Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Edu Falaschi fala à RS sobre shows com Angra, novo álbum 'MI'RAJ' e 35 anos de carreira

Cantor celebra marco de sua trajetória em grande estilo, com apresentações especiais junto de ex-colegas, disco encerrando trilogia, turnê especial e apresentações com ídolos do hard rock/metal

3 mar 2026 - 11h21
Compartilhar
Exibir comentários

"Até parece", brinca Edu Falaschi, rindo, ao ser informado de que não parece ter 53 anos de idade e 35 de carreira. Embora tenha conquistado notoriedade dentro e fora do Brasil com o Angra no início do século, o vocalista está na ativa desde 1991, com sua primeira banda, Mitrium. Vinculou-se ainda ao Symbols e Venus ao longo da década de 1990; posteriormente, liderou o Almah e uma carreira solo de sucesso. São 20 álbuns lançados e uma trajetória de destaque no heavy/power metal.

Por isso, Falaschi pretende destinar seu 2026 a revisitar tudo o que construiu em uma turnê especial de 35 anos, a ser iniciada em agosto. No repertório, músicas de todas as bandas que integrou. Ao mesmo tempo, segue de olho no futuro: seu novo álbum, MI'RAJ, sairá em junho deste ano com 9 faixas inéditas — uma delas com título e letra em português — para encerrar uma trilogia iniciada em Vera Cruz (2021) e continuada com Eldorado (2023). O disco está em pré-venda na loja oficial do artista.

Foto: Rolling Stone Brasil

Antes de tudo, o cantor se reúne com seus ex-parceiros de Angra para dois shows especiais, ambos em São Paulo: o primeiro, como atração principal do festival Bangers Open Air, em 26 de abril; três dias depois, num espetáculo individual no Espaço Unimed. Será a primeira vez em 15 anos que Falaschi sobe ao palco junto do grupo, também contando com os antigos membros Kiko Loureiro (guitarra) e Aquiles Priester (bateria) para celebrar o 25º aniversário do álbum Rebirth (2001).

Nesta entrevista à Rolling Stone Brasil, também disponível em vídeo no YouTube, Edu aborda praticamente todos os seus planos para 2026: a reunião com o Angra, os primeiros detalhes de MI'RAJ — revelados com exclusividade —, a vindoura turnê e os shows com o projeto Masters of Rock, ao lado de vozes consagradas do hard rock/heavy metal global. Confira abaixo, via YouTube ou em texto na sequência.

Edu Falaschi — entrevista à Rolling Stone Brasil

https://www.youtube.com/watch?v=s9KYqypjXLY

1) A reunião com o Angra

O desejo de se reconciliar com os ex-colegas de Angra, após anos de afastamento e desentendimentos tornados públicos:

Edu Falaschi: A vontade de já ter se reconciliado é de todos e vem há muito tempo. Só que cada um seguiu sua vida — e também houve distanciamento, mágoas, questões do passado. Mas tenho certeza de que havia essa vontade. Já tinha falado com o Kiko anos atrás, fiquei 4 horas com ele no telefone. Falei com o Rafa [Rafael Bittencourt] em um momento ou outro. Com o Felipe [Andreoli], [falei] mais. Já existia pré-disposição da galera; não era tipo "nunca mais", mas foi uma separação complicada. Passou.

A origem do convite para realizar um show de reunião no Bangers Open Air:

Edu: Rolou mesmo quando fiz uma foto com o Felipe e o Aquiles no Bangers anterior, que repercutiu muito. Lembro que estava voltando para casa depois do festival e o Márcio [Sinzato], da Consulado do Rock, me ligou dizendo: "Edu, vi essa foto, sensacional, adorei ver vocês três juntos — só faltaram Kiko e Rafael — e estou ligando para trocar uma ideia. Qual a possibilidade de vocês trabalharem juntos em algum evento, alguma edição especial de algo?" Falei na hora: "Por mim tudo bem, não tem problema, só que tem que estar conversado, temos que nos falar antes, quebrar o gelo". Aí ele começou a conversar com a galera. Passou para a Damaris [Hoffmann, diretora de marketing do Bangers], amigona nossa de muitos anos. Entraram o meu empresário e o deles. Já existia essa vontade dentro de nós para virar essa página; o festival veio a calhar. E é uma celebração dos 25 anos de Rebirth, além do fato de estarmos em um grande festival como headliners — então, todos se animaram.

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Felipe Andreoli (@felipeandreoli)

Faria mais shows com o Angra além dos dois marcados em São Paulo?

