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'A Morte de Robin Hood' traz Hugh Jackman envelhecido para filme que se leva a sério demais

Do mesmo diretor de 'Pig', longa-metragem acompanha os últimos dias de vida do famoso personagem britânico

20 ago 2026 - 10h11
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Mais de 50 filmes já foram feitos sobre Robin Hood. Um dos principais personagens do Reino Unido, o "príncipe dos ladrões" já foi raposa na Disney, histórico com Douglas Fairbanks e marcante com Errol Flynn. Agora, ganha uma roupagem inédita em A Morte de Robin Hood, longa-metragem que chegou aos cinemas na quinta-feira, 13, com Hugh Jackman repetindo o visual de Logan para mostrar o personagem mais próximo da morte.

Dirigido e roteirizado por Michael Sarnoski (do impressionante Pig, com Nicolas Cage), o filme conta a história de Robin Hood (Jackman) já envelhecido e encarando a morte cada vez mais de perto. As coisas se intensificam ainda mais quando ele luta ao lado do amigo Little John e sai muito ferido. Em busca de ajuda e tentando sobreviver, ele vai parar em uma ilha comandada pela Irmã Brigid (Jodie Comer) para se recuperar e, de novo, escapar da morte.

'A Morte de Robin Hood' fala sobre o fim físico e teórico do personagem
'A Morte de Robin Hood' fala sobre o fim físico e teórico do personagem
Foto: Imagem Filmes/ Divulgação / Estadão

Lento, frio e contemplativo, A Morte de Robin Hood desde o início tenta se assumir como projeto artístico. Com a tela passeando por diferentes tamanhos ao longo da projeção, indo desde um retângulo no meio da tela até o tradicional quadrado 4:3, Sarnoski tenta se exibir como cineasta sem qualquer tipo de vergonha. Ele se coloca explicitamente no meio do filme para mostrar que a forma de contar essa história de Robin Hood é tão importante quanto o que é contado. Pretensão demais, logo de cara, para um cineasta assim tão novo e sem algo realmente relevante a mostrar.

A morte teórica

Passadas todas as questões estéticas, no entanto, há algo de interessante na narrativa. O filme brinca com a dubiedade da palavra morte. Sim, há a morte física do personagem, definhando após a batalha, mas Sarnoski está mais interessado em falar sobre o fim de uma lenda, a morte teórica de Robin Hood. Cercado de mitos, o personagem, em um estado de fragilidade, acaba mostrando que nem tudo o que dizem é verdade. Há muitas mentiras, cultivadas ao longo dos anos, que aqui vão sendo apagadas aos poucos.

Isso, é claro, dialoga muito com a criação de lendas e mitos no século 21 e, rapidamente, essa proposta se torna o ponto alto de A Morte de Robin Hood. Sempre que Sarnoski deixa de se exibir em tela e passa a trabalhar pela narrativa, o filme ganha algum corpo, alguma estrutura, alguma ideia mais concreta. Pena, porém, que isso dure tão pouco. O cineasta e roteirista se leva a sério demais, o tempo todo, e tenta transformar a jornada dessa lenda em uma epopeia histórica - difícil não pensar, várias vezes, como este longa se aproxima do clima geral de A Odisseia, mas muitos degraus abaixo do que Christopher Nolan conseguiu alcançar.

Com ares de 'Logan', Hugh Jackman tenta dar alguma vitalidade ao filme de Michael Sarnoski
Com ares de 'Logan', Hugh Jackman tenta dar alguma vitalidade ao filme de Michael Sarnoski
Foto: Imagem Filmes/ Divulgação / Estadão

A seriedade exagerada, aliada com essa necessidade do diretor se mostrar como um realizador artístico e a frieza que contamina o visual, vai minando a força do longa-metragem. Nem mesmo Hugh Jackman, que consegue driblar os estereótipos do personagem com certa tranquilidade, vence todo o desânimo que vai se embrenhando no que é contado aqui. Vira um filme chato, arrastado, e o espectador fica só esperando o tempo passar e os créditos subirem, pouco se importando com os fins das lendas ou com o último suspiro de um personagem já tão usado no cinema.

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Estadão
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