Elogiado pela crítica, Diogo Strausz lança 'Dance para se Salvar' no New Morning
Produtor, DJ e multi-instrumentista carioca, Diogo Strausz tornou-se, nos últimos anos, um dos nomes mais comentados da cena groove franco-brasileira. Seu novo álbum, "Dance para se Salvar", lançado pela francesa Favorite Recordings, já vinha cercado de entusiasmo da crítica especializada, que destaca a fusão de disco-funk brasileiro com música eletrônica em arranjos luminosos.
Críticos descrevem o disco como um "retrato coerente", "ensolarado" e "movido por uma filosofia da dança como gesto vital". O show de lançamento no mítico New Morning, em Paris, onde Strausz se apresenta no dia 31 de janeiro, reforça seu bom momento - a própria sala o define como "uma das figuras mais criativas da cena groove internacional".
O álbum, reconhecido por sua alma "quente" e "polida", fruto do uso de fita analógica e equipamentos vintage, impõe o desafio de levar esse universo ao palco. A RFI perguntou a Strausz como isso se transforma ao vivo.
"É a diferença entre a fantasia e a realidade. Cada escolha que você faz em estúdio, em algum momento você quer ver aquilo ser dividido com um número grande de pessoas e você quer transformar aquilo num momento de coletividade", diz, explicando que será acompanhado por uma banda no palco, diferente do formato solo que fez com frequência até agora. "Seremos seis músicos no palco. A gente está formatando um show superespecial só para essa ocasião", conta o multi-instrumentista. Ele dividirá a cena com músicos dos grupos Aldorande, Gin Tonic Orchestra, Jéroboam e a cantora Gabriella Lima.
O conceito da dança como resistência
A crítica internacional destacou o caráter filosófico do álbum, visto como um "manifesto de sobrevivência" e uma ode ao movimento como cura coletiva. Quando perguntado sobre quando essa ideia virou o eixo do disco, Strausz disse: "Acho que a partir do momento em que a gente se percebe virando consumidores zumbis na atual conjuntura (...), acho que o dançar é um gesto de recuperação desse presente, da nossa consciência do corpo."
A França como impulso
Strausz começou a fazer música aos 4 anos de idade. "Acho que era uma fuga para mim de qualquer situação desconfortável." Sobre o que tem ouvido ultimamente, ele cita os últimos discos de Zeca Veloso, Dora Morelenbau e as criações do produtor francês de funk carioca Weal Starcks.
A crítica francesa apresenta o carioca como renovador da estética groove e ponte entre cenas. Perguntamos o que a França lhe deu de diferente: "A estrutura de suporte à cultura que existe aqui te dá um tônus e um eixo para você botar uma fé em si próprio. (…) Ter me tornado 'intermittent du spectacle' foi uma coisa que me deu uma coragem para apostar em mim mesmo que eu nunca tinha tido antes."
Strausz se refere a um sistema de apoio a artistas e técnicos do espetáculo em que o Estado francês garante uma remuneração aos cotistas durante o período de criação e produção, não apenas quando estão em cena. Segundo ele, "isso pode ter definido a minha carreira. Provavelmente definiu o lugar que eu estou hoje."
Com o álbum recém-lançado na França, elogiado como um tributo contemporâneo ao disco-funk dos anos 70-80 e celebrado por sua energia dançante e detalhismo sonoro, Strausz diz estar totalmente concentrado nas próximas turnês.