Edu: Sendo sincero, não tem nada programado. Estamos com foco total no que está marcado. Se tiver algum interesse, se for legal... não precisa nem falar, né? É uma coisa meio óbvia: se for bonito pra caramba, todo mundo feliz, não tem por que não existir. Mas te confesso que não tem nada definido, ou uma conversa. O foco é Bangers, está tudo no Bangers. E faremos um espetáculo sensacional. Tudo se encaminha para [o show] ser um marco histórico, no heavy metal, principalmente brasileiro. O que vier é consequência disso. Mas não tem nada pensado após isso, porque o show ainda não aconteceu. Queremos lavar a alma com esse show. Se der tudo certo, a gente vê, no futuro. Mas acho que seria legal levar isso para outros lugares, para outros países.

Reunião com o Angra não é por dinheiro:

Edu: O ser humano é complexo e às vezes não sabe o que quer. Sempre leio comentários de matérias — de vídeos de show não costumo ver, mas de reportagens eu vejo. Aí tinha uma matéria com a foto que tirei junto do Rafa, quando nos encontramos. Alguns comentários diziam: "ah, o que o dinheiro não faz", "o que o cachê não faz". Óbvio que tem cachê. Somos headliners. E ninguém aqui é ONG, né? Trabalhamos com música, somos profissionais, então, obviamente, terá dinheiro. Mas graças a Deus ninguém do Angra precisa de uma reunião para ter dinheiro. Todos estamos bem de vida, consolidados, fizemos "pé de meia". Estamos fazendo pela música e pela importância dos 25 anos de Rebirth, um disco que marcou a história do heavy metal brasileiro no mundo inteiro. Mas é engraçado, pois muitos falam: "pô, o Angra só briga, muita discussão, mó novela". Aí tem reconciliação, dizem: "pô, mas aí se reconciliou por dinheiro". Então escolhe o que você quer, né? [Risos.]

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Edu Falaschi (@edu_falaschi)

Como enxergar a relação daqui para frente, não apenas profissional, mas pessoal:

Edu: Temos muita história, muitas músicas, muitos discos — e é isso que importa, é o que fica para as pessoas. Estamos nessa vibe: "cara, vamos olhar pra frente". Pensar no que fizemos de bom e usar isso como uma escada para construir coisas pro futuro — não necessariamente juntos, mas construir música, sem brigas, sem discussão. Brigas são normais, acontecem em qualquer relação, e é complicado perdoar, deixar as coisas para trás, mas venho trabalhando isso faz tempo. Hoje moro na praia, o que também torna minha vida muito mais leve. Se estou meio estressado, vou caminhar na praia, andar de bicicleta. O estilo de vida que levo já traz essa tranquilidade.

2) O novo álbum, MI'RAJ

Conceito do álbum:

Edu: "Mi'raj" significa, em árabe, "ascensão espiritual", "evolução espiritual". Nada a ver com miragem! A trilogia — iniciada com Vera Cruz e complementada por Eldorado — é uma ficção, mas misturada com história real. A história do Vera Cruz se passa no ano de 1.500, durante a descoberta do Brasil pelos portugueses. No Eldorado, a narrativa migra para o México, então por isso tem mais elementos musicais da América Latina. Agora, em MI'RAJ, volta para Europa, onde tudo começou. O Jorge, personagem principal, precisa ir para Oriente Médio, onde tudo se conclui. Por conta disso, adotamos muitos elementos musicais do Oriente Médio, enquanto a letra conclui a trama. Este universo é muito rico inclusive em termos de Brasil, pois, por exemplo, a música nordestina vem muito dos mouros, e é a cultura do Oriente Médio. Temos isso em nossa brasilidade.

Foto: Rolling Stone Brasil

As influências sonoras do disco, pois, em entrevista anterior, Falaschi disse que estava inspirado pelo rock progressivo:

Edu: De fato é um disco que navega muito pelo rock progressivo dos anos 1970 e 1980. Ouvi muito Yes, Rush, Marillion, Supertramp — que é a minha preferida — Genesis... nesse trabalho também tem algo que ouço bastante e nunca coloquei nos álbuns: fusion, misturado com coisas mais novas, como djent. Por ser o fim da trilogia e um álbum de 35 anos de carreira, decidi pegar um pouco de tudo o que construí. Tem power metal, mas é um disco bem mais variado do que os outros, em questão rítmica e harmônica. Dos três álbuns, é o menos virtuoso em questão de velocidade, de virtuose instrumental. Há mais balanço rítmico e melódico. Até o comparo um pouco com Rebirth, por ser balanceado.

