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James Cameron critica venda da Warner Bros. à Netflix: 'Menos filmes, cinemas fechados e demissões'

'Minha criatividade e produtividade estão diretamente ameaçadas por essa venda', afirma diretor em carta enviada ao senador Mike Lee

20 fev 2026 - 14h51
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O cineasta James Cameron, diretor de clássicos como Titanic, O Exterminador do Futuro e Avatar, criticou veementemente a compra da Warner Bros. pela Netflix. Para Cameron, a indústria cinematográfica sofrerá danos irreparáveis caso a aquisição do estúdio seja concretizada pelo serviço de streaming.

Em uma carta enviada ao senador de Utah Mike Lee na última semana, o cineasta argumenta que a compra levaria a uma crise sem precedentes na indústria norte-americana. "Os cinemas vão fechar. Menos filmes serão produzidos. Prestadores de serviço, como empresas de efeitos visuais, sairão do mercado. As demissões vão se multiplicar", alertou o cineasta.

"Acredito firmemente que a proposta de venda da Warner Brothers Discovery para a Netflix será desastrosa para o setor de exibição cinematográfica, ao qual dediquei o trabalho da minha vida", escreveu Cameron a Lee. "Claro que meus filmes também circulam nos mercados de vídeo posteriores, mas meu primeiro amor é o cinema", escreveu, em documento obtido pela CNBC e publicado nessa quinta-feira, 19.

O político republicano preside o subcomitê do senado norte-americano sobre antitruste, política concorrencial e direitos do consumidor, órgão responsável por fiscalizar políticas antitruste e promover debates e investigações sobre grandes fusões e aquisições.

"O modelo de negócios da Netflix é contrário ao da produção e da exibição cinematográfica, que emprega centenas de milhares de americanos. Está, portanto, em conflito direto com o modelo de negócios da divisão de cinema da Warner Bros., um dos poucos grandes estúdios que restam", argumentou o cineasta em sua carta.

"A Warner lança cerca de 15 filmes por ano nos cinemas, e a já combalida comunidade de exibidores depende desesperadamente dessa produção", pontuou. "Essa fusão reduzirá as opções do consumidor ao diminuir o número de longas-metragens produzidos. Também restringirá as alternativas de cineastas que buscam estúdios para investir em seus projetos, o que, por sua vez, resultará na redução de empregos", argumentou.

Além da preocupação com a manutenção da produção cinematográfica, Cameron também se mostrou preocupado com a diminuição das janelas de exibição de filmes nas salas de cinema. Segundo o diretor, o período proposto pela Netflix é de 17 dias, o que ele considera extremamente baixo. "A maioria das pessoas no setor de longas-metragens acredita que a janela mínima deveria ser de 45 dias; muitos defendem 60 dias", afirmou.

"A promessa de qualquer número de dias não significa nada se não vier acompanhada de um compromisso quanto ao número de salas. Um grande lançamento costuma estrear simultaneamente em mais de 3 mil cinemas no mercado doméstico", pontuou. Segundo o cineasta, a Netflix não enxerga um modelo de negócio nas salas de cinema.

"A Netflix realizou apenas um punhado de lançamentos nos cinemas — e, ainda assim, geralmente sob pressão de cineastas prestigiados. Mesmo nesses casos, as estreias costumam ocorrer em um número simbólico de salas e são feitas principalmente para se qualificarem ao Oscar. Esses lançamentos não representam o sustento principal do setor de exibição", afirmou.

"Vejo minha criatividade e minha produtividade diretamente ameaçadas por essa possível venda. Tenho certeza de que muitos na comunidade cinematográfica — roteiristas, produtores, diretores, exibidores, sindicatos e associações profissionais, membros de equipes técnicas e prestadores de serviço — concordam comigo", disse Cameron. "Muitos optarão por não se manifestar tão abertamente quanto eu, porque a Netflix continuará sendo um grande empregador no futuro próximo. Mas sei que falo por muitos", finalizou.

Estadão
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