo sujo" e participar das negociações de maneira sincera.
O encontro cancelado teria caráter preliminar e, mesmo se realizado, não representaria uma garantia de que as empresas e o Estado chegariam a um acordo. Ainda assim, a possibilidade de iniciar uma negociação era vista como um avanço. A situação ganhou força depois que a Paramount ameaçou deixar a Califórnia e o governador Gavin Newsom declarou ser favorável a uma solução negociada para o processo.
Avaliada em 111 bilhões de dólares (R$ 573 bilhões na cotação atual), a compra da Warner Bros. pela Paramount reuniria dois grandes estúdios de cinema, diferentes serviços de streaming e veículos de imprensa como CNN e CBS News.
No mês passado, a Califórnia liderou um grupo de 12 procuradores-gerais estaduais em uma ação para impedir a operação, sob o argumento de que a fusão daria à nova empresa um poder excessivo nos mercados de televisão por assinatura e de estúdios cinematográficos.
Bonta já havia sinalizado que aceitaria apenas medidas estruturais como forma de solucionar o processo. Na prática, isso poderia exigir que partes da empresa combinada fossem vendidas. A possibilidade costuma ser pouco atraente para executivos envolvidos em grandes fusões, já que os planos financeiros da operação são feitos considerando o funcionamento do negócio integrado.
O julgamento do caso está previsto para março, e um eventual atraso na conclusão da aquisição pode fazer a Paramount começar a pagar centenas de milhões de dólares em taxas aos acionistas da Warner Bros. caso o negócio não seja fechado até outubro.
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