Sobre "Intuição", primeira música de sua carreira com letra em português desde "Caça e Caçador", de 2002:

Edu: Até tem "Pegasus Fantasy" (trilha de Os Cavaleiros do Zodíaco), mas não é uma música inédita. "Intuição" é uma música muito legal, bem pra cima. É uma música da Janaína, uma das personagens principais da história da trilogia, em um momento no qual ela se comunica com o Jorge, que se tornou seu marido. No final de Eldorado, ela é sequestrada pela Ordem da Cruz de Nero, contrária à Ordem de Cristo. Ela acabou sendo levada para o Oriente Médio. Ele vai atrás e os dois se conectam através de muitas coisas extracarnais, por isso chama-se "Intuição". É uma música linda mesmo.

3) Turnês e planos para o futuro

O que esperar da turnê de 35 anos de carreira:

Edu: Ainda não posso revelar detalhes, mas já temos datas marcadas para a turnê. Desta vez, farei menos shows, para poder fazer shows mais especiais, com mais produção e lugares maiores. Além dessa celebração, também será uma turnê do novo álbum. É um show mais longo, de aproximadamente duas horas e meia, com três atos. O primeiro ato será focado na trilogia, com várias músicas de Vera Cruz, Eldorado e MI'RAJ. O segundo traz músicas da minha história, com músicas do Mitrium, Venus, Almah e Angra — nessa parte, dos discos Rebirth, Hunters and Prey (2002) e Temple of Shadows (2004). O terceiro foca em Aurora Consurgens (2006) e Aqua (2010), do Angra. Muitas fãs pedem músicas desses dois álbuns, pois foram pouco tocados até em suas épocas. Já celebrei muito o Rebirth e o Temple of Shadows, também fiz turnês de Vera Cruz e Eldorado. Então, é um show diferente.

A turnê Masters of Voices, com datas em julho na América do Sul junto dos cantores Eric Martin (Mr. Big), Tim "Ripper Owens" (ex-Judas Priest) e Jeff Scott Soto (ex-Yngwie Malmsteen):

Edu: Além de serem meus amigos hoje em dia, sou fã dos caras, especialmente do Eric, pois ouvi muito Mr. Big quando mais novo. Será uma honra estar com grandes ídolos do heavy metal mundial. Vou cantar músicas da minha carreira, principalmente Angra, onde tive projeção mundial, e ver a história deles ser contada. Sempre gostei muito de hard rock: Ratt, Poison, Twisted Sister — que para mim era hard rock na época —, Whitesnake, Warrant, Cinderella... amo TNT, da Noruega: Tony Harnell canta muito e a banda é sensacional. Quem não conhece, procure!

https://www.youtube.com/watch?v=ZqErA4YeOV0&list=RDZqErA4YeOV0&start_radio=1&pp=ygUVdG50IGV2ZXJ5b25lJ3MgYSBzdGFyoAcB0gcJCb4KAYcqIYzv

Planos para o futuro, para além de 2026:

Edu: Vou continuar fazendo o que amo, que é música, mas o ritmo deve mudar um pouco, principalmente em questão de álbuns. Nunca diga "nunca", mas talvez eu não lance mais álbum físico, com 10 músicas e tal. Mas tenho algumas ideias de projetos, inclusive dentro de outros estilos, como o hard rock. Eu gostaria de lançar uma música mais hard, ou pincelar um rock progressivo bem tradicional, juntando amigos e ídolos para lançar. E tem, obviamente, a continuação da celebração do legado. Às vezes a pessoa reclama, mas pensa: se você tem um legado, tem que celebrá-lo. Se não tem, ok, tem que trabalhar para construir, mas à medida que você tem uma história de 35 anos com 20 discos... temos que curtir a história assim como apoiar as bandas novas, algo em que foco nas minhas turnês [trazendo-as para realizar shows de abertura.

+++ LEIA MAIS: Zakk Wylde fala à RS sobre Ozzy Osbourne, novo álbum do Black Label Society e Shakira

+++ LEIA MAIS: Dream Theater fala à RS sobre shows no Brasil, 'Parasomnia', 'A Change of Seasons' e futuro

+++ LEIA MAIS: Outras entrevistas conduzidas pelo jornalista Igor Miranda para a Rolling Stone Brasil

+++ Siga a Rolling Stone Brasil @rollingstonebrasil no Instagram

